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Há sempre o amanhã – Sobre suicídio

PetersonComo futurista social e um estudioso das gerações, me interessa muito a atuação e os pensamentos de Jordan Peterson (foto), autor de 12 Regras para a Vida – Um antídoto para o caos. Vai fazer quase um ano que o sigo. Me interessei por suas palestras sobre Jung, e em especial o que ele fala sobre Mito e Arquétipo. É sabido que ele tem uma pegada muito positiva e interessante com os jovens.

E após os acontecimentos recentes de Kate Spade, Anthony Bourdain e a matéria na Veja da semana retrasada que fala sobre aumento de suicídios entre os jovens (Na Flor da Idade – Veja 2587), quero compartilhar um momento singelo que tem tudo a ver com gerações. E enfatizo aqui a importância de ampliarmos (nós os mais velhos ou experientes) ainda mais o diálogo a respeito das novas gerações. Um alerta: parem de estigmatizar os jovens. Parem de chama-los de Millennnials usando argumentos americanos.

Voltando ao Jordan Peterson – após suas palestras, é comum abrir um tempo para que o público presente faça perguntas e comentários. Neste mês, em Indianópolis (a mesma cidade do famoso circuito oval da Fórmula Indy), ao terminar sua fala, ele recebeu as perguntas online, e ao ler mentalmente uma delas fez uma pausa e em seguida com o semblante transtornado, concordou em ler e responder.

“Planejo tirar minha própria vida, e não vou demorar. Que motivos para não faze-lo? Assinado: Chad.”

Nas pesquisas que fiz e no áudio disponível que ouvi (até o momento não há um vídeo completo desta palestra), o auditório ficou em silêncio total. Dava para ouvir uma mosca. E lá foi o psicólogo, professor da Universidade de Toronto e hoje um dos mais populares intelectuais do Ocidente a responder em  quatro motivos ‘para não faze-lo’ – logo de início ele diz que considera como uma questão hipotética:

Razão número 1 –  As consequências são devastadoras para os que ficam

JP: Pense cuidadosamente sobre as consequências de seu ato na vida de outras pessoas. Na minha clínica tenho atendido pessoas com familiares que cometeram suicídio. Ainda décadas depois eles estão se torturando. Creia-me, você vai dar um golpe em muita gente. E eles não vão se recuperar. Impossível livrá-los disso. Eles estarão presos para sempre.

O problema é que sua imaginação já está projetando essa [saída], e você diz que a vida lhe deprime. Talvez você pense que pessoas mereçam o sofrimento pela miséria que lhe fizeram cair sobre você.

Mas eu diria: pense bem, pense muito cuidadosamente antes de você ir por esse caminho, porque haverá uma devastação de proporções inimagináveis às pessoas que você vai deixar para trás.

Razão número 2 – Você está em dívida consigo mesmo na busca por alternativas viáveis antes de tentar o extremo.

JP: Para algumas pessoas, o antidepressivo funciona. Não é para todo mundo. Não estou prescrevendo uma panaceia, mas eles são bons para dar uma surra no suicídio. Mesmo com seus efeitos colaterais que eles tem –  quase sempre tem – o efeito colateral negativo não é fatal.

Há um monte de razões que faz pessoas se tornarem deprimidas, é um assunto complexo. Mas não abandone a esperança cometendo algo que é conclusivo, antes de você explorar todas as alternativas possíveis.

Se você ainda não falou com um psicólogo, com um psiquiatra, não tentou antidepressivos, se você ainda não esteve num hospital … Você deve explorar toda avenida possível antes de seguir para um passo final.

Você deve a você mesmo, tentar todas as possibilidades.

Um homem sábio com o qual trabalhei – um psicólogo numa prisão de segurança máxima em Edmonton – costumava dizer: “Você sempre pode cometer suicídio amanhã.”

É uma afirmativa petulante, mas ele a fazia de uma maneira muito séria. Com o suicídio, você só decide uma vez. E você pode esquecer. Então eu digo: Esqueça, e veja o que você pode fazer para se achar.

Explore todas as alternativas possíveis. Se você estiver tão sem esperança, que você hoje já tenha um plano suicida, o que é um sinal de perigo – se você já pensou como faze-lo … eu lhe diria pelo amor de Deus, se abra com alguém. Diga pra ele [o que se passa]. Vá a um hospital

Razão 3 – Considere a possibilidade que sua existência tem sentido e que nós como seres humanos, sendo fracos e limitados em entender, temos dificuldade em assimilar.

JP: Considere que sua vida tem valor intrínseco. Apesar de ser difícil enxergar, todos tem algo para servir à humanidade. E esta é uma verdade a considerar.

Razão 4 – A sua vida não lhe pertence como se fora um objeto.

JP: Não tenha certeza de que a vida é simplesmente sua para você tirá-la. Você não a possui como se fosse um objeto. Você tem uma obrigação moral

Você não pode pegar [sua vida] e achar que tem a liberdade de encerrá-la. Não pode porque na verdade isso é errado.

Conclusão – Haverá sempre um amanhã.

JP: Explore todas as alternativas e coloque-se de volta em pé. Há muitas possibilidades de tratamento para depressão, não deixe as pessoas ao seu redor em sofrimento para o resto de suas vidas, não subestime o seu valor diante do mundo, e não pense erroneamente pois o suicídio é errado. Esses são os quatro motivos.

Como acabou essa história? Em um tuíte!

Chad escreveu para Jordan Peterson na mesma noite (já de madrugada):

Chad: Hey Dr. Peterson. É o Chad. Você leu minha pergunta de verdade hoje à noite na palestra. Eu quero que você saiba que você me fez ir por um caminho diferente. É quase certo que irei amanhã me consultar num hospital à noite. Obrigado.

Ao que de pronto Jordan Peterson respondeu: “Estou absolutamente maravilhado em ouvir isso.”

Sim, há sempre um amanhã. E nossos jovens merecem mais do que estigmas pejorativos.

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