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Preparando-me para o Twitter Mix

A bela Bento Gonçalves sediará o Twitter Mix

Tive a honra de ser convidado para o Twitter Mix que acontecerá neste fim de semana. Vou dirigir um painel sobre o tema das Gerações. Como já se sabe tenho levantado uma bandeira pelas Gerações Brasileiras – algo que seja genuinamente nosso como a jaboticaba, o pão de queijo, a caipirinha…

O Twitter Mix é uma iniciativa inteligente e relevante. Reúne contribuintes que abordam temas chaves, abre para discussão, consolida o debate em diferentes mídias, formata o que se pode partilhar e faz repercutir pelas redes sociais. O fruto desse esforço é incalculável. Essa semente se espalha e cresce, germinando a partir do extremo Sul para todos os cantos do Brasil.

Creio firmemente que minha missão vigente é erguer a bandeira de que temos que ser originais na análise das gerações brasileiras, não aceitando estereótipos americanos. Isso ficou expresso em meus posts que se transformaram numa série de artigos (Partes I, II, III, e IV). Nosso pensamento é que precisamos de uma doutrina própria, bem fundamentada, que olhe para a sociedade brasileira e nela se emule os conceitos e as análises de como se dividem as gerações em nossa cultura.

O Twitter Mix é uma proposta de, através da síntese, promover mudanças e transformações. Diante da complexidade, da saturação de informação e da escassez de atenção – transformar a realidade em 140 caracteres.

E para tanto temos que fazer a lição de casa. Ou seja, para se discutir as gerações (ou falar sobre elas) é necessário estabelecer um arcabouço teórico mínimo para que o estudo, o diálogo e a seriedade progridam.

Quando se tem diferentes gerações (grupos nascidos em períodos distintos de cerca de 20 anos de duração) ocupando um mesmo espaço, é sábido que embates sociais acontecem. Estudiosos tem identificado há mais de um século características de uma geração que a diferencia da sua antecessora e da sua sucessora. Ou seja – cada geração tem uma marca, uma personalidade genérica e indelével que se faz perceber ao longo da história. Cada geração expressa isso em valores e com arquétipos próprios.

Para Strauss e Howe (em inglês) – considerados os principais autores americanos  – as gerações podem ser estudadas através da linha da história, identificando em personagens chaves e influentes os representantes da personalidade genérica do grupo. Para tanto eles realizaram seus estudos e análises abrangendo um período anterior à descoberta da América até os dias de hoje. E com isso estabeleceram 24 diferentes tipos de gerações ao longo da história da nação Estadunidense.

No Brasil não há estudos geracionais aprofundados que utilizem de nossa história para identificar períodos e assim caracterizar grupos etários com forte similitude. Há, é verdade um debruçar sociológico sobre grupos de consumo, grupos de teste e experimentos médicos – debaixo da rubrica coorte. Tenho encontrado também textos que traçam paralelos históricos – por exemplo entre o futebol e a nossa história.

Por isso que é possível, utilizando-se de ferramentas sociológicas, identificar os valores e a forma em que se molda a personalidade de grupos etários. Há também entrelaçado o poder político, a liderança e os agentes históricos que definem regimes, gestões, mandatos e leis. Esses líderes e influenciadores, juntamente com seus contemporâneos moldaram a nossa sociedade, forjaram a história e contribuíram para a construção de nossa identidade. Período a período! Geração a geração – de forma própria e singularmente brasileira.

A cultura, a educação formal, a religiosidade, a tradição se apresenta no jeito de ser de um povo, de maneira única e própria. São fatores a moldar a sociedade de um país.

Impossível portanto ao se pretender tratar do tema das Gerações, que não se faça para o caso brasileiro, respeitando os traços que nos identifica como povo. Daí pergunto: seria viável desprezar o futebol, o carnaval, os tumultuados ciclos políticos, os líderes de diferentes domínios (seja religioso ou acadêmico), bem como as nossas diferentes manifestações artísticas e literárias?

