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Superavit Cognitivo

Shirky é assiduo tema de postagens por aqui

É bem provável que o último livro de Clay Shirky venha com a tradução literal de seu título. Isso porque o intuito do autor é deixar bem claro que em alguns aspectos e de uma forma muito abrangente e crescente, temos abundância e não escassez.

O tempo que se gasta na internet e nas redes sociais, causam acima de tudo uma diminuição do tempo que se dedica à televisão. E isso é uma boa notícia.

A tese de seu livro Cognitive Surplus – Creativity and Generosity in a Connected Age, baseia-se na forte migração do foco e do tempo das pessoas, que de passivas espectadoras passam a ser participantes voluntários colaborando em projetos online pelo mundo afora. Ele diz que o ‘free time’ (o tempo livre, e não o tempo grátis) que antes era simplesmente drenado pelo mundo das novelas televisivas, os programas noticiosos, seriados, humorísticos, talk show … passa a ser disputado por um envolvimento mais nobre. Ou seja, as pessoas estão se cansando de ficar sentadas no sofá comendo batata chip, e vão engordurar os teclados entrando e interagindo nas redes sociais.

E não é so nas grandes redes (Facebook e Twitter por exemplo). Há um movimento enraizado que cria comunidades, grupos, projetos, trabalhos em conjunto, enfim uma miriade de esforços colaborativos. E é nisso que as pessoas estão dedicando seu tempo, esforço e tutano. Daí o ‘cognitivo’ da coisa!

É uma leitura agradabilíssima e muito bem colocada, pois Shirky faz questão de entremear sua tese com diferentes histórias e cases, e numa quase conversação repete perguntas e dúvidas que certamente nos aguçam, para daí dar o seu embasamento sociológico. Uma leitura imprescindível para quem acompanha e analisa o impacto da internet na Sociedade.

P.S. – inaugurei meu Kindle com a leitura do livro no tablet da Amazon. Gostei.

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Segunda Edição do Seminário Vivo e Educação

Ivan Illich - austríaco, filósofo e pensador (1926-2002)

Uma excelente oportunidade para sermos desafiados, estimulados, provocados e agitados em nosso cotidiano. Principalmente se lidamos com Educação Corporativa (quem não está nessa hoje em dia?) ou se queremos saber para onde deve ir o mundo da Escola num sentido bem amplo.

Vai acontecer na próxima semana o Seminário A Sociedade em Rede e a Educação – uma iniciativa do Instituto Vivo sob a batuta de meu amigo Luis Fernando Guggenberger. Inspirado no grande crítico da Escola institucionalizada Ivan Illich falecido há oito anos, e autor de La Sociedad Desescolarizada. Na charge feita que ilustra o post Illich é retratado como alguém que se recusa a ser influenciado pelo status quo. Me identifico com ele, pois minha missão de vida tem sido a de provocar e inovar – abandonando os pressupostos entregues e impostos pela sociedade.

Será entre os dias 14 a 16 de setembro, o Seminário A Sociedade em Rede e a Educação e acontecerá simultaneamente em São Paulo e em 13 localidades distribuídas em todo o Brasil, com o propósito de buscar formas alternativas de viabilizar a aprendizagem em rede no País, usando a tecnologia como ferramenta principal. Participarão do seminário – presencialmente ou virtualmente – professores, alunos, pedagogos, pais e pessoas com interesse comum de propagar uma educação mais eficaz para a atual sociedade.

Um dos principais assuntos em discussão, a teoria do conectivismo como metodologia de aprendizagem na sociedade em rede, bem como a escolha dos palestrantes – como George Siemens, Stephen Downes, Carolina Rossini, Diego Leal – foi proposto e aceito pelos mais de 2,5 mil usuários da Rede Vivo Educação, na plataforma Ning – acesse aqui. O mesmo aconteceu na construção dos painéis sobre Comunidades de Aprendizagem, com as participações da indiana Sanghamitra Iyengar, o sul-africano Wiseman Jack, Reinaldo Pamponet, Jay Cross e Paul Pangaro.

