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Manifestações – haverá continuação?

ImageA seguir a íntegra da minha postagem no FB, uma vez que houve boa repercussão, e é um texto mais reflexivo, portanto mais adequado de estar aqui. Carece de links, mas no primeiro desdobramento (se houver? Haverá!).
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A mídia em geral dá neste domingo grande atenção para as manifestações que ocorreram nos últimos dias em diferentes cidades do país. Vou tentar jogar um pouco de luz a esses eventos.

1. As manifestações que tem acontecido no mundo inteiro há mais de um ano e meio, não tardaria a chegar no Brasil. Em grande parte conduzidas por jovens de uma nova geração. Apesar dos distintos contextos de cada país, cultura e situação política, elas trazem características bem semelhantes.

2. Essa situação comum é identificada pela crescente indignação que toma conta das pessoas, ao perceberem a impotência dos poderosos assentados em suas instituições. Eles tem poder, mas elas – instituições são lentas, crescentemente imperfeitas, e sugam o mundo exterior para sobreviver. E desde pequenino se aprende que a solução está no respeito a essas instituições. E que para melhorar leva-se muito tempo.

3. No espectro da juventude, a dissonância do que veem e do que sentem é grande, promovendo no campo individual uma crescente indignação. Mesmo incubada e não manifesta, ela está lá. Passiva mas esta lá. Não entendem o por que da demora, da incompetência, da sem vergonhice. Não entendem como ser passivo diante da corrupção, da ladroagem. Assim fomos nós também em décadas passadas – o detalhe é que na essência há hoje um mundo diferente.

4. O sangue está na fervura. As notícias potencializam o mau cheiro. Posts do cidadão comum – em blogs ou no FB, memes, videos, e comentários ajudam a espalhá-lo. O estado das coisas é de impaciência e intolerância. Basta pouco para provocar dentro da indignação de cada um, uma reação.

5. Os 0,20 é o pretexto inicial, mas o propósito é maior. A fervura do sangue indignado pede uma válvula de escape. “Preciso soltar a minha voz” diz o jovem. Estarei presente na Paulista, na rua, na praça. Vamos ocupar São Paulo, Rio, Brasília. Daí que sabemos sim o que deu inicio, mas não sabemos o que faz o movimento continuar. Há uma multitude de propósitos e razões.

6. Por ser aberto permite a participação. Por ter um objetivo maior: “protestar, se manifestar, soltar a voz” a identificação é automática. Daí com toda essa facilidade é natural que o movimento ganhe corpo. Essa oportunidade acontece na individualização. Cada um tem um motivo, mas o meu motivo se soma ao seu motivo. Ao final teremos um ‘motivão’. Isto basta para sairmos à rua.

7. Não há lideres nos movimento. E é isso que faz ele crescer. Se imitar a instituição, o movimento imediatamente perderá força. Enquanto forte, ele é aberto à participação, auto-organizado e auto coordenado. O movimento sai às ruas. E é nesse evento que temos o rito da passagem (sem trocadilho) representado pelo local. “Eu tenho que estar lá!” o jovem conclui. A praça – ou a Avenida Paulista – é o clímax a dar concretude à ação. “Me tornei um ativista de verdade.”

8. Daí vem a Mídia e a Polícia. Entram em cena dois coadjuvantes poderosos porém totalmente rendidos à situação. Não conseguem definir pró ativamente seus papéis e se perdem diante de um fato novo. É claro que a Polícia sabe lidar com distúrbios. É claro que a Mídia adora cobrir eventos sensacionais. No entanto há uma armadilha aí a enredar ambos (e porque não incluir aqui os pais dos manifestantes tentando acompanhar à distância?). Nesse ambiente não haverá neutralidade. Pouco importa o que acontece na periferia da manifestação. Ou melhor pouco importaria. O que vale é o núcleo rompedor que não reconhece como justas e válidas as regras vigentes, seja de participação política ou de transformação institucional.