O Brasil teve (para citar alguns): Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Castelo Branco, Ari Barroso, Jorge Amado,  Paulo Freire, Oswald de Andrade,  Villa Lobos, Santos Dumont, Helder Câmara, Paulo Machado de Carvalho, Assis Chateaubriand, Roquete Pinto, Roberto Marinho, Julio Mesquita … Estes e tantos outros em maior ou menor graus, fazem parte da construção de nossa história como sociedade. São nomes de passado distante e recente, que se unem aqueles que vivos atuam ou atuaram diretamente a influenciar os destinos da nossa nação. A que geração eles pertencem? À mesma que os norte-americanos?

Creio que não!

Ademais, por causa dos valores de cada época, a sociedade brasileira absorve tipificações de comportamento, procedimentos sociais, rituais familiares e religiosos, incluindo-se também manias, vícios … É assim que somos (e fomos) como povo brasileiro!

Por isso que me rebelo contra aqueles que perpetuam o uso da denominação americana para se referir a um grupo geracional – que aqui no Brasil, em inúmeros aspectos se distancia daquela sociedade. Essas pessoas teimam em manter a superficialidade do estudo. Essa ‘preguiça’ (isso mesmo entre aspas) de se copiar e rapidamente adaptar conceitos e análises, é no mínimo perversa e nociva.

Aqui do nosso lado continuamos estudando e preparando textos originais.

Ao participar do Twitter Mix em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul, nos dias 23 e 24 estarei ao lado das grandes educadoras Sonia Bertochi e Léa Fagundes. Estou honrado de estar perto dessas mulheres ícones da Educação brasileira. Cada uma também terá um painel específico. Ao participarmos do Twitter Mix, estaremos fazendo história num dos mais sérios e importantes eventos a discutir a nossa sociedade e seus desafios, pela ótica do ativismo digital.

O Twitter Mix tem a vantagem de trazer uma contribuição contextualizada e perene. De um lado os temas que nos são importantes e de outro a permanência e repercussão ao longo dos próximos meses. As mídias sociais vão desempenhar papel importantíssimo nisso tudo – por isso que você que me lê ajude a ampliar a conversa e a multiplicar os efeitos positivos!

Haverá também a contribuição de Adão Villaverde (presidente da Assembléia Legislativa daquele estado) e Manuella D’Ávila em painel específico sobre ética. Terei o prazer de ser mediado por Tão Gomes – renomado jornalista e influente personalidade da mídia que conviveu muito de perto com os acontecimentos de nossa história recente.

Debaixo do tema “Nós não temos Geração Y”,  vamos falar de Gerações Brasileiras, da Sociedade Brasileira, da História de nosso povo, e do que nos caracteriza como nação. Fico muito honrado com o mediador de minha fala, um interlocutor altíssimamente gabaritado que certamente vai enriquecer o diálogo e a pertinência do tema.

Os organizadores do Twitter Mix Rute Vera Maria Favero e Luiz Afonso Alencastre Escosteguy são dois visionários e idealistas que se debruçam na construção de um Brasil melhor. Em consonância à seriedade da iniciativa e à importância e relevância desse evento, me sinto pequeno e tremendamente honrado na oportunidade de nossa fala.

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Uma Paródia

Para que não permaneça dúvidas, o vídeo realmente é uma paródia – com as legendas adaptadas para tratar do tema do momento: A Mania por Geração Y.

Fica mais uma contribuição para lançar luz e desafio, com o intuito claro de se discutir o que são as Gerações Brasileiras, em contraponto à uma panacéia generalizada.

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Como desatar um falso nó (4)

É hora de se construir uma doutrina brasileira das Gerações

Esclareço que minha intenção é realmente levar a discussão sobre as Gerações Brasileiras a um outro patamar – digamos uns 4 a 5 níveis acima do que encontramos nas terras brasucas. Isso porque, como tenho enfatizado nas minhas postagens anteriores desta série (parte 1, parte 2, e parte 3) – usar o termo “Geração Y” é um desserviço. Virou panacéia, esconde a superficialidade e gera uma sensação mágica  – porém falsa nos ouvintes e leitores.

