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A volatilidade do Conhecimento

Fritz Machlup (1902-1983)

Um dos mais fortes argumentos exigindo uma radical transformação na Administração e na prática corporativa, reside na volatilidade do Conhecimento – assim mesmo com maiúscula. Sabemos que todo o conhecimento construido até a virada do Milênio, já foi superado nesta década algumas vezes. Esse crescimento exponencial trouxe a presente instabilidade nos formatos fechados – rompendo com a confiabilidade dedicada ao engessamento classificatório das diferentes disciplinas e seu consequente armazenamento.

Se portanto no passado, o Conhecimento podia ser contido era tão somente pelo seu mais importante atributo: a estabilidade.  Hoje isso não é mais verdade, pois apresenta características de meia-vida. Esse termo é atribuido a Fritz Machlup, e refere-se ao tempo necessário para metade de um conhecimento em alguma área específica ser superado ou se tornar falso. Essa identificação da obsolescência é cada vez mais frequente, tornando esses períodos cada vez menores. Estudiosos tem identificado esse fenômeno como encolhimento da meia-vida. Com isso cria-se uma demanda por re-adequação e a construção de novos saberes, que não dependa de métodos herméticos e nem dependa dos sistemas consagrados do passado.

Por conta disso tudo, temos uma substituição cada vez mais forte do Conhecimento e de seus formatos e ferramentas. Esse movimento afeta o jeito de se criar, distribuir e disseminar informação, assim como a maneira de se ensinar e aprender. Abandonar os métodos antigos é parte da solução. No fundo devemos abandonar efetivamente qualquer método. E criar um novo paradigma do Saber.

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Administração e Seu Futuro

Na semana passada tive o privilégio de participar de um evento apoiado e promovido pelo movimento denominado 50plus20.

Basicamente o que está sobre a mesa – a agenda promovida – é a reinvenção da Educação de Administração nas escolas e universidades de todo o mundo. Foi um bom começo estar presente no auditório da Fundação Dom Cabral em São Paulo e aprender sobre essa iniciativa que compartilho a seguir.

Primeiro que o nome de batismo vem da junção de mais de 50 anos (50plus) do ensino da Administração como disciplina, praticamente sem nenhuma grande mudança , com  a oportunidade dos 20 anos pós Rio 92. Assim, juntam-se duas agendas: repensar a administração e evoluir na questão do desenvolvimento economico no mundo.

Em resumo, esse esforço colaborativo (uma espécie de movimento que envolve as grandes escolas de Administração), procura atender o desafio de analisar e propor as mudanças para o mundo corporativo e o ensino das disciplinas que integram o preparo dos líderes de hoje e do futuro.

Com um video de 8 minutos, muito se pode assimilar desse esforço. Usando um banco de parque como ícone, e fazendo um trocadilho com benchmark (onde bench=banco) o video resume as intenções do movimento. Assista aqui.

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Preparando-me para o Twitter Mix

A bela Bento Gonçalves sediará o Twitter Mix

Tive a honra de ser convidado para o Twitter Mix que acontecerá neste fim de semana. Vou dirigir um painel sobre o tema das Gerações. Como já se sabe tenho levantado uma bandeira pelas Gerações Brasileiras – algo que seja genuinamente nosso como a jaboticaba, o pão de queijo, a caipirinha…

O Twitter Mix é uma iniciativa inteligente e relevante. Reúne contribuintes que abordam temas chaves, abre para discussão, consolida o debate em diferentes mídias, formata o que se pode partilhar e faz repercutir pelas redes sociais. O fruto desse esforço é incalculável. Essa semente se espalha e cresce, germinando a partir do extremo Sul para todos os cantos do Brasil.

Creio firmemente que minha missão vigente é erguer a bandeira de que temos que ser originais na análise das gerações brasileiras, não aceitando estereótipos americanos. Isso ficou expresso em meus posts que se transformaram numa série de artigos (Partes I, II, III, e IV). Nosso pensamento é que precisamos de uma doutrina própria, bem fundamentada, que olhe para a sociedade brasileira e nela se emule os conceitos e as análises de como se dividem as gerações em nossa cultura.

O Twitter Mix é uma proposta de, através da síntese, promover mudanças e transformações. Diante da complexidade, da saturação de informação e da escassez de atenção – transformar a realidade em 140 caracteres.

