Arquivo da tag: Livro

Yes, nós temos Gerações Brasileiras

hamlet-Sir-Laurence-Olivier

Há algo de podre no reino da Dinamarca. (Hamlet – Shakespeare)

Como foi que aceitamos as denominações americanas para as nossa gerações? E, inocentemente acreditamos em suas descrições pasteurizadas?

A bem da verdade, nossos filhos e os jovens de maneira geral, foram nos surpreendendo com ‘algo de muito diferente’ em seus comportamentos e atitudes. Inicialmente nos maravilhávamos com a destreza e habilidade com que mexiam nos celulares, computadores e redes sociais. Mas no local de trabalho, eles começaram a nos assustar. Inicialmente com suas ambições desmedidas, depois a insatisfação enraizada, para em seguida dar lugar à alta instabilidade.

Tínhamos um novo ser no pedaço. Porém, ávidos por um diagnóstico, aceitávamos a simplicidade dos artigos traduzidos. Vieram então, os especialistas geracionais a nos dar explicações adornadas por estrangeirismos. O problema, diziam eles, era uma letra (Y) ou um tal de Millenial. E nos encheram de platitudes e argumentos circulares. Não demorou para que nossa desconfiança aumentasse. Ficamos céticos diante de conversas inconsistentes.

Os blogueiros especialistas ficaram com a palavra e deixaram de lado o protocolo básico para elaborar uma teoria ou dar um parecer. Desprezaram a Sociologia, que estuda a questão há cerca de dois séculos.

Nestes últimos anos tenho me dedicado e debruçado em pesquisa, análise e reflexão. Praticamente como uma obsessão. Precisamos entender a questão geracional, porém calcada na realidade e contexto brasileiros. Parte de minha motivação é ver, atônito como se tem confundido as coisas com diagnósticos e pareceres errados. Precisamos colocar os pingos nos is para o bem dos nossos filhinhos.

Em breve o texto transformado em livro, sob o título Viva as Gerações Brasileiras será publicado.  Concluo e insisto que devemos deixar de lado as denominações recorrentes (Boomers, X, Y) e buscar o que de fato identifica e dá sentido ao contexto brasileiro.

Enfatizo igualmente que é também necessário separar os fatores desencadeantes de comportamento tipicamente geracional, de outras causas – sejam elas da fase da vida, de fundo cultural ou de um novo vetor sociológico pouco compreendido.

Precisei retroceder nas diferentes eras da história agrupando biografias por coorte de anos de nascimento. Procedi à clivagem de intervalos e de grupos geracionais, alcançando 16 diferentes gerações genuinamente luso-brasileiras. E de geração em geração, pretensiosamente atribuí nomes próprios originais e contextualizados.

Viva as Gerações Brasileiras é portanto uma grande narrativa com foco nas gerações sociológicas, e intenta explicar o povo brasileiro com seus grupos etários, nas diferentes dinâmicas de nossa história. Propõe iniciativas e práticas – seja em postura, atitude, e comportamento – com vistas a ocupar e usufruir o momento  mais que oportuno do presente. E apresenta guias de aprendizado e desenvolvimento tanto pessoal como para o contexto coletivo.

Meu estudo está alicerçado em cinco colunas:

  • A história luso-brasileira – estudando os mais de cinco Séculos de nossa história, trabalhando causas e origens da nossa formação pela perspectiva geracional.
  • O conjunto de 2.700 biografias de protagonistas (ordenados por ano de nascimento) – atrelando órbitas de atuação a caracterizar influência e padrão.
  • O estudo da temática geracional via Ciências Sociais (Comte, Weber, Ferrari, Mannheim, Ortega y Gasset, Julía Marías, Entralgo, e por final Strauss e Howe). Ampliei de igual modo a bibliografia via intérpretes contemporâneos da revolução digital.
  • O uso de arquétipos jungianos tendo em vista uma melhor compreensão de cada persona
  • A minha experiência de trabalho como indivíduo voltado às pessoas, com um olhar especial para os jovens.

Em resumo, destaco três contra argumentos ao que se tem promovido no mercado. O primeiro, ao que chamo de Fator do Milênio – um conjunto de mudanças observado em diferentes contextos, que mascara causas induzindo a erro crasso. Constrói-se falácias e incompreensões, jogando fora a água do banho junto com o bebê. Despreza-se e estigmatiza-se os jovens, eliminando a oportunidade de contribuição que os nativos digitais oferecem. Tal erro não é cometido pelas Startups e por empreendedores que valorizam a inovação

O segundo argumento trata do Bônus Demográfico e sua janela de oportunidade ampliada. Frente à uma conjunção de fatores, o Brasil poderá usufruir de um período de grande produtividade e superávits que gerem avanço econômico e progresso sustentável.