As gerações existem, sim elas existem de fato. Com um estudo sério, nós podemos dar forma a ações que vão efetivamente:

  • Auxiliar a integração na Empresa;
  • Aperfeiçoar as atuações em equipe;
  • Minimizar conflitos e embates organizacionais;
  • Fomentar a criatividade e a tensão saudável;
  • Preparar os mais novos de maneira adequada e pertinente;
  • Colocar as vantagens das diferenças etárias a favor dos objetivos operacionais e estratégicos;
  • Promover melhorias e crescimento junto aos colaboradores – independente de suas idades;
  • Levar o país a um salto em Inovação, Tecnologia e Produtividade.

Isso para mencionarmos alguns pontos. Há outros – talvez estes sejam os principais!

No entanto, ao me deparar nestes últimos anos com tanta gente se colocando como especialistas geracionais e despejando conceitos americanos, não trazendo contextualização e sendo nefastos para uma contribuição profunda e séria, conclui que primeiro precisamos sim, desconstruir essa falácia. A começar pelo termo. O termo (não os jovens) – o termo Geração Y está desgastado e ausente de valor próprio. Serve para qualquer coisa – sem dar os por ques, sem dar as fundamentações, e sem colocar a coisa de maneira sistêmica e própria para a nossa realidade – perigas de estarmos rumo a um desastre. E aí teremos sérios problemas!

Ao desatar esse falso nó, vamos liberar milhões de jovens que acham-se definidos por estereótipos que não são verdadeiros. Essa conversa de Geração Y traz meias verdades – e por isso mesmo está incompleta. Que tal começarmos a discutir o que interessa?

Vamos desatar esse falso nó – para imediatamente construirmos um diálogo sério e produtivo!

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Como desatar um falso nó (3)

Placa bilingue onde STOP significa PARE, e PARE significa STOP - capisce?

Pode parar! Sim, você que está publicando artigo sobre a Geração Y, ditando regras de como é e como não é o jovem de hoje, brasileiro … Pode parar!

Sim, você que está vendendo serviços, palestras e aceitando convites para falar de Geração Y – pode parar! Nós não temos Geração Y. Por favor acorde!

Isso mesmo. Você que arvora uma posição de especialista em Geração Y – aqui no Brasil … Pode parar! Por favor, para o seu próprio bem. Nós não temos Geração Y no Brasil – de maneira alguma. No Brasil não neva (é neve de verdade, com 2 metros por dias e dias a fio). No Brasil não se joga football, beiseball … se joga soccer, volley, basket e mesmo assim, não chegamos perto da NBA. No Brasil não se tem influências que se tem no Norte, e no Norte não se tem as influências que se tem aqui. O Brasil é uma coisa, e os The United States of America é outra coisa. Por isso, ladies and gentlemen: one thing is one thing, another thing is another thing. Capisce?

Pode parar! Imediatamente, please. Eles tem Generation Y (lê-se ‘uai’ – igualzinho a mineiro). Aqui nós … well, não temos Geração Y.

Sorry! Pode parar. Chega de fazer confusão na cabeça do brasileiro. Nada de Geração Babyboomer, Geração X, Geração Y, Geração YY, Geração Pós Y, Geração #*@+wz&$*k7@# … enfim – Brasil é Brasil, gente. Pode parar.

A melhor maneira de se falar a verdade é parando de mentir! Pode parar, então!

Duas meias verdades não fazem uma verdade inteira. Duas meias verdades são o que são – a menos é claro que você pertença à classe política. Daí o problema estará ainda mais embaixo.

Por isso, vamos combinar: pode parar.