E para tanto temos que fazer a lição de casa. Ou seja, para se discutir as gerações (ou falar sobre elas) é necessário estabelecer um arcabouço teórico mínimo para que o estudo, o diálogo e a seriedade progridam.

Quando se tem diferentes gerações (grupos nascidos em períodos distintos de cerca de 20 anos de duração) ocupando um mesmo espaço, é sábido que embates sociais acontecem. Estudiosos tem identificado há mais de um século características de uma geração que a diferencia da sua antecessora e da sua sucessora. Ou seja – cada geração tem uma marca, uma personalidade genérica e indelével que se faz perceber ao longo da história. Cada geração expressa isso em valores e com arquétipos próprios.

Para Strauss e Howe (em inglês) – considerados os principais autores americanos  – as gerações podem ser estudadas através da linha da história, identificando em personagens chaves e influentes os representantes da personalidade genérica do grupo. Para tanto eles realizaram seus estudos e análises abrangendo um período anterior à descoberta da América até os dias de hoje. E com isso estabeleceram 24 diferentes tipos de gerações ao longo da história da nação Estadunidense.

No Brasil não há estudos geracionais aprofundados que utilizem de nossa história para identificar períodos e assim caracterizar grupos etários com forte similitude. Há, é verdade um debruçar sociológico sobre grupos de consumo, grupos de teste e experimentos médicos – debaixo da rubrica coorte. Tenho encontrado também textos que traçam paralelos históricos – por exemplo entre o futebol e a nossa história.

Por isso que é possível, utilizando-se de ferramentas sociológicas, identificar os valores e a forma em que se molda a personalidade de grupos etários. Há também entrelaçado o poder político, a liderança e os agentes históricos que definem regimes, gestões, mandatos e leis. Esses líderes e influenciadores, juntamente com seus contemporâneos moldaram a nossa sociedade, forjaram a história e contribuíram para a construção de nossa identidade. Período a período! Geração a geração – de forma própria e singularmente brasileira.

A cultura, a educação formal, a religiosidade, a tradição se apresenta no jeito de ser de um povo, de maneira única e própria. São fatores a moldar a sociedade de um país.

Impossível portanto ao se pretender tratar do tema das Gerações, que não se faça para o caso brasileiro, respeitando os traços que nos identifica como povo. Daí pergunto: seria viável desprezar o futebol, o carnaval, os tumultuados ciclos políticos, os líderes de diferentes domínios (seja religioso ou acadêmico), bem como as nossas diferentes manifestações artísticas e literárias?

O Brasil teve (para citar alguns): Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Castelo Branco, Ari Barroso, Jorge Amado,  Paulo Freire, Oswald de Andrade,  Villa Lobos, Santos Dumont, Helder Câmara, Paulo Machado de Carvalho, Assis Chateaubriand, Roquete Pinto, Roberto Marinho, Julio Mesquita … Estes e tantos outros em maior ou menor graus, fazem parte da construção de nossa história como sociedade. São nomes de passado distante e recente, que se unem aqueles que vivos atuam ou atuaram diretamente a influenciar os destinos da nossa nação. A que geração eles pertencem? À mesma que os norte-americanos?

Creio que não!

Ademais, por causa dos valores de cada época, a sociedade brasileira absorve tipificações de comportamento, procedimentos sociais, rituais familiares e religiosos, incluindo-se também manias, vícios … É assim que somos (e fomos) como povo brasileiro!

Por isso que me rebelo contra aqueles que perpetuam o uso da denominação americana para se referir a um grupo geracional – que aqui no Brasil, em inúmeros aspectos se distancia daquela sociedade. Essas pessoas teimam em manter a superficialidade do estudo. Essa ‘preguiça’ (isso mesmo entre aspas) de se copiar e rapidamente adaptar conceitos e análises, é no mínimo perversa e nociva.

Aqui do nosso lado continuamos estudando e preparando textos originais.

Ao participar do Twitter Mix em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul, nos dias 23 e 24 estarei ao lado das grandes educadoras Sonia Bertochi e Léa Fagundes. Estou honrado de estar perto dessas mulheres ícones da Educação brasileira. Cada uma também terá um painel específico. Ao participarmos do Twitter Mix, estaremos fazendo história num dos mais sérios e importantes eventos a discutir a nossa sociedade e seus desafios, pela ótica do ativismo digital.

O Twitter Mix tem a vantagem de trazer uma contribuição contextualizada e perene. De um lado os temas que nos são importantes e de outro a permanência e repercussão ao longo dos próximos meses. As mídias sociais vão desempenhar papel importantíssimo nisso tudo – por isso que você que me lê ajude a ampliar a conversa e a multiplicar os efeitos positivos!

Haverá também a contribuição de Adão Villaverde (presidente da Assembléia Legislativa daquele estado) e Manuella D’Ávila em painel específico sobre ética. Terei o prazer de ser mediado por Tão Gomes – renomado jornalista e influente personalidade da mídia que conviveu muito de perto com os acontecimentos de nossa história recente.

Debaixo do tema “Nós não temos Geração Y”,  vamos falar de Gerações Brasileiras, da Sociedade Brasileira, da História de nosso povo, e do que nos caracteriza como nação. Fico muito honrado com o mediador de minha fala, um interlocutor altíssimamente gabaritado que certamente vai enriquecer o diálogo e a pertinência do tema.

Os organizadores do Twitter Mix Rute Vera Maria Favero e Luiz Afonso Alencastre Escosteguy são dois visionários e idealistas que se debruçam na construção de um Brasil melhor. Em consonância à seriedade da iniciativa e à importância e relevância desse evento, me sinto pequeno e tremendamente honrado na oportunidade de nossa fala.

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Clima Organizacional e Educação

Uma das razões do sucesso e do crescimento do ensino a distância reside na possibilidade do indivíduo definir seu ritmo de aprendizado e dedicação. Essa flexibilidade permite mais do que adaptação e equilíbrio frente à demanda dos Cursos a Distância. O que parece ser um fator ainda pouco explorado pelo aluno, tem a ver com o clima que ele mesmo pode  promover em seu ambiente educacional.

Para o educador Brian K. Perkins, em visita ao Brasil, estabelecer um ambiente que promova respeito e confiança são chaves para ampliar e melhorar o desempenho. Apesar de que boa parte da ênfase ainda está sendo colocada para o contexto presencial, e muito se fala para as crianças e os jovens, certamente temos como aproveitar essas descobertas e aplicar a um processo que envolve adultos e jovens em fase acelerada de formação e capacitação.

Para quem opta pelo EAD está na verdade tirando o gesso da estrutura da educação presencial – com suas demandas, regras excessivas, limites no tempo, rigidez na cronologia … enfim todo o modelo que conhecemos bem.

É claro portanto, para muitos de nós, que dentro da modalidade de Cursos a Distância, o fator motivação é dado como certo por parte do aluno. Há algo intrinsicamente forte que o leva a querer estudar, aprender, desenvolver-se. Esse nível de conscientização pede e exige uma boa dose de liberdade e flexibilidade. É a própria contrapartida da responsabilidade. O ônus de ser disciplinado traz o bônus na definição de tempo a ser dedicado, a alternância de horários, a acomodação de localidade e até mesmo a ênfase de disciplina e matérias complementares.

Temos visto que esse tipo de aluno – seja o profissional em ascensão ou em busca de uma nova posição – sabe que o bom êxito depende muito mais de si do que de terceiros. Daí que, por não demandar sua presença física, há um conjunto de facilidades que promovem e antecipam o sucesso debaixo dessa modalidade. E no final quem sempre sai ganhando é o próprio aluno.

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Diversão. Na Escola e na Empresa

A diversão é um fator motivadore

O diálogo é tremendamente ilustrativo e real. Aconteceu hoje. Na carona do elevador, mãe e filho conversavam. O filho de 9 anos, seletivo em sua agenda diária, sugeria não pegar a Escola em bloco fechado. “Aula disso e disso – posso pular. Assim chegaria na Escola na hora do recreio e em seguida pego a aula de Matemática”. A mãe percebeu a sacada e já saindo na garagem, de imediato perguntou: “O recreio é muito bom então?”. A resposta eu já sabia.

Segui o meu caminho contente da vida – ganhei a ilustração para o posts de hoje.

Por que precisamos ter o nosso ambiente de trabalho sizudo? E por que não é 100% divertido o ato de estudar, aprender, ir para a escola? O que faz uma criança ser seletiva quanto às suas atividades?

Essa questão que só agora começa a ganhar a atenção de educadores e pais – também se dirige ao ambiente de trabalho. Até porque não são excludentes entre si: disciplina, produtividade, realização e diversão. Comecemos com essas 4 qualidades. Você consegue na prática, coloca-las em alinhamento?