Os participantes da comunidade também tiveram total liberdade para criar arenas de discussão sobre temas que julgam relevantes e necessários em cada região. A pluralidade geográfica desses grupos é tão grande que haverá arenas conectadas em Ilha Solteira (SP), Niterói (RJ), Belterra (PA), Uberaba (MG), Senhor do Bonfim (BA), Campina Grande (PB) e, até em Nova York (EUA), dentre outras localidades.

Cada arena elege sua própria programação, de acordo com a grade geral do seminário, e é convidada a apresentar os projetos elaborados coletivamente aos demais grupos participantes do encontro, de modo que possam ser implementados em conjunto. O evento será transmitido ao vivo e contará com mecanismos de interação via web.

A mobilização da arena Ilha Solteira, por exemplo, gerou um fórum de discussão de Educação em Matemática em Rede, incentivando o compartilhamento de experiências em sala de aula, de uso de tecnologia, jogos, e outras metodologias. Já em Belterra, o grupo optou por discutir a construção e resultados dos Arranjos Educativos Locais que já existem no município. A arena Uberaba propôs a discussão da aprendizagem em rede entre escolas e sociedade.

Jay Cross estará conosco em São Paulo

Me entusiasma também a presença de Jay Cross, a quem tenho utilizado como referência. Estarei com ele na sua apresentação juntamente com o Paul Pangaro. Vou compartilhar também de maneira semi-caótica, como as coisas e os acontecimentos se desenrolam na semana – por aqui e via twitter.

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Dados das Redes Sociais

Leio no Jornal Propaganda & Marketing (16/08/2010) os dados trazidos pelo Ibope Nielsen Online sobre redes sociais aqui no Brasil:

– 28% dos usuários tem entre 25 e 34 anos

– 54% acessam mais de uma vez por dia

– 47% consideram troca de mensagens com amigos a principal função

– 84% utilizam para fins pessoais

– 16% (a diferença) utiliza com foco profissional

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Linkania e seus desdobramentos

Hernani se inspirando na dedicatória

Linkania é o título do livro lançado ontem à noite, de autoria do Hernani Dimantas. Alguns anos atrás (isso em 2003), formamos o movimento Redondo e os já mencionados “café redondo”, onde reuníamos uma galera representativa para discutir os caminhos da internet e seu impacto no meio empresarial.

O livro Linkania – Uma Teoria de Redes, lançado ontem à noite, pela Editora Senac São Paulo e com apoio da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo, tem a vantagem de traduzir os diferentes significados que a Web 2.0 e como todo esse boom percebido de redes socias nos impacta.

Linkania pode efetivamente ser a mania de nos conectarmos, quer nossas vidas, quer nossos textos e nossas referências. Linkania pode ser a facilidade, a possibilidade e forte naturalidade com que agora somos partes uns dos outros.

"... bem mais do que um grande amigo ..."

Linkania é também esse vício de estarmos ligados e conectados o tempo todo.

Ontem à noite ainda estive em mais um evento. Após me despedir de amigos, parei para enganar o estômago e em seguida aterrisar em casa. Como de costume limpo a caixa postal e dou uma sapiada no twitter. Um desses amigos manifestava sua alegria de ter estado na nossa rodinha. O que prontamente comentei que a satisfação era mútua. E o outro, mencionava que após a nossa despedida, seu carro havia sido roubado.

Linkania creio que e isso mesmo. Participarmos com alegrias e tristezas – um na vida do outro. Mas para tirar a dúvida, vou ler o livro.

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A campanha da calcinha cor de rosa (Índia)

Clay Shirky foi apresentado por mim na CIRS

Sem sombra de dúvida, uma palestra de destaque na CIRS, realizada no começo do mês em Curitiba, junto com a CICI 2010, foi a do Clay Shirky ao falar sobre o poder se organizar independente das organizações.

