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Uma Palavra aos Adultos de Hoje

Creio que como você, eu também sou bem resolvido quanto ao meu passado e tempos de juventude. O que vou compartilhar a seguir tem muito de uma palavra gestada na visão de futuro, estudos geracionais e um profundo mergulho no mundo digital. Então, não leve para o lado pessoal. Apesar de toda essa minha fidalguia, antecipo que você vai ter que se mexer. E rápido. Você está atrasado.

Minhas recomendações a você adulto:

1. De nada adianta detonar o mundo moderno. Sim, as excepcionais novidades trazem um enorme cardápio de futilidades e um potencial nocivo nunca vistos antes. Mas acenda uma luz, e não amaldiçoe o mundo de seus filhos e netos.

2. Não me venha com essa que você já participa do meio digital. Você acessa o Facebook com cabeça de velho e mentalidade do século passado. Desamarre esse modelo, e divirta-se. Faça da mídia social um processo de aprendizagem. Largue a mão de joguinhos, fazendas e que tais. Instrua-se. Siga os bons – aqueles que apresentam conteúdo e tem algo a contribuir.

3. Seja tardio para reagir, e precoce para buscar uma lição. Veja o todo – a floresta – e deixe a árvore de lado.

4. Não proíba. Não tente segurar. Compare o mundo moderno com o pensamento. Assim como não se controla pensamento, não se controla o jovem nas suas conexões. Há infinitos caminhos até o próximo protocolo de internet. E quanto mais você forçar a barra, mas longe de você seu filho e aqueles que você tenta controlar estarão.

5. Seja humilde, seja paciente, seja dedicado. Aprenda, acompanhe, esteja presente. O que seus filhos precisam é de mais ombro a ombro, e menos dedo em riste. Ah – saiba que isso é coisa do século XIX (dezenove).

6. Seja aberto, seja curioso. Veja que está bem ligadão na web e que tenha assim a mesma idade que você. Que tal se ligar nele, e pedir dicas?

7.  Pesquise. Aprenda como se pesquisa na própria web. Acesse a wikipedia e outras comunidades colaborativas. De vez em quando – e de vez em sempre – entre na internet para fazer a SUA lição de casa.

Sem duvida há mais que falar. mas por hoje é só. Vai rolar um programa na TV RIT – no VEJAM SÓ – e vou ter que dar uma de despertador. Para você não – para quem está dormindo.

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Um Olhar Atento na Organização

Os muros que separam iguais devem ser derrubados – literalmente!

Ao finalizar com mais um post esta mini série sobre Gary Hamel, compartilho três insights complementares que nos motivam a compreender mais de sua posição e a adentrar em seus escritos.

Creio que o grande ponto – a questão nuclear que se enfatiza e que pode se tornar a grande epifania de empresários, executivos e líderes – reside na chamada por transformação das organizações para se tornarem centradas na pessoa. Essa aparente obviedade contém muito mais verdade que uma mente que digere rápido pode aguentar. É algo muito profundo e com inúmeras implicações. Somos pegos na armadilha do ‘me engana que eu gosto’.

Definitivamente essa verdade é fortemente desprezada, comumente falseada, amplamente desvirtuada. Todo o peso centenário de modelos mentais que levaram a organização a ser burocrática, centrada em processo, mecanicista e cartesiana, fazem do desafio humano uma empreitada mais do que hercúlea – quase impossível, quase utópica. Humanizar a organização moderna estará no topo da prioridade nas agendas de líderes de sucesso.

Eu diria que essa é a missão da vida de Gary Hamel – sua mais importante bandeira.

A sua empresa precisa ser mais humana e totalmente adequada para as pessoas – se quiser sobreviver nos anos à frente.

O segundo ponto que nos chama atenção em seus escritos e discursos é que devemos derrubar os muros do Apartheid criativo e intelectual. O mundo de hoje é feito de ideias – e isso não é privilégio de uns poucos. A inovação, a criatividade, os múltiplos insights podem e devem vir dos colaboradores de todos os níveis. E devemos abrir a empresa para tal.

De novo aqui parece ser simples. Mas não é. Imediatamente respondemos: “Mas já temos caixinha de sugestão” – e outras respostas tolas do tipo. Há um distanciamente monstruoso entre quem tem a palavra, entre quem pode ser ouvido, e até em quem finalmente pode decidir. Aprendemos e aplicamos a hierarquia, a distribuição de funções, a burocracia rígida exatamente para dizer: aqui somos adultos, e lá estão as crianças. Essa divisão que certamente existe na sua Organização está enraizada da planta do pé até os fios dos cabelos. Esses muros devem ser derrubados – e já!

E por final o último argumento que traz uma luz definitiva para o futuro, refere-se ao que Hamel chama de Geração Facebook. Há muito venho escrevendo e palestrando a respeito dos Nativos Digitais – e definitivamente esse é um assunto que toda e qualquer empresa tem se debruçado. As demonstrações de que há um novo ser no ambiente empresarial são sentidas na prática. Sabemos que eles pensam bem diferente das nossas gerações (que hoje estão no comando – gestores e executivos com idade acima de 35 anos). Não é só a pegada digital que traz mudanças – há muito a se entender. Por isso que eu mesmo tenho enfatizado que não se trata de uma questão tecnológica e sim sociológica.

Neste cenário cada vez mais complexo somos chamados a transformar as nossas empresas. Permita- me ser bem franco: se você não está com um frio na barriga, muito provavel você ainda está vivendo no século XX.

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Como desatar um falso nó (2)

Pode levar tempo, mas o falso um dia é desmascarado

Sabemos que é impossível criar uma doutrina de abordagem relevante e equilibrada do tema das Gerações, simplesmente pelo pinçar de textos de autores estrangeiros. Estes bem podem ser especialistas em suas culturas e no entendimento de suas gentes – diferentes grupos etários, diferentes tribos, influências e influenciadores … Mas isso serve para a realidade deles. Daí que pergunto:

E a nossa realidade?

Está aí o verdadeiro nó! O nó falso é a transferência pura e simples de conceitos estrangeiros! Como se não fossemos uma outra cultura, uma outra sociedade. O nosso caldeirão produz uma sopa exclusiva – diferente e singular. Há que respeitar esse caldo.

Para a nossa realidade, devemos utilizar de um ferramental sociólogico (que até pode ser semelhante ao dos estudiosos estrangeiros), mas que deve ser aplicado e analisado de acordo com nossa realidade, nossos dados, nossa população, nossas características!

O nó falso é o nó das letras, o nó dos termos americanos (em Inglês ou americanizado). Não tivemos uma explosão demográfica nos anos 1940 do pós guerra, nem nos anos 1950. A nossa pirâmide de faixa etária manteve-se numa ampliação da base até o fechamento do milênio. Agora, somente em 2010, com os resultados trazidos pelo Censo do IBGE é que finalmente podemos visualizar um fechamento na base dessa pirâmide, transformando-a mais para balão chinês. A transformação gráfica seria de algo assim: /\ – no final dos anos 1990 para 2000, para algo assim: ( ) já agora em 2010.

Desatar esse falso nó que se enraiza em diferentes setores, e é semeado diariamente – pode levar tempo. Mas certamente um dia ele vai ceder. Conto com os brasileiros de boa fé para que juntos, atuemos na desmistificação de uma mentira que não serve para a realidade brasileira.

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Perguntas Incômodas no Tema Gerações

Este post é uma auto crítica no tocante ao tema das Gerações. Pode ter um tom de desabafo, mas antecipo que estou me contendo e focando no ‘mea culpa’.

Utilizei no passado recente, as divisões das gerações (em apresentações sobre os nativos digitais) rezando pela cartilha americana. Errei, confesso e peço desculpas. E agora me apresso para discutir e oferecer alternativas para tal.

Me sinto hoje, na obrigação de ser uma voz discordante com relação ao senso comum que domina em terras brasilis o tema em questão. Há muita gente que se diz especialista em Gerações, Geração Y, Nativos Digitais – mas que está prestando um desserviço ao mercado. Há inúmeros asteriscos a serem colocados em nossos slides. E já comecei a esclarecer fazendo pequenas mudanças em meus arquivos de power point.

Vou elencar alguns erros (os quais abandonei) que estragam a seriedade que o tema exige.

1. Por que usar o termo Babyboomer para definir uma geração brasileira que não tem paralelo algum com a americana? Esse fenômeno foi americano e ao pós guerra. Tinha a ver com a forte urbanização que se instalava em muitas cidades dos Estados Unidos.

2. Será que o ‘ano de corte’ é mesmo 1946 e 1964? Em que base podemos afirmar isso?

3. Os Y’s – geração Y – tem a data de corte em que ano? Em que base? Já podemos ‘fechar’ esse grupo?

4. Como considerar a inauguração da verdadeira geração digital para o Brasil – levando-se em conta que há muita desigualdade social e limitações para a imersão e a inclusão de considerável parcela da população?

5. Existe uma Geração X no Brasil – na mesma base que a americana? Igualzinha – sem tirar nem por?

6. Você sabia que essas divisões de geração (nomes e anos) não são aceitas pelos europeus?

A discussão está iniciada. Nos próximos posts compartilho algumas das conclusões que estão se cristalizando. Mas estou aberto. Faça e deixe um comentário para que a conversa se enriqueça.

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Evento Vivo Educação

Encerramento do Painel no 2o Seminário Vivo Educação e Rede

Participantes do painel final sobre aprendizado, Jay Cross, Luis Algarra, Paul Pangaro e seu blogueiro preferido.

A grande pergunta que ficou no ar e que tentamos focar ao longo de uma hora e meia: “Qual o papel do professor diante de tantas transformações?” O que está em jogo é que o processo da Educação passou do ensino para o aprendizado, e aí temos a demanda por uma nova função para os professores. Um desafio para todos que atuam direta ou indiretamente na Educação. Inclusive para os pais. E por que não: para os alunos, também?

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Uma eleição diferente

2010 - ano de eleições gerais

Sou obrigado a me antecipar a respeito dos desdobramentos das eleições deste ano. E para variar tem a ver com os Nativos Digitais.

Li no Valor de hoje, matéria especial sobre as eleições, que traz alguns números que ajudam a esclarecer como será o embate em 2010. Não contente com os gráficos, fui até o IBGE e conferi as projeções disponíveis (achei inclusive um erro em uma das tabelas e já avisei os meninos de Brasília). Vamos ao que interessa então:

Total de eleitores projetados para 2010: 133 milhões

Percentual de eleitores na faixa de 16 a 24 anos*: 21% – ou em números absolutos: 28 milhões (!)

O que me leva à seguinte observação: “Nunca antes na história deste país uma eleição dependerá tanto da internet.” E mais: “Os nativos digitais serão o fiel da balança.”

* Diferentemente do jornal que trazia 18% (uma queda de 3 pontos comparando-se com o ano de 2000 – percebi que havia algo errado pois a população jovem ainda tem crescimento representativo. As tabelas do IBGE confirmaram portanto o percentual por mim estimado).

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Aprofundando o entendimento

Professor Aart esteve no Brasil realizando pesquisas adicionais

O tema das gerações – qualificando as diferenças e definindo diferentes nuances entre grupos etários – é tarefa de folego. Exige estudo, pesquisa, referências e não raramente o envolvimento colaborativo. E não amadurece da noite para o dia. Consome tempo, pois é processo que demanda dedicação.

Recentemente estive num evento promovido pelo Grupo Foco, onde sua presidente Eline Kullock apresentou um panorama equilibrado e bem fundamentado sobre a Geração Y. Aqui no Brasil, Eline é uma das poucas vozes confiáveis quando se trata de explicar a que vieram esses jovens que agora entram no mercado de trabalho. Na própria Web – via blogs e no twitter – acompanho suas postagens. São consistentes e relevantes.

Não foi a toa que em pesquisa realizada pelo professor Aart Bontekoning, todos os links qualificados apontavam para a pessoa da Eline. O professor Aart é conceituado estudioso das Gerações – e desejoso de aprofundar suas pesquisas veio ao Brasil para entender na nossa cultura as peculiaridades de cada grupo. Num convite especial, estive na sede do Grupo Foco para conhecer o professor Aart e conversar sobre esse tema que me é prioridade.

É nesse esforço e contando com o apoio amigo que aprofundamos o entendimento dessas questões.

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