9. Se no início estavam passivos (Mídia e Polícia), agora entram como cúmplices de algo maior. A ação de reprimir fermenta a massa, gera espetacularização, e fortalece tanto a narrativa em tempo real – como traz histórias tragicamente fantásticas (policial quase linchado, jornalista flagrada após ferimento no olho – por exemplo). Não há mais periferia. Tudo é um só centro, mesmo espalhado e disperso.

10. Os eventos sucedâneos vem para enriquecer a viralização do movimento. A ‘jaborização’ é seguida por um desdobramento de respostas meméticas, quer em foto montagens, videos editados e manifestos individuais. Opa voltamos a ele – o individuo, tem voz, e quer usá-la para soltar sua indignação diante de um mundo desgastado com suas instituições moribundas.

Por essas razões entendo que o movimento continuará a crescer.

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Desafios do momento

Creio que quando esse cara fala, é melhor deixar as palavras assentarem.

The dogmas of the quiet past are inadequate to the stormy present. The occasion is pilled high with difficulty, and we must rise with the occasion. As our case is new, so we must think anew and act anew. We must disenthrall ourselves, and then we shall save our country. – Abraham Lincoln – 1862

Traduzindo:

“Os dogmas do passado tranquilo são inadequados ao presente tempestuoso. A ocasião amontoa-se alto em dificuldades, e nós devemos nos erguer à ocasião. Assim como temos uma nova situação, devemos então pensar com novidades e agir com novidades. Nós devemos nos libertar de nós mesmos, para então salvarmos nosso país” – Abraham Lincoln – 1862

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Somente teremos inovação quando abandonarmos Taylor

Observe a prática vigente nas diferentes organizações hoje e você verá Taylor em ação. As empresas dogmatizaram seus processos e estilos gerenciais debaixo de axiomas elaborados e refinados com base em estudos realizados no século 19. E o desgaste começa a aparecer cerca de 100 anos depois.

Tome por exemplo o cinismo como uma força presente nas equipes e na cadeia hierárquica das empresas. Há de longa data, um esforço de se transformar funcionários em bem comportados executores de ordens e determinações. O que conta são as aparências, a externalidade, e as medições finais de resultados.

Ouço no rádio uma discussão acerca do exame nacional de avaliação de professores. O que é uma prova de conhecimentos senão um aspecto externo? O que você prefere: colocar seu filho na sala de aula de um professor com paixão pela educação ou na de um aprovado descompromissado?

Os aprovados em sua grande maioria são medíocres com um salvo conduto.

Tome por exemplo o estilo gerencial de um trio de bem garantidos ex-banqueiros com sede em ser número um – e não só no Brasil ou na Europa, mas no mundo. Utilizam de métodos semelhantes ao de espremedor de laranjas: eficiência a qualquer custo, e o bagaço razoavelmente bem remunerado. Atenção senhores: a reputação a ser medida não é o bottom line do balanço anual – e sim que tipo de organização se constrói.

Nos próximos anos, seus  milhões de acionistas não vão querer uma empresa que tenha um bom presente e nenhum futuro!

Trocando em miúdos: tocar um negócio só olhando para o dedão do pé, é suicídio! Por mais equilibrado que seu caminhar seja hoje.

Pegue a domesticação da força de trabalho. Estima-se que por ano 1,5 milhão de jovens entrem no mercado de trabalho à busca de seu primeiro emprego. Como enfatiza a presidente do Grupo Foco Eline Kullock em recente palestra no Congresso Febraban de RH: “a geração Y é abduzida pela cultura organizacional e seus chefes”. Esses jovens são forçados a obedecer e silenciosamente se moldar ao mundo dos cubículos, rotinas, em uma busca incansável pelo antigo normal. Domestica-se um potencial talento esvaziando suas mais interessantes qualidades.

O prático naval sobe à cabine de comando de um grande navio cargueiro, inicia as manobras de atracamento, assumindo o posto do capitão. Eis aí a diferença entre seguir a teoria de uma carta de navegação e a intuição apurada de um mestre. Por melhor que seja a sua teoria o improviso (responsável e estruturado) é a única alternativa confiável.

