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Quem sou eu?

Auto retrato como exercício de reflexão

Antecipo que não sou Psicólogo. Mas a pergunta título reside debaixo de diferentes disciplinas, afora a Psicologia. Abrange também a Filosofia, a Sociologia, a Teologia e – por que não o bom senso.

Saber quem eu sou – no sentido de entender e definir o meu próprio ser, é ponto fundamental da existência de qualquer ser humano. “Conheça-te a ti mesmo” vaticinava Sócrates a partir do saber e do conhecer, sem imaginar que incorporaríamos (milênios depois) o processo do descobrimento à Psicologia.

Desvendar-se para si e para o mundo tornou-se vital no mundo de hoje. A começar pela carreira profissional. Como fazer o seu Marketing Pessoal se a lição de casa está incompleta? Como se apresentar bem, ‘se vender’ diante de uma entrevista de emprego, sem uma noção clara do seu ‘eu’?

Marcus Buckingham e outros estudiosos tem levantado a bandeira da descoberta pessoal dos pontos fortes. Enfatiza esse autor, que serão seus pontos fortes que o levarão a algum lugar. Menospreza radicalmente o aprimoramento de pontos fracos – ausência de perfil e traços claros que rivalizam o que sou de fato. Neles (pontos fracos) nada se construirá. Insiste em atuar com os pontos fortes que o destacam e o caracterizam como potencial profissional e talento individual.

Faz parte desse processo de descoberta, mecanismos que nos ajudam a olhar para dentro. Tenho recomendado a milhares de participantes de minhas palestras e oficinas, a adquirirem o livro Descubra Seus Pontos Fortes (Clifton e Buckingham – Editora Sextante), pois como brinde o leitor tem direito a um teste individual que fornece 5 áreas temas que são dominantes na definição de seus talentos. Faz parte de um trabalho muito pormenorizado feito pela equipe do Instituto Gullap tendo à frente Dr. Clifton – co-autor da obra.

Faz também parte do processo a reflexão. Olhar para si, para suas realizações e conquistas, seus impedimentos e falhas, suas próprias limitações, seus gostos e interesses. Mas isso tem que ser um olhar ‘hard’ e não ‘soft’. Ou seja – se isso é importante, tem que se gastar tempo. Dedicação e exclusividade para si, isolando-se da agitação e de outras pessoas.

Faz também parte desse processo – porém com peso menor – ouvir as outras pessoas. Focando de maneira bem seletiva, aquelas que lhe querem bem e são sinceras.

Mas no fundo, creio que o ponto crucial é convencer-se. Olhar no espelho e dizer para si: “Ok! chegou a hora. Vamos ver direitinho quem é você que olha desse jeito!”

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Toda a boa prática será castigada – 4

Mea culpa, mea minha máxima culpa.

Como não poderia deixar de ser eu também pratiquei e dela me fiz valer como especialista e mágico. Sim mais uma das sensacionais práticas a adentrar as portas do mundo corporativo e ser adotada em grande estilo vem a ser a metodologia. É claro que se temos um composto de procedimentos, com passos claros e se podemos categorizar, hierarquizar e estabelecer cronologia – certamente pode ser empacotado em um método. E era assim que eu justificava cursos, programas e (pasmem!) metodologias a serem implantadas – e sabe onde? Em sua empresa, dileto leitor!

Apesar de feito até recentemente, em boa fé – diga-se de passagem – no fundo estávamos todos: os professores, consultores, estudiosos, estrategistas e especialistas, levando a empresa mais depressa para sua paralisia e esquizofrenia. Sim a empresa moderna que recebe uma metodologia e dela faz uso se desliga por completo da realidade que a cerca, enfatiza o processo acima do resultado, valoriza o sistema ao invés dos componentes humanos, e se perde focando nas experiência passadas.

Há vida inteligente tanto nas equipes de atendimento, vendas, marketing, qualidade, operação … Escolha mais algumas. E há vida inteligente (e complexa) naqueles a quem devemos servir. Impossível então querer comprimir num conjunto simplório e estúpido de regrinhas a serem seguidas como se tudo como mágica se encaixasse (e se limitasse) no A4. Há mais exceções do que as instruções contidas nas regras. Há mais do inesperado e futuro do que aquilo que já vimos e compilamos do passado.