Já o terceiro argumento vem em forma de agenda, dividida para cada geração. É possível obter-se sinergia ao definir pautas de esforços – quer para uma ou múltiplas gerações.

São identificadas 16 gerações, numa abordagem leve e consistente que nos ajuda a compreender o Brasil do presente, e ao mesmo tempo aponta para os desafios do futuro imediato.

As dezesseis gerações identificadas são:

1. Geração Exploradores (1683-1707)
2. Geração Indignados (1708-1730)
3. Geração Iluminados (1731-1752)
4. Geração Realeza (1753-1775)
5. Geração Novo Brasil (1776-1796)
6. Geração Monárquicos (1797-1818)
7. Geração Unificadores (1819-1840)
8. Geração Abolicionistas (1841-1861)
9. Geração Republicanos (1862-1881)
10. Geração Transformadores (1882-1904)
11. Geração Modernidade (1905-1927)
12. Geração Revolucionados (1928-1947)
13. Geração Bossa Nova (1948-1966)
14. Geração Caras Pintadas (1967-1984)
15. Geração Globalizados (1985-2006)
16. Geração Colaborativa (2007-2028)

Hoje convivem entre si seis diferentes gerações. A mais antiga com o escopo de idade de 90 anos para mais. E a mais nova, em formação – no presente com idades entre recém nascidos e 10 anos. Os dados populacionais tem por fonte o IBGE.

Geração Brasileira Idade População
Modernidade (1905-1927) 90 + 677.749
Revolucionados (1928-1947) 70 a 89 11.302.200
Bossa Nova (1948-1966) 51 a 69 33.437.791
Caras Pintadas (1967-1984) 33 a 50 53.606.877
Globalizados (1985-2006) 11 a 32 74.194.100
Emergentes** (2007-2028) 0 a 10 35.749.968
208.968.704

A soma das três gerações mais novas, representa o que era o Brasil no ano 2000! É vital portanto que olhemos para os desafios do presente e do futuro, prioritariamente com os olhos nos mais jovens.

Há muito a questão geracional comparece às nossas conversas, nossas postagens, comentários e  grupos. É  destaque na Mídia. É uma preocupação empresarial, principalmente na agenda dos Recursos Humanos. Os políticos e os governantes estão atentos. As escolas e professores disfarçam suas angústias. Os pais perdem o sono.

Há sem dúvida algo de bem diferente nas gerações mais novas a causar estranheza.

“Que amanhã vou deixar para meus filhos?” é uma pergunta errada. Esse amanhã já está razoavelmente delineado. Pela primeira vez na história da  humanidade, há um conjunto de inovações que, ao utilizar da tecnologia e debaixo do tremendo avanço científico, redefinirá o mundo de maneira radical e exponencial. Essa mudança – uma nova realidade – que chega logo mais, ali na esquina, é inexorável. Já está posta. Favas contadas. Não há como mudá-la.

Já os nosso filhos e netos demandam um preparo especial: exclusivo em forma, e original em conteúdo. Daí que a pergunta mais que adequada e premente é: “Que filhos vou deixar para o amanhã?” Esse é nosso maior e mais destacado desafio.

Não há geração melhor ou mais importante. A interdependência é vital. Sim, no fundo somos todos um só povo. Daí a necessidade de se promover um esforço de compreensão, de diálogos empáticos e de sínteses. Primeiro respeitando nossas características de cultura, sociedade e identidade. E depois enquadrando em nosso contexto, com seus imensos desafios sociais, políticos e econômicos.

Na grande convivência e no potencial de cada geração encontraremos chão comum para um esforço coordenado a gerar sinergia. E assim ao final e ao cabo construiremos um país melhor, uma sociedade melhor, um mundo melhor, um amanhã melhor.

Viva as Gerações Brasileiras!

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Nosso Arco de Vida

Explico em meu livro AS 16 GERAÇÕES BRASILEIRAS – Uma Análise Contemporânea de nossas Eras e Gerações de 1683 a 2028 (a ser lançando ainda no primeiro semestre), o significado de arco de vida. No estudo sociológico das gerações, é importante destacar que a maioria de nós faz uma ponte entre as gerações passadas e futuras. Essa ligação tem a ver com o contato pessoal e nossa convivência – no caso da família por exemplo – com nossos pais e avós e depois com nossos filhos e netos. Geralmente a conta é feita com dois passos para cima e dois para baixo.