Taylor não garante chegar ao porto em segurança. Nesses dias de caos instalado, novidades à velocidade de segundos, os jovens com novas perspectivas e habilidades, a força das redes sociais, e a criatividade atalhando o sucesso – impossível usar da previsibilidade e planejamento! E mais. A dedicação ao trabalho, o compromisso com a empresa (traduzido por uma responsabilidade sem medidas), e a paixão focada no trabalho – na execução e no além das expectativas –  são forças internas, da alma. Taylor nunca iria se preocupar com isso. Afinal não era a demanda de então.

Hoje o jogo tem novo nome, novas regras e novos talentos.

O dilema que se coloca às empresas hoje é: fazer mais do mesmo, se tornando obsoletas e desnecessárias ou reinventar-se para construir hoje, o amanhã?

Definitivamente só há uma saída: abandonar as práticas tayloristas.

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As Gerações – Preliminar

Este post é uma contribuição como forma de lançarmos luz na discussão do tema As Gerações. É uma tentativa de entendermos de forma mais adequada e própria para a nossa cultura  os grupos populacionais brasileiros. Assim com esta breve pesquisa, nós iniciamos com um ‘teste de águas’. Do total de 73 respondentes, estamos considerando 63 respostas válidas para efeito de definirmos personas que são consideradas influenciadoras ou até mesmo um tipo de role model – se é que assim podemos definir – do l’enfant terrible pós adolescente com um misto de inocência e candura, mas sempre buscando a sua causa para e pela rebelião.

Assim partimos da premissa que a forma de se libertar é através de uma postura contestadora. A saída ou o abandono do padrãozinho familiar e escolar é a estrada em busca de sua própria identidade – como uma jornada para dentro de si e à procura do chamado ‘self’. Eline Kullock do blog Foco em Gerações tem feito um paralelo com a tese de Bonder (encontrada em A Alma Imoral) que a transgressão é a forma que todos nós temos de dar vazão à nossa autenticidade em busca da autonomia. Pode ser assim um dos traços característicos dos grupos geracionais. Daí que essas ditas celebridades eleitas servem como um parâmetro para o estudo em foco (com trocadilho).

De maneira aleatória separei em três grupos distintos – o primeiro de 41 a 61 anos de idade (nascidos entre 69 e 49), o segundo grupo com 31 a 40 anos (nascidos entre 70 e 79) e o terceiro grupo de 16 a 30 anos.

Creio que encontramos um padrão aqui. Mas fique à vontade de participar da análise. Eu inclusive disponibilizo a tabulação dessas 3 questões para que você utilize o Excel como forma de processar e visualizar. Aqui não temos nenhuma pretensão técnica, muito menos científica. É realmente um sentir da temperatura e uma base inicial para a reflexão.

Veja a seguir os resultados:

Guevara, Beatles e Raul Seixas recebem 4 menções

Grupo I

Em que ano você nasceu? Nascidos entre 49 – 69 [23 respostas válidas]

Quando você tinha entre 17 e 19 anos, quem você considerou o maior símbolo de rebeldia?

Che Guevara – 4

Beatles/John Lennon – 4

Raul Seixas – 4

Mutantes/Rita Lee – 3

Rolling Stones/Mick Jagger – 2

Jimmy Hendrix – 2

Janis Joplin – 2

David Bowie – 2

Cazuza – 1

Menções: Olga Benário, Zuzu Angel, Elvis, Jovem Guarda, Geraldo Vandré, Alice Cooper,Simone De Beauvoir, Led Zeppelin, Bob Dylan, Madona, Black Sabath, Lech Waleska, Jonh Travolta, Elis Regina, Greta Garbo, James Dean, Baby do Brasil, Cindy Lauper

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Quem hoje mais representa na atualidade o símbolo da rebeldia?

Amy Winehouse = 5

Lady Gaga = 3

Cazuza = 1

Outras respostas não consideradas

Renato Russo é o mais lembrado, seguidos de Cazuza e Guevara

Grupo II

Em que ano você nasceu? Nascidos entre 71 e 79 [10 respondentes validos]

Quando você tinha entre 17 e 19 anos, quem você considerou o maior símbolo de rebeldia?

