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Superavit Cognitivo

Shirky é assiduo tema de postagens por aqui

É bem provável que o último livro de Clay Shirky venha com a tradução literal de seu título. Isso porque o intuito do autor é deixar bem claro que em alguns aspectos e de uma forma muito abrangente e crescente, temos abundância e não escassez.

O tempo que se gasta na internet e nas redes sociais, causam acima de tudo uma diminuição do tempo que se dedica à televisão. E isso é uma boa notícia.

A tese de seu livro Cognitive Surplus – Creativity and Generosity in a Connected Age, baseia-se na forte migração do foco e do tempo das pessoas, que de passivas espectadoras passam a ser participantes voluntários colaborando em projetos online pelo mundo afora. Ele diz que o ‘free time’ (o tempo livre, e não o tempo grátis) que antes era simplesmente drenado pelo mundo das novelas televisivas, os programas noticiosos, seriados, humorísticos, talk show … passa a ser disputado por um envolvimento mais nobre. Ou seja, as pessoas estão se cansando de ficar sentadas no sofá comendo batata chip, e vão engordurar os teclados entrando e interagindo nas redes sociais.

E não é so nas grandes redes (Facebook e Twitter por exemplo). Há um movimento enraizado que cria comunidades, grupos, projetos, trabalhos em conjunto, enfim uma miriade de esforços colaborativos. E é nisso que as pessoas estão dedicando seu tempo, esforço e tutano. Daí o ‘cognitivo’ da coisa!

É uma leitura agradabilíssima e muito bem colocada, pois Shirky faz questão de entremear sua tese com diferentes histórias e cases, e numa quase conversação repete perguntas e dúvidas que certamente nos aguçam, para daí dar o seu embasamento sociológico. Uma leitura imprescindível para quem acompanha e analisa o impacto da internet na Sociedade.

P.S. – inaugurei meu Kindle com a leitura do livro no tablet da Amazon. Gostei.

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Considerações sobre a Empresa evil

Há algo intrinsicamente mal na empresa?

O que é ser uma empresa evil? O que me faz considerar uma empresa evil – ou má (traduzindo)?

A gente sabe a princípio – dadas as regras do mercado e do ambiente capitalista em que vivemos – que a empresa tem por obrigação ser lucrativa e enquanto gera caixa, deve procurar se fortalecer. Até aqui o balanço fecha.

Mas o bicho pega mesmo, quando nos referimos aos Valores de uma empresa. É isso mesmo: Valores com o V maiúsculo. Trata-se do que a empresa é em sua essência, na sua verdade diária e interna. E como é algo íntimo, à semelhança do que acontece entre casais, é difícil de se saber.

Abro parêntesis aqui. Leio que o Dolabella se meteu em mais uma confusão.

Voltando. A não ser quando se tornam públicas as ações, conflitos e dramas do que acontece na intimidade das empresas, é muito difícil de bate-pronto saber ou fazer juízo se ela é ou não evil. Há muito engano e dissimulação. Não existem placas, faixas ou bandeiras para se vangloriar da condição de evil. Há exceções, é claro, mas são raras.

Mas consideremos o seguinte: quantas empresas conhecemos onde o discurso é um e a prática é outra?

Há inclusive aquelas que fazem questão de realçar seus discursos sobre as ‘práticas íntimas’ em anúncios de página inteira, com foto e tudo – mas  sabemos que o dia a dia de verdade é outra coisa. Um exemplo que me ocorre é da AMBEV e esse baba ovo institucional extra-endomarketeado à exaustão.

Considero que o fator evil de ser esteja no DNA. Aquilo que cria e sedimenta a sua natureza de ser, e que está vinculado à liderança que lança o embrião da cultura interna. Seja pelo fundador ou novos mandatário. O tipo de bicho que nasce será ou não, evil.

E sim, o DNA se revela de maneira inexorável nas entranhas da empresa. A ordem regimental, o estilo gerencial, o clima organizacional, a forma hierárquica, a perpetuação do poder, o radicalismo meritocrático, coisas que produzem e contrastam claramente entre o que é verdadeiro e o que é mentira.

Ser bem sucedido deve ser uma conseqüência e não o fim.

A empresa que obsessivamente procura o sucesso, o lucro, a conquista – a qualquer preço e sacrifício, semeia vento e ao final vai colher tempestade. Ao fazer isso, desconsidera o fator ontologicamente humano – de que nosso propósito principia e termina em nós mesmos.

Evil para mim são as empresas que transformam as pessoas em escravos institucionais – mesmo que para isso tenham que pagar altos salários.

Evil para mim são as empresas que se dedicam a alimentar suas máquinas organizacionais em detrimento do humano.

Evil para mim são as empresas que egoisticamente sacrificam o planeta – não somente no sentido estrito da ecologia ou da sustentabilidade, mas pela perspectiva da sociedade em que vivemos.

Evil para mim é não construir um melhor amanhã – para seus funcionários, investidores, clientes, consumidores e o mundo como um todo.