E mais do que nunca – é preferível preparar o indivíduo ou a equipe – para atender com alma, do que descrever comportamentos a serem incorporados como se fossem um segundo espírito. Há longo que nos explicaram que cada um é cada um!

O improviso ganha destaque incálculavel se revestido de autenticidade e genuíno interesse por servir e fazer direito. A maestria no seu ramo, no seu métier, na sua profissão, vale muito mais do que mil manuais de métodos e procedimentos.Ser fluente no conjunto de atividades que compõem uma rotina abrangente é infinitamente mais eficaz que a síntese de todos os registros de ações recomendadas.

Há que se valorizar o ser humano, sua complexidade e capacidade. Há que se focar acima de tudo em talentos. Se todos nós temos pontos fortes, e se nos distinguimos como pessoas pela capacidade de raciocínio e múltiplas inteligências, então está na hora de confiar no certo e abandonar o errado. A nosso favor está a inovação que nos ensina que as possibilidades não se esgotaram, que ainda podemos usar diferentes alternativas, e que o mundo é da abundância e não da escassez. Então paremos de ler, e sigamos o nosso talento pessoal.

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Toda boa prática será castigada – 3

Cenoura & Chicote - Consultores de Incentivo (copyright)

A bola da vez dos próximos anos certamente será a ‘boa prática’ da motivação. Como sabemos, os funcionários são ‘peça’ chave no dia a dia empresarial. É importante que eles estejam sempre bem animados e dispostos a superar desafios e alcançar metas de produção e vendas. Para tanto é importante o uso de ‘cenouras e chicotes’ – se o funcionário atua além do que se imagina, cenouras. Se ficar na mesma, nada. Se ficar abaixo do esperado, chicote.

O grande problema aí – e os teóricos da administração até hoje ainda não rechaçaram de vez com essa analogia, é que não somos burros nem cavalos – somos pessoas. E pessoas tem uma complexidade um pouco superior a desses animais.

Em “O Andar do Bêbado” de Leonard Mlodinow – o autor cita que muitas vezes ficamos enraizado com o modelo mental errado, por não entendermos de forma sistêmica as múltiplas implicações que causam desvios e ajustes em comportamentos. Nos conta ele, que estatisticamente a tendência de melhora de comportamento imediatamente após a ocorrência de uma falha, é quase que absoluta. O chefe que dá uma bronca em seu subordinado logo após um deslize crê – sem sombra de dúvida – que a melhora seguinte se dá por conta de sua iniciativa, e pouco sobra ao funcionário de mérito. Exemplifica esse argumento ilustrando que um piloto de avião ao realizar uma péssima aterrisagem, recebe de seu comandante uma severa advertência verbal. Independente da bronca citada, é mais do que certo que sua próxima ocorrência será excepcionalmente melhor. Isso é atribuído a uma série de fatores: o susto em si, o desafio interno, a vergonha dos colegas, o cuidado adicional, e assim vai. Com bronca ou sem bronca, a tendência inexorável é de melhora.

Outro autor que nos alerta para o erro de se aplicar premiações como se isso reforçasse de fato a melhoria no comportamento é Daniel Pink. Em Motivação 3.0, ele destrói por completo a crença errada de que a motivação esteja atrelada à campanhas de incentivo. Há poucas chances de uma melhora efetiva ou mesmo de se suplantar metas com o uso da técnica do “se-então”. O autor demonstra de forma cabal que o fator chave que impulsiona dedicação a comportamentos complexos do trabalhador de hoje, é diametralmente oposto ao fator das chamadas atividades mecânicas e rotineiras do passado. E nada, a não ser o chamado ‘motor interior’ (drive), é que impulsionará compromisso e esmero.

O autor Alfie Kohn alertava sobre a falácia desse modelo

Hoje temos à disposição farta literatura que nos alerta para abandonarmos esse tipo de prática nefasta que permeia a maioria de nossas organizações. Também como uma panacéia a criação de campanhas de incentivo são no fundo um tiro no pé. Não aprofundam o compromisso, reiteram atitudes superficiais, acostumam mal os integrantes da equipe, e geram um cuidado extra e desviante para o processo em si do que para o fim a que se propõe. Ao final, muita espuma e pouco chope. E quem paga o pato (ou as cenouras) é a empresa e sua liderança voltada para o passado.

Esta é mais uma ‘boa prática’ a nos punir.

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