Compartilho a seguir um dos exemplos que ele utilizou para ilustrar o fenômeno quando se dá a ignição de uma causa via mobilização social consistente. E, of course, utilizando os meios digitais para tal – tanto web como celulares.

Para os paradigmáticos analógicos isso é de difícil compreensão. Já usei uma expressão que bem resume a situação. Ao comentar minha discordância com a posição do Ethevaldo Siqueira num painel da CBN – fiz o comentário para o Pedro Dória que participava diretamente da California. Ele leu a minha tuitada no ar: “O Volney está acompanhando o debate e pelo twitter ele escreve que é impossível segurar o estouro da boiada”. Ou seja, há um caos em andamento, fruto da liberdade e da força do indivíduo que ninguém vai conseguir controlar – seja por mando, ameaça, opressão, ou mesmo agressão física.

Essa conexão dos indivíduos alimentado por suas causas, é poderosíssima. E não tem como segurar.

Shirky utiliza a reação feminista em um dos condados da Índia, que ficou mais conhecido como The Pink Chaddi Campaign. Foi a resposta das mulheres numa sociedade que sabemos tem seu peso cultural e religioso que não reconhece igualdades – onde prevalece ainda hoje o sistema de castas e a forte preponderância do papel do homem.

Comandados por um extremista religioso de nome Sri Ram Sena, fanáticos invadiam bares e locais públicos onde as mulheres estivessem – mesmo as acompanhadas – e as aterrorizavam com ataques físicos, agressões e violência. Chegavam a expulsá-las dos bares e locais públicos onde elas se encontravam. Essa hostilização bárbara foi contida pela ação de redes sociais.

Tudo começou quando uma jovem abre um blog e levanta a bandeira da campanha denominada Calcinha Rosa. Logo de início conquistou mais de 44 mil adeptos – entre homens e mulheres, que se engajaram em apoiar as mulheres mais liberais (para os padrões da Índia a referência é ‘ser livre e de vanguarda’). Sabendo que tal atitude iria contra o pensamento dos líderes religiosos extremados.

Nisha Susan liderou um movimento de libertação

Para demonstrar sua força, o chamada Consortium of Pub-going, Loose and Foward Women realizou uma manifestação à distância, enviando milhares de calcinhas rosa para o endereço de Sri Ram Sena – daí o nome Pink Chaddi. “Compre as mais baratas, tire foto do pacote com o destinatário em destaque, e vamos divulgar nosso ativismo” é o resumo de uma das iniciativas que ganharam o noticiário regional e do país. E em seguida o mundo.

Ao final da convocação a líder da campanha, Nisha Susan faz mais dois apelos. O primeiro era para não ficar discriminando cor – outras cores além do rosa seriam igualmente aceitas. E o segundo, que os homens poderiam participar também do esforço de envio pelo correio.

Outras ilustrações vieram em sua fala, e você pode assistir ao vídeo inteiro aqui. Fiz uma rápida apresentação dele, e em seguida pode-se acompanhar sua fala já com a tradução simultânea por cima.

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CIRS em Curitiba

A CIRS aconteceu junto com a CICI 2010

CIRS em Curitiba

Debaixo do grande evento Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI 2010) que está terminando hoje em Curitiba, acontece a CIRS que conta com a mobilização nuclear via Escola de Redes. Trata-se da Conferência Internacional de Redes Sociais, contando com a participação entre outros de Clay Shirky, Steven Johnson, Pierre Lévy, José Pacheco, Augusto de Franco. A articulação dos membros da Escola de Redes foi vital para dar peso extra aos eventos e ao seu ambiente.

A minha presença aqui foi mais do que oportuna no sentido de respirar os temas que abracei: o impacto da internet e das tecnologias na Sociedade; o significado, alcance e fundamentos da organização de pessoas em redes (digitais ou não); e a inovação e o sentido mais abrangente (que alcança os três setores da economia).