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Confiança e cultura empresarial

Os peões como peças de um jogo

A base de um bom relacionamento é a confiança. Diria mais: confiança mútua. Num esforço orquestrado, a AMBEV inicia campanha voltada para seu público interno, mas que intenciona repercutir no mercado de maneira geral.

Há sem dúvida uma preocupação com sua imagem, fruto da prática recorrente que moldou sua cultura extremamente agressiva. Que ao final revelou uma obsessão por metas custe o que custar. E antecipo – nada a ver com o inovador programa televisivo que manda muito bem junto aos mais jovens.

A matéria na Folha (FSP 23/07/2010 B4) joga luz na questão. A AMBEV, pelas palavras de seu diretor vice-presidente, “é uma empresa que confia nas pessoas e que acredita que elas podem fazer a diferença”.

O que de fato sabemos é que as histórias que circulam no mundo corporativo e que tem caído nos ouvidos do povo, tem revelado o muito de uma cultura que extenua a exaustão o princípio da burocracia, transformando profissionais em meros peões. O paradigma máximo está no alcance das metas. Assim, todo esforço de execução e desempenho – seja individual ou de grupo – anula qualquer sentido de humanidade, elimina o espírito colaborativo e expulsa o significado do trabalho diário.

Homens sem alma não necessitam de confiança. Ao se promover um agressivo regime de metas em detrimento de detalhes (justificando inclusive os meios), a AMBEV tem conquistado excelentes patamares de sucesso e lucratividade. No entanto, faze-lo sem construir uma cultura de valores é um tiro no pé.

Aguardemos os próximos capítulos.

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O que é Improv

improv em todo lugarOs brasileiros são reconhecidamente os reis do improviso. Acontece que nos últimos tempos, essa pecha ganha conotação positiva. Há uma oportunidade muito grande aí para todos que vivem na cultura do jeitinho e das coisas desarrumadas (é muito forte dizer bagunçadas).

Somos campeões de chegar lá sem muito planejamento, sem muita organização – sem quase nenhuma tática. Garrincha (grande craque brasileiro – para você Nativo Digital, que me lê), é um dos símbolos máximos do improv: muito gingado, muita  finta, muita malicia futebolística, muita segurança em si, muito humor, muita sacada inteligente … enfim um craque.

É dele a resposta para o Feola – técnico da seleção brasileira: “Mas o gringo também foi instruido pra me deixar passar?” Feola tentava fazer o impensável – determinar para que lado Garrincha deveria driblar. Impossível! Só na hora, no exato momento, é que se sabe e se faz!

Técnicas IMPROV são formas de se treinar em diferentes aspectos do dia a dia do trabalho para lidar com o incerto, o inesperado, o desafiador e o nunca antes acontecido! Creio que nesse ponto Lula é mais forte que Fernando Henrique. Um não se sofisticou nas estruturas do ensino – e portanto não precisa hoje desaprender. O outro, sofisticou-se demais e ficou ‘durão’ para o drible. Verdade seja dita – precisamos mais de tipos Lula – do improviso do que do tipo sofisticado.

Técnicas IMPROV trabalha o humor (como aqueles sketchs dos Improváveis). Robin Williams era rei do improv, muito mais do que do Stand Up. Isso porque o Improv desdenha de scripts e roteiros, e executa a partir da dica e do direcionamento inicial para a criatividade e grandes sacadas. O humor certamente faz a vida melhor, e nos torna mais humanos e inteligentes.

Técnicas IMPROV tem a ver com facilitadores, professores, educadores, agentes de mudança, pessoal do RH, líderes, e gente comum … Até porque no presente e no futuro, teremos que saber fazer o melhor na situação que nos será imposta. E daí não teremos outro recurso a não ser improvisar. No bom sentido, é claro!

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Convergindo

Créditos ShedroffAntecipando uma continua reflexão sobre o significado do ano que se encerra, destaco a importância de conquistas pessoais obtidas mediante muita luta, profundo estudo e aprendizado, muitas horas de dedicação, e somado a esses esforços, a ajuda e o apoio de parceiros e amigos.

E antes que este post fique meloso – já antecipo o meu agradecimento. Isso porque é incrivel como a Internet nos aproxima e nos torna – em alguns aspectos – mais humanos.

Há uma força natural na WEB que permite, debaixo de boas intenções e na perspectiva da colaboração, um esforço conjunto. Algumas pessoas chamam isso de convergência.

Há também uma atração entre pares – que compartilham interesses. Essa confluência, alguns chamam de convergência

E há um amplo crescimento de ferramentas, aplicativos e plataformas, que apesar de não estar encaixada e empacotada num todo único, elas se juntam em direção ao centro. E isso também podemos chamar de convergência.

É por causa da convergência que estou me concentrando nesse espaço. Tem a ver com melhorar a minha vida, obter maior produtividade e quem sabe melhor influenciar o mundo que me cerca – de maneira humilde, sensata e serena.

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Ilustração – créditos Nathan Shedroff

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