Arco de vida portanto é o alcance do contato em vida com as outras gerações. Mede-se desde o nascimento dos avós até o passamento dos netos – estimados com vida média de 80 anos.

Uma ilustração básica está no esquema a seguir (décadas de nascimento):

_______________________________________________________

|                                                                                   200 anos                                                       |

Avós – – – – > Pais – – – – > Individuo – – – – – > Filhos – – – – – – > Netos

1900                   1930                   1960                             1990                        2020 – 2100

Como a estimativa para os netos é de viverem até o próximo século (década iniciada em 2101) o intervalo entre o início da contagem (nascimento dos avós) até o alcance final dos netos é de 200 anos.

Apresentação1

Uma parte do que recebemos e passamos tem a ver com o esquema familiar – daí que desde os tempos bíblicos se falava “de geração em geração” – ou seja experiência, princípios, cultura, ritos, jeitos, enfim o legado era entregue de uma geração para a próxima.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Gerações Brasileiras e Americanas

Sim! Nós temos as nossas gerações. Sim! Podemos chamar de Gerações Brasileiras – e com muito orgulho.

pelé tri

A seguir compartilho o quadro que elaborei para responder à primeira provocação do Decálogo “E Se?” (você pode assistir aqui). A insinuação é a seguinte:

E se não houver geração Y, aquela dos americanos, no contexto brasileiro?

A questão que sempre me intrigou e me fez muito cedo abandonar as divisões estrangeiras de grupos geracionais, é que não colava aquelas diferentes denominações sendo carimbadas por aqui. Mesmo com o advento da globalização, há sempre uma preservação de usos e costumes locais que jamais perdemos e outros estrangeirismos que jamais absorvemos. Um outro ponto é a questão demográfica. Os Estados Unidos experimentaram um grande crescimento populacional na década de 1940 (2a metade – após o fim da guerra) e 1950 – com um grande crescimento urbano. Esse tipo de consolidação populacional, somente veio acontecer no Brasil nas décadas de 1970 e 80. Você se lembra da música da Copa no México de 1970 (“Noventa milhões em ação …”). Somente aí foi que experimentamos o nosso boom de bebês.

Veja no quadro a seguir como buscamos explicar o que realmente é nosso em divisões bem realistas e diferentes:

Slide comparativo

Esses insights e outros que estaremos compartilhando faz parte da conclusão do estudo (transformado em livro) AS 16 GERAÇÕES BRASILEIRAS – Uma Análise Contemporânea de nossas Eras e Gerações – de 1683 a 2028.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

As 16 Gerações Brasileiras

Somos uma geração exclusiva em nosso contexto brasileiroDivulgo em primeira mão de maneira pública o que venho preparando nestes últimos anos, através de um profundo estudo do tema geracional – na Sociologia, na História brasileira (e portuguesa) e nos autores contemporâneos, Meu objetivo maior é lançar luz para que a discussão sobre Gerações tenha o respeito do contexto e das características da nossa Sociedade e Cultura. Assim de antemão rejeito as fórmulas prontas e as denominações traduzidas divulgadas em artigos superficiais.

Para me dar por satisfeito, me debrucei em cerca de 2.000 biografias, estudando as eras da nossa história desde os idos de 1600 até os dias de hoje. Peguei os nossos presidentes, os nossos senadores (desde 1826 em suas 55 legislaturas), e nossas mais diferentes figuras e personalidades (sejam os protagonistas ou os coadjuvantes). Enfim são todos aqueles que ajudaram de maneira clara a fazer o Brasil ser o que foi e o que é hoje.

Busquei os padrões, usei as ferramentas da Sociologia, os estudos específicos sobre o tema geracional. Me debrucei nos autores americanos que mais fundo percorreram na história para trazer a melhor proposta para sua história. E revi, reli, e li as mais importantes obras a explicar o Brasil – pensadores e historiadores.

As conclusões serão publicadas em formato de livro. Quem me acompanha por aqui vai saber em primeira mão as notícias e novidades dessa empreitada. Aos poucos vou revelando algumas dessas conclusões para que participemos de uma conversa mais profícua.

O livro com o título de AS 16 GERAÇÕES BRASILEIRAS – Uma Análise Contemporânea de nossas Eras e Gerações de 1683 a 2028 será lançado ainda neste semestre.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized