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De Domadores para Domados

A Era Industrial transformou os trabalhadores em um rebanho obediente.

Na passagem da Era Agrária para a Era Industrial, os trabalhadores vinham do campo trazendo o expertise de atuação autônoma e individual. Acostumados a cuidar de suas tarefas com responsabilidade e liberdade, aravam o campo, plantavam e domavam os animais com base no aprendizado familiar e o uso do bom senso. Muita coisa era aprendida na base de tentativa e erro. O agricultor em suma era dono de seu próprio nariz.

Vindos desse contexto, ao adentrar as fábricas tinham que se adaptar à nova realidade. O uso da hierarquia (vista somente nos regimentos militares), agora era essencial para ordenar o trabalho. Comando e controle, obediência irrestrita, trabalho repetitivo, esmero na tarefa específica – tudo isso eram componentes da fábrica. Há mais de cem anos, Fayol e Taylor deram forma ao ‘como’ realizar essa transição inventando assim a Administração Moderna. De domadores os homens passaram a ser domados!

O próprio Henry Ford reclamava: “por que quando peço um par de mãos, o cérebro vem junto?”

Ainda hoje, já na plenitude da Era da Economia Criativa (permeando Indústria, Comércio e Serviço) mantemos esses mesmos princípios para o ambiente de trabalho. Persistimos em transformar nossos colaboