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A volatilidade do Conhecimento

Fritz Machlup (1902-1983)

Um dos mais fortes argumentos exigindo uma radical transformação na Administração e na prática corporativa, reside na volatilidade do Conhecimento – assim mesmo com maiúscula. Sabemos que todo o conhecimento construido até a virada do Milênio, já foi superado nesta década algumas vezes. Esse crescimento exponencial trouxe a presente instabilidade nos formatos fechados – rompendo com a confiabilidade dedicada ao engessamento classificatório das diferentes disciplinas e seu consequente armazenamento.

Se portanto no passado, o Conhecimento podia ser contido era tão somente pelo seu mais importante atributo: a estabilidade.  Hoje isso não é mais verdade, pois apresenta características de meia-vida. Esse termo é atribuido a Fritz Machlup, e refere-se ao tempo necessário para metade de um conhecimento em alguma área específica ser superado ou se tornar falso. Essa identificação da obsolescência é cada vez mais frequente, tornando esses períodos cada vez menores. Estudiosos tem identificado esse fenômeno como encolhimento da meia-vida. Com isso cria-se uma demanda por re-adequação e a construção de novos saberes, que não dependa de métodos herméticos e nem dependa dos sistemas consagrados do passado.

Por conta disso tudo, temos uma substituição cada vez mais forte do Conhecimento e de seus formatos e ferramentas. Esse movimento afeta o jeito de se criar, distribuir e disseminar informação, assim como a maneira de se ensinar e aprender. Abandonar os métodos antigos é parte da solução. No fundo devemos abandonar efetivamente qualquer método. E criar um novo paradigma do Saber.

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A Web como Laboratório

Esse tema me persegue.  Creio que persegue a todos. Mas quando se trata das transformações sociais, a coisa fica ainda mais evidente.

Tenho mais um caso a ilustrar a forte argumentação de que mesmo os imigrantes digitais são obrigados a acompanhar a onda de mudanças que varre o mundo. Acostumado a atuar com os sites para busca de profissionais, não imaginei que conseguiria muito sucesso para o caso familiar de um ‘cuidador de idoso’. A grande maioria dos candidatos com experiencia e foco nessa função ja estão com mais de 40 anos. Não tem nenhuma familiaridade com a internet. Aqueles que tem, ainda é superficial.

Acontece que as pessoas mais novas que vivem e convivem com os imigrantes digitais fazem o serviço bem feito. No  ‘experimento’  familiar de busca por um cuidador, a plataforma de currículo mandou bem. Dentro do perfil e com as demandas definidas pelo filtro. Um caso específico, descubro que foi a filha que subiu o currículo, sem a mãe saber – apesar de precisar dessa ajuda. A filha argumentou que era melhor esperar os resultados, a antecipar expectativas.

A Web serve como laboratório e a partir dela as transformações acontecem. Com mais velocidade e mais intensidade. Parte disso vamos discutir no Open Coffee de hoje!

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Don Tapscott nas Amarelas

Don Tapscott é figura presente em diferentes eventos no Brasil

Don Tapscott é um dos mais influentes escritores e pesquisadores da atualidade. Tem trabalhado de maneira consistente a questão do impacto da internet na sociedade. E tem sido uma voz a levantar a bandeira da colaboração. Seu mais recente livro é Macrowikinomics: Rebooting Business and the World em co-autoria com Anthony D. Williams. Segue um passo além do já célebre Wikinomics (disponível em Português) de sub-título Como a Colaboração em Massa pode mudar seu Negócio. Ainda não li aquele último, mas acompanhei a finalização e participei de algumas discussões com o autor. Sim ele mantém uma comunidade espalhada pelo mundo que dá palpites e sugestões em seus projetos.

Costumo dizer em palestras e aulas que as manchetes de jornal bem poderiam ser meus slides. A cada semana tenho o que preciso para tornar a minha fala mais fresca e atual. Ao ver Tapscott nas páginas amarelas da Veja desta semana, me fez lembrar aquela explicação dos tipos de pessoas (e empresas): As que fazem acontecer; as que esperam acontecer; e aquelas que não sabem o que aconteceu. Ao acompanharmos parte do que Tapscott tem a nos dizer, garantimos não ficar na terceira categoria. E assim ele explica bem toda essa revolução e transformação que passa o mundo e a vida.

Já seu livro A Hora da Geração Digital foi para mim uma das principais inspirações para o trabalho das Gerações que tenho desenvolvido nestes últimos anos. O meu exemplar (em Inglês) está todo anotado e cheio de ‘post-its’  marcando páginas e referências. Isso é o prenúncio de que ainda temos muito a fazer e estudar.

E vamos em frente! Só um último conselho: não espere a grande imprensa lhe dar as dicas … normalmente ela está uns três anos em atraso.

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Open Coffee – A Iniciativa

Ao longo do ano passado, realizamos 11 encontros presenciais, denominados de Open Coffee. Aberto aos amigos e conhecidos, focamos nos contatos de nossas redes sociais em primeiro (e segundo) grau.

Acabei conhecendo pessoalmente muita gente no OC. Já conhecia alguns pelas conversas e discussões online, mas o face a face contribui para dar mais profundidade aos relacionamentos, sem dúvida. O movimento ganhou força para 2011.

Haverá os saudosistas lembrando os sofás do Starbucks, mas o upgrade é simplesmente fantástico (parceria fechada com o Vista Paulista). A acomodação é melhor: exclusiva, instalações pertinentes, e possibilidade de uso intensivo dos recursos tecnológicos. Vamos usar o projetor para apresentar nossas ideias, compartilhando novidades e descobertas. Os contatos presenciais e o compartilhar sempre foram pontos altos de nosso encontro, e isso continua. A iniciativa se firma. O movimento se consolida!

Tempo para compartilhar

Vamos introduzir um princípio multiplicador – para ampliar o movimento e alcançar os graus seguintes de nossas redes. O seu ingresso é você trazer um novo participante.

Vamos formatar, de maneira levemente estruturada (sem engessar a informalidade) um tempo para Ideias&Pessoas. Serão temas para apresentação – menos de 1 minuto para cada item escolhido. Ao final, vamos juntar as trocas ‘wikis’ e colocar em novo blog os frutos do evento.

Marque a data e o local, e venha se juntar a nós. Nesta terça dia 08/02, a partir das 18:30 horas no Vista Paulista, bem ao lado da estação Paraíso do Metrô – saída da rua Vergueiro.

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Toda Boa Prática Será Castigada – 1

Participo do grupo Comunidade da Inovação no Linked In. É extremamente bem representado, com gente inteligente e brasileiros em sintonia com a realidade do nosso país. E lá as discussões ganham forma e relevância. Nos últimos meses tem sido inspirador e interessante participar de um fórum que procurava responder à seguinte pergunta:

Alguém acha possível gerenciar e fomentar o processo inovativo de uma organização sem sistematizá-lo?

A linha de defesa era de que faltavam ferramentas para transformar a inovação em algo simples. O que está em jogo – não só na teoria como na prática, é a necessidade de um postura de inovação, que seja contínua, imersa, auto geradora e sustentável. Será isso possível?

Toda a vez que ouço algo como ‘temos que sistematizar’ ou “vamos criar uma metodologia”, tenho convulsões. Realmente eu me tornei avesso a qualquer tentativa de se esquematizar processos, engessar procedimentos, parametrizar comportamentos … No bojo dessa iniciativa está o tratar o ser humano, a equipe, o seu pessoal, como RECURSOS e não como gente, que são talentos, se compõem de inteligência e alma.

Christopher Locke, co-autor do Cluetrain – O Manifesto da Economia Digital, escreveu um outro livro que sombreado pelo sucesso do primeiro passou despercebido pelas escolas e empresas – e é óbvio pelas pessoas que distribuem o poder. Trata-se do Marketing Muito Maluco – Vencendo com as práticas menos convencionais. A tradução (e o contexto brasileiro) perdeu boa parte da perspicácia do pensador e crítico norte-americano. A começar pelo título na obra original (veja aqui). Locke traz em sua bagagem corporativa, a participação em projetos de Inteligencia Artificial. Após uma crise existencial percebe que a fórmula de Dr. Jenkins condena o nosso futuro. E daí numa epifania destrava as amarras que o ligava ao sistema para viver à parte dele. E escreve Gonzo Marketing (este é o nome original) – uma contrapartida e sacada ligada ao conceito do jornalismo Gonzo.

Aqui abro parentesis. Vou ficar em dívida com você meu leitor. Um post especial sobre o termo Gonzo e suas implicações na sociedade e como isso foi inspiração para título do livro de Locke. Trata-se de algo que para a cultura americana tem profundos significados, e mais ainda para aqueles, que como eu, praticamente passaram dos 50 anos de idade. Aguarde! Fecho parentesis.

O que Locke insiste é que o caminho da vitória (ou seja a ruptura e inovação) está nos “worst practices” – ou seja nas piores práticas.

Ao refutarmos o caminho do rebanho, aquele que pode ser formato, reproduzido e imitado, nos distanciamos da sindrome da commoditização. Sermos iguais, reduzidos à norma (normal) ao padrão (comum), à média (mediocre).

Toda a boa prática será castigada. O futuro do seu negócio e da sua carreira vai estar em risco. Uma boa dose de loucura é o antídoto certo para a mesmice.

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Evento Vivo Educação

Encerramento do Painel no 2o Seminário Vivo Educação e Rede

Participantes do painel final sobre aprendizado, Jay Cross, Luis Algarra, Paul Pangaro e seu blogueiro preferido.

A grande pergunta que ficou no ar e que tentamos focar ao longo de uma hora e meia: “Qual o papel do professor diante de tantas transformações?” O que está em jogo é que o processo da Educação passou do ensino para o aprendizado, e aí temos a demanda por uma nova função para os professores. Um desafio para todos que atuam direta ou indiretamente na Educação. Inclusive para os pais. E por que não: para os alunos, também?

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Considerações sobre a Empresa evil

Há algo intrinsicamente mal na empresa?

O que é ser uma empresa evil? O que me faz considerar uma empresa evil – ou má (traduzindo)?

A gente sabe a princípio – dadas as regras do mercado e do ambiente capitalista em que vivemos – que a empresa tem por obrigação ser lucrativa e enquanto gera caixa, deve procurar se fortalecer. Até aqui o balanço fecha.

Mas o bicho pega mesmo, quando nos referimos aos Valores de uma empresa. É isso mesmo: Valores com o V maiúsculo. Trata-se do que a empresa é em sua essência, na sua verdade diária e interna. E como é algo íntimo, à semelhança do que acontece entre casais, é difícil de se saber.

Abro parêntesis aqui. Leio que o Dolabella se meteu em mais uma confusão.

Voltando. A não ser quando se tornam públicas as ações, conflitos e dramas do que acontece na intimidade das empresas, é muito difícil de bate-pronto saber ou fazer juízo se ela é ou não evil. Há muito engano e dissimulação. Não existem placas, faixas ou bandeiras para se vangloriar da condição de evil. Há exceções, é claro, mas são raras.

Mas consideremos o seguinte: quantas empresas conhecemos onde o discurso é um e a prática é outra?

Há inclusive aquelas que fazem questão de realçar seus discursos sobre as ‘práticas íntimas’ em anúncios de página inteira, com foto e tudo – mas  sabemos que o dia a dia de verdade é outra coisa. Um exemplo que me ocorre é da AMBEV e esse baba ovo institucional extra-endomarketeado à exaustão.

Considero que o fator evil de ser esteja no DNA. Aquilo que cria e sedimenta a sua natureza de ser, e que está vinculado à liderança que lança o embrião da cultura interna. Seja pelo fundador ou novos mandatário. O tipo de bicho que nasce será ou não, evil.

E sim, o DNA se revela de maneira inexorável nas entranhas da empresa. A ordem regimental, o estilo gerencial, o clima organizacional, a forma hierárquica, a perpetuação do poder, o radicalismo meritocrático, coisas que produzem e contrastam claramente entre o que é verdadeiro e o que é mentira.

Ser bem sucedido deve ser uma conseqüência e não o fim.

A empresa que obsessivamente procura o sucesso, o lucro, a conquista – a qualquer preço e sacrifício, semeia vento e ao final vai colher tempestade. Ao fazer isso, desconsidera o fator ontologicamente humano – de que nosso propósito principia e termina em nós mesmos.

Evil para mim são as empresas que transformam as pessoas em escravos institucionais – mesmo que para isso tenham que pagar altos salários.

Evil para mim são as empresas que se dedicam a alimentar suas máquinas organizacionais em detrimento do humano.

Evil para mim são as empresas que egoisticamente sacrificam o planeta – não somente no sentido estrito da ecologia ou da sustentabilidade, mas pela perspectiva da sociedade em que vivemos.

Evil para mim é não construir um melhor amanhã – para seus funcionários, investidores, clientes, consumidores e o mundo como um todo.

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