A cidade como campo da Inovação

Muito se tem falado sobre Curitiba – principalmente pelos resultados de um plano inovador desenvolvido muito fortemente por Jaime Lerner. By the way, ele é um dos dois únicos brasileiros que esteve falando no TED. A cidade ainda hoje mantém as heranças de duas décadas atrás de iniciativas inovadoras. E tem se mantido nesse espírito. O documento mestre Curitiba Cidade Inovadora 2030 é uma obra digna de estudo e serve como referência para que administradores públicos e legisladores embarquem neste trem. O documento Curitiba 2030 – a que me refiro foi distribuido pelo SESI – SENAI com iniciativa da FIEP.

Tudo portanto, casa para que haja uma renovação de brasilidade – principalmente com relação à esperança de mudanças e progresso (no bom sentido). A inovação pode e deve ser utilizada em prol dos cidadãos. Se a empresa deve faze-la para seu próprio bem (sobrevivência) e de seu mercado (consumidores e clientes), o poder público deve se voltar para a população oferecendo sempre a re-invenção do espaço urbano: e daí uma cidade que se inova.

Ao participar dos dois eventos (o intercâmbio foi bônus de última hora), manter as conexões acesas, fazer os contatos internacionais e ainda encontrar tempo para reflexão – foram formas de me manter renovado. Compartilho nos próximos posts algumas das contribuições trazidas pelos preletores.

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Nativos Digitais 2

 

As crianças nadam no mundo real e digital

 

Para se entender os Nativos Digitais e compreender o impacto que os membros dessa nova geração ocasionarão na sociedade, bem como o significado de seus novos comportamentos — a forma como se influenciam mutuamente e os principais aspectos das mudanças que promoverão — é necessário ir além da observação. A descrição do novo repertório de hábitos e comportamentos, a hierarquia de seus interesses e gostos, os percentuais que os dividem em categorias e grupos – e toda e qualquer análise isolada é um exercício meramente estéril.

E mais. Qualquer ação que tente moldar, conter, direcionar, limitar, influenciar, organizar e até mesmo mandar ou controlar os mais jovens, sem o entendimento dos aspectos sociológicos e da formação cultural vigente, é esforço vão e irresponsável. Diria que tentar influenciar e cooperar será até possível – mas há pressupostos a serem abraçados.

Para entender o jovem, a criança e a sociedade que se transforma (e que já traz em seu bojo implicações reais), é vital que entendamos os novos contextos sociais permeados pelo uso inovador da tecnologia. Hoje, e nos anos a seguir essas forças estão diretamente vinculadas ao micro e ao macro cosmos das Redes Sociais. E tem ligação direta com a ruptura ou a queda de barreiras que antes controlavam, desestimulavam ou preveniam que articulações informais acontecessem. Fossem elas — as formações desses grupos sociais ou comunidades de interesse e prática — normais do ponto de vista do status quo ou contestadoras (sejam elas esquisitas, caóticas ou que representem minorias de pensamento e ação). No passado eram impossíveis de nascer. Hoje não mais!

Falar em Nativos Digitais, Geração Y e Z, Net Gen, os digitalitos, ou os ‘cuti-cuti’ da Web, de maneira relevante e pertinente, nos obriga a termos uma visão sistêmica do novo mundo que é regido por novas forças sociais que se perpetuam e se fortalecem dentro desta estrutura digital.

Falar de maneira responsável a respeito dos Nativos Digitais, nos obriga a sermos partes inclusivas e ativas desse novo mundo, aprendendo a ‘nadar’ numa sociedade que não mais é sólida e sim líquida – utilizando a analogia baummaniana. Não há outra lição de casa ou dever de responsabilidade. Temos que ser – nós mesmos – parte integrante e efetiva desse novo mundo. Ou seja: a chamada é para fazermos a revolução junto com eles!

Não levar em conta o processo e a estrutura que se traduz como causa anterior é perder o bonde da história. E assim alijar-se de um dos mais fantásticos e desafiadores períodos de toda a história da humanidade.

Eu estou nessa. E você?

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