Que tal começarmos do zero, verde-amarelo, respeitando nosso povo, nossa cultura, nossas características, nossos jeitos e maneiras, nossas realidades, nossas verdades, nossas coisas … Está certo assim gente? Vamos desatar o falso nó da Geração Y no Brasil. Vou repetir: não existe Geração Y. Chega de criarmos confusão na cabeça de ouvintes e leitores. Vamos fazer a lição de casa – nosso home work. Sejamos dignos como brasileiros e descubramos nossas próprias gerações.

Pode parar! Já!

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Como desatar um falso nó (2)

Pode levar tempo, mas o falso um dia é desmascarado

Sabemos que é impossível criar uma doutrina de abordagem relevante e equilibrada do tema das Gerações, simplesmente pelo pinçar de textos de autores estrangeiros. Estes bem podem ser especialistas em suas culturas e no entendimento de suas gentes – diferentes grupos etários, diferentes tribos, influências e influenciadores … Mas isso serve para a realidade deles. Daí que pergunto:

E a nossa realidade?

Está aí o verdadeiro nó! O nó falso é a transferência pura e simples de conceitos estrangeiros! Como se não fossemos uma outra cultura, uma outra sociedade. O nosso caldeirão produz uma sopa exclusiva – diferente e singular. Há que respeitar esse caldo.

Para a nossa realidade, devemos utilizar de um ferramental sociólogico (que até pode ser semelhante ao dos estudiosos estrangeiros), mas que deve ser aplicado e analisado de acordo com nossa realidade, nossos dados, nossa população, nossas características!

O nó falso é o nó das letras, o nó dos termos americanos (em Inglês ou americanizado). Não tivemos uma explosão demográfica nos anos 1940 do pós guerra, nem nos anos 1950. A nossa pirâmide de faixa etária manteve-se numa ampliação da base até o fechamento do milênio. Agora, somente em 2010, com os resultados trazidos pelo Censo do IBGE é que finalmente podemos visualizar um fechamento na base dessa pirâmide, transformando-a mais para balão chinês. A transformação gráfica seria de algo assim: /\ – no final dos anos 1990 para 2000, para algo assim: ( ) já agora em 2010.

Desatar esse falso nó que se enraiza em diferentes setores, e é semeado diariamente – pode levar tempo. Mas certamente um dia ele vai ceder. Conto com os brasileiros de boa fé para que juntos, atuemos na desmistificação de uma mentira que não serve para a realidade brasileira.

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Não é: “Nóys e Eles” !!

Nóys os jovens 'y' e eles os 'não Y' - uma falácia

Esclareço: não fui picado pela síndrome do preconceito linguístico. O que me atemoriza, me amedronta, me angustia é toda essa superficialidade (ou seria irresponsabilidade) do tema Geração Y. São inúmeros artigos, falas, discussões que colocam o assunto das gerações – numa equação simplificada em ‘Y’ versus ‘eles’. E daí o alvoroço está instalado!

Muito da minha indignação contra esse tipo de construção louca é que antevejo a confusão que se dará no ambiente de trabalho. Aliás, já estou constatando muita gente perdida e os ânimos se acirrando.

Não existe ‘y’ de um lado e ‘eles’ de outro lado. Isso é achar que o que ocasiona o vento é o balançar das árvores! Há na verdade uma grande necessidade de se entender as diferentes tribos, os diferentes grupos geracionais. Eles vem divididos em faixas de idade e entram e saem no mercado de trabalho.E são mais variados e se apresentam em diferentes divisões.

Pode parar já!

Assim é certo que num mesmo ambiente de trabalho, numa mesma empresa, numa mesma situação empresarial, é possível ter 4 grupos geracionais distintos. Endereçar o problema através de um viés bipolar é errado e nefasto. Em nada vai ajudar – e em muito vai atrapalhar as demandas de integração, alinhamento, cooperação, clima organizacional, motivação interna – para citarmos uma lista inicial.

Venha participar desta discussão, traga perguntas, comentários e eventuais dúvidas. Vamos buscar o esclarecimento, o entendimento – correto e adequado – que esse tema exige!!

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É o termo que nos incomoda

Já há mais de dois meses, trouxe à baila algumas perguntas incômodas acerca do meu tema número 1: as Gerações – mais especificamente as Gerações Brasileiras. O post está aqui.

Como venho estudando (lendo muito e navegando mais ainda), palestrando, discutindo e preparando textos sobre isso  – cheguei à uma encruzilhada. Quando procurei me aprofundar, tive que abandonar os textos gringos. E olhei ao redor e pouca gente para conversar com a mente aberta e disposta a aprender (humildade) ao invés de ditar regras (prepotência). Logo me associei a uma das mais competentes cabeças da área de Recursos Humanos no Brasil que é a Eline Kullock do Grupo Foco. Através da Eline, tive o privilégio de conhecer mais de perto um estudioso e pensador holandês que veio ao Brasil realizar intercâmbio. Já postei sobre o Aart aqui

Ortega y Gasset é uma referência certa no entendimento das gerações

>.

No outro lado da margem, muita gente ditando regras tiradas não sabemos de onde.

Minhas reflexões e aprofundamentos se intensificaram. Algo gritava dentro de mim que precisava colocar alguns pingos nos ‘is’.  Por isso que iniciei a discussão com “Perguntas Incômodas”. E nesse processo já trouxe mais duas aliadas. Suas observações são importantes. Comecemos com a Inês:

Há muito tempo, antes de as “gerações” assim classificadas serem tão famosas, eu já tinha lido sobre isso. Foi numa busca na net que, sem querer, me deparei com um artigo em inglês. Não havia ainda nem a geração Z.
Minha primeira impressão foi justamente esta: será que isso serve para nós? Conclui que talvez não, de modo totalizante; se bem que nada pode se esgotar ou se prender numa classificação, haja vista as exceções.

O ponto de partida é exatamente esse. As gerações é algo universal e tem estado presente desde que o mundo é mundo. Logo temos nós as nossas gerações. Mas – certamente sim – não serve para nós de maneira acabada e definida (ou seja há que se fazer uma contextualização, no mínimo).

A geração babyboomers – em que me encaixo – não tem mesmo nada a ver com o nosso pós-guerra. Talvez pudéssemos dividir em duas partes essa geração: que sofreu as circunstâncias da guerra (ouvia muitos relatos de minhas avós sobre isso) e a que sofreu a repressão ditatorial (minha geração).
Já a geração Y, de maneira geral coincide muito com o que descrevem. Constato isso nos meus alunos de classe média-alta. A geração Z – os nativos digitais – também. (Não sei se é isso que você está chamando como geração X…já me perdi no alfabeto rsrsrs)
Disso tiro duas conclusões:
Primeiro: o que é observado sobre as gerações vale para uma elite global dominante. E, justamente por causa disso, e pela forma como a rapidez da informação cria culturas praticamente indiferenciadas, pode-se dizer que essa classificação é aceitável.
Segundo: Os excluídos sempre serão excluídos também dessas classificações, uma vez que os parâmetros são tomados pelo modelo próspero globalizado.

A questão dos Babyboomers já sabemos que não tem justificativa. As coisas se complicam quando vamos para  gerações mais novas. Opa! Aqui realmente há muitas semelhanças. E infelizmente tem muito aventureiro aproveitando essas felizes coincidências para definir: “somos iguais” – quando toda a criança de 3 anos sabe que não é bem assim.

Essa sopinha de letras também é nefasta – e aí sigo alguns críticos americanos. É muito fácil criar estigmas com carimbos.

Há ainda há uma terceira conclusão, que talvez derrube todas as anteriores. Não há limite de idade para ser um babyboomer, um Y ou até um Z. Eu mesma dou um baile de tecnologia na maioria de meus alunos do EM, faço várias coisas ao mesmo tempo, estou conectada 24h e enfrento qualquer parafernália digital, sem medo de ser feliz. Conheço vários cinquentões assim. E então somos de que geração? babyboomersXYZ!

Entendo e concordo com você, Inês nesse aspecto do vetor digital – apesar de alertá-la que há controvérsias. Mas se ficarmos no tópico das gerações, aí sim temos que elaborar com mais clareza nossos pressupostos. Apesar de desprezado aqui no Brasil, os estudiosos de sociologia trabalham com a identidade de grupos que se manifestam na história através de ondas – identificadas como grupos geracionais. Há bastante teoria para se trabalhar e comecemos estudando Ortega y Gasset. Faço com ele, parte do meu cardápio diário.

Também trouxe contribuição à discussão a Cláudia Nunes:

Volney vc me assustou agora. Os conceitos de Nativos e Imigrantes digitais são americanos, isso é um fato, é Marc Prensky. Eu os uso como parametros para tentar entender as diferenças cognitivas e comportamentais que venho observando em meus alunos. Com quase 20 anos de ensino médio, eles estão chegando completamente diferentes. Tem muito mais informação, acessam os mais variados recursos tecnológicos, mas não sabem o que fazer com isso além de se divertirem. Em relação a minha geração, a questão do tempo, de reflexão, de estudo, de entendimento, de espera mesmo, é grande e campo confortável para agir ou se superar. Minha geração para para pensar. A geração atual experimenta mil pensamentos.

Minha primeira intenção é provocar. Se consegui isso – estamos caminhando bem (rs). Mas eu creio na validade do conceito de Prensky – apenas creio que ele se aplica de maneira mais indiscriminada nos Estados Unidos e nem tanto aqui no Brasil. Há um escalonamento socio-econômico e regional. Mas com certeza é um vetor a trabalhar (impulsionando e diferenciando) a onda dessas gerações mais jovens. Creio também que temos que levar em conta que cada geração deve ser dividida pelo menos em 4 fases distintas: (a) nascimento, infância e juventude 0 – 21; (b) jovem amadurecido – 22 a 41; (c) adulto pleno – 42 a 61; e (d) senioridade ou terceira idade – 62 a 82+. Há quem considere que dada a longevidade se ampliando, haverá em breve uma quinta fase dos ‘pós-terceira idade’.

A Cláudia continua:

Não os olhos com a radicalidade basilar dos dois conceitos mas eles me ajudam a entender essas e outras diferenças que percebo constantemente. Mas agora vc me assustou. Se os europeus não usam esses conceitos ou essas nomenclaturas para apontar as gerações que interagem ou não com as novas tecnologias, como ele analisam a relação entre gerações, por exemplo, nos meios educacionais… Desculpe se pareço tola mas mesmo nao aceitando os conceitos como finais, eles conseguem me dar os ajustes necessários a meu olhar social e educacional. Existe livros ou texto já incorporando essas suas questões? ou alinhavando novos conceitos ou procedimentos de análise??? Estou muito interessada…

Grato por seu interesse. Também estou muito interessado. É muito agradável ter você e a Inês na conversa. Os portugueses utilizam o conceito de Prensky – mas como tudo que vem dos Estados Unidos é visto com ceticismo pelo Velho Mundo, aparentemente o X e o Y não é assim tão fácil de ser engoligo. Como também respondi acima, vamos tomar cuidado com a aceitação pura e simples dos divisores e das nomenclaturas pois, apesar de fazerem sentido de início, quando se aprofunda, a gente vai encontrando cada vez mais dificuldades!

Nas próximas postagens vamos trabalhar as fontes, e buscar ferramentas que nos ajude a melhor definir a questão. Se vocês, Inês e Cláudia, e também o leitor que nos acompanha, tem contato com grupos geracionais, vou lhes pedir para me ajudarem em pesquisas impressas. A tabulação faremos em conjunto ou por aqui. E é claro vamos dividir e compartilhar as descobertas. Além disso vamos abrir uma série de pesquisas on line.

Para encerrar quero dizer que – antecipando o domingo, vocês foram uma mãe para mim. Ganhei o fim de semana. Muito obrigado.

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