Só para fazermos um ligeiro ensaio. A disciplina da pontualidade e do respeito ao trabalho alheio não impede de estarmos aproveitando o nosso momento – gostando do que se faz e se sentindo alegre e leve. A produtividade – na maioria das vezes acontece quando não se está tenso, nem travado, nem robótico.

A diversão tem a ver com o gostinho de vitória, de conquista, de se sentir bem… Opa! Essas coisas fazem bem para a Empresa também!

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Treinamento versus Aprendizado

Aprendizado atua diretamente no grupo

Volto ao tema da Educação Corporativa. E mais uma vez sou obrigado a pegar um gancho com o professor Vicente Falconi. Na Exame desta quinzena (#988) ele traz um desafio interessante: “Sua Empresa é uma escola?” – e desenvolve seu argumento pró qualificação interna da equipe. Antecipa inclusive a réplica para a desculpa muito comum de que não vale a pena investir em funcionário que poderá abandonar seu empregador para ir para a concorrência. Suas respostas alinham com a questão da qualidade. Uma vez dentro da empresa, e participando do processo de resultados, não qualificar o colaborador é tiro no pé.

Eu iria um pouco além. Argumentaria que há pelo menos três razões adicionais para formar o seu colaborador. Primeiro que ao se enfatizar o aprendizado busca-se a transformação – coisa que o treinamento não garante. O aprendizado, por sua vez,  desenvolve o indivíduo, lhe traz progressos de repercussão imediata. O aprendizado traz um sub produto deveras interessante que é o gosto pelo ambiente e a vontade de quero mais. Atua então diretamente na lealdade do colaborador.

Outro ponto, é que treinamento não gera coletividade, e aprendizado sim. Logo o indivíduo que aprende tem ligação direta com o time, com a equipe, formando o Ethos da empresa. E isso ninguém leva embora.

Uma terceira razão para que toda a empresa tenha no seu DNA o gene da formação e da qualificação de seus colaboradores enfatizando o aprendizado (individual e coletivo) é que o próprio ato de aprender deve estar na sua missão. Mundo complexo, veloz, em demanda de inovação … O que isso nos leva? Equipes orgânicas, vivas, que aprendem e se superam.

Realmente o Aprendizado é muito superior ao Treinamento!

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A Educação é para a vida

O tempo manda-nos seguir aprendendo

A Educação é para a vida e as oportunidades para se cursar uma Faculdade de Direito são amplas.

Em vídeo de Isaac Asimov que já repercutiu muito pela WEB no ano passado, há uma fala de impacto com certa dose de humor. Asimov – que falava sobre o impacto da Internet antes dela ser criada – compara o aprendizado e a educação de adultos com o sexo. Ele diz:

“não é que o sujeito ficou mais velho que vai parar de fazer sexo. O mesmo deve acontecer com o aprendizado. É para a vida toda.”

Hoje há diferentes desafios para o profissional. Diferentes e muitos. No entanto, algo que vai acompanhá-lo para a vida toda é a necessidade de crescimento pessoal e desenvolvimento.

Pego um exemplo do que me aconteceu ontem, algumas horas antes de iniciar o Open Coffee (que por sinal foi e x c e l e n t e ). Conversando com uma amiga, me relatava que depois de quinze anos formada (pela GV!) ela resolveu fazer Direito. A força contributiva do curso – muito mais do que o diploma e a consequente obtenção de registro na OAB – foi tremenda!

Ou seja nossas credenciais (diplomas) servem para o mundo externo, mas acrescente-se o que recebemos e nos apropriamos em conhecimento, visão, preparo e formação. O resultado será sem sombra de dúvida um novo patamar de atuação e de posição no mercado de trabalho!

Como sabemos, o mercado educacional (e aí quero dizer este que torna-se cada vez mais acessível às pessoas) tem tido crescimento fantástico o que torna cada vez mais uma obrigação abraçarmos uma solução pessoal visando novos patamares e proteção empregatícia.

As oportunidades para se cursar uma Faculdade de Direito, por exemplo são amplas. Basta ao bom cristão tomar a iniciativa, segurar o touro à unha, e trilhar seu caminho. Investir agora para colher amanhã e depois de amanhã.

Se o mercado de trabalho, reconhecidamente é feroz e perverso quando se trata de idade e nível escolar, não se pode perder tempo. Todo o tempo é oportuno, haja vista minha amiga que se formou em Direito aos quarentinha. Mas não espere pelo amanhã. Ele lhe alcança mais cedo do que você espera.

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