Renato Russo – 3

Cazuza – 2

Che Guevara – 2

James Dean, Karl Marx, Roger, Arnaldo Antunes, Kurt Cobain, Marcelo Rubens Paiva, Oasis, Nirvan, Me´talica, Nim Morrison, Janis Joplin

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Quem hoje mais representa na atualidade o símbolo da rebeldia?

Lady Gaga = 1

Amy Winehouse = 1

Caetano Veloso = 1

Outras respostas não consideradas

Cazuza recebe 6 menções seguido por Renato Russo e Mamonas

Grupo III

Em que ano você nasceu? Nascidos entre 80 e 96 [30 respondentes]

Quando você tinha entre 17 e 19 anos, quem você considerou o maior símbolo de rebeldia?

Cazuza – 6

Renato Russo – 4

Mamonas Assassinas – 3

Raul Seixas – 2

João Gordo – 2

Amy Whinehouse – 1

Rock, Jesus, Gandhi, Steven Spielberg, Madona, Mang Beat, Marcelo D2, Tatu, Spice Girls, Edmundo, Agostinho, Slayer, Slipknot, Kurt Cobain, Chriss MacCandless, Dean Morrison, Mano Brown, James Bond, Rita Lee, Voltaire, Sommerset Vaughan, Axil Rose, Janis Joplin,  PCC, Lobão, Bart Simpson, Yu-gi-oh, Chico Buarque, Caetano Velloso

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Quem hoje mais representa na atualidade o símbolo da rebeldia?

Amy Winehouse = 7

Lady Gaga = 5

Jesus = 2

Cazuza = 1

Outras respostas não consideradas

Amy Winehouse é mencionada por todos os grupos como símbolo de rebeldia

Se agruparmos as respostas para Quem hoje representa rebeldia – temos:

Amy Winehouse = 13

Lady Gaga = 9

Cazuza = 2

Jesus = 2

Caetano Veloso = 1


Amy Whinehouse = 13

Lady Gaga = 9

Cazuza = 2

Jesus = 2

Caetano Veloso = 1

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Antes de ser pego de surpresa

A consistência é o último refúgio do inimaginativo

(Oscar Wilde)

De acordo com Nordström e Ridderstrale (os famosos professores suecos de Funky Business), as três principais razões para se manter a hierarquia são: o ambiente estável (1), os processos previsíveis (2) e o resultado dado (3).

Ou seja – exatamente o que não encontramos hoje nas empresas competitivas.

Antes de dar um golpe mortal na hierarquia, e mais uma vez insistir que o Comando e Controle está morto – insisto na busca pelo caminho da inovação. O mundo é plano, assim como a empresa deve ser. Quebre as paredes, elimine os aquários, coloque todo mundo no mesmo refeitório, compartilhe as secretárias (melhor re-configure os atributos), nada de vagas especiais no estacionamento. Lidere pela conquista, pela moral. Conforme a ética hacker, lidere pela reputação. E veja a revolução acontecendo. Antes que você seja pego de surpresa.

A hierarquia é componente vital da burocracia. A burocracia por sua vez, é a mais eficaz iniciativa para transformar homens em máquinas. Engesse a empresa, transforme as pessoas em máquinas, e veja o resultado disso em pleno fim da primeira década do século 21.

Substitua a hierarquia pelo trabalho em time, pela árdua busca de consenso com um misto de tolerância recheado de conflitos e tensões saudáveis. Já não serão mais subordinados, mas pares. E todos os jogadores atuarão dentro do campo. Tudo num espírito de transparência e de combinações prévias. E veja a revolução acontecendo. Antes que você seja pego de surpresa.

Não é verdade que o caos pode ser evitado ou administrado. Na verdade o caos permeia a empresa, a organização e os ambientes. Pilotar no caos é o desafio. E aí vem a demanda de mais um ingrediente chave: o compromisso. Libere para o engajamento individual. Tudo que é endógeno deve ser trabalhado no nível individual – da pessoal. Ou se tem, ou já era. Garanta que seus pares e colaboradores tragam paixão pela execução de um trabalho memorável. E veja a revolução acontecendo. Antes que você seja pego de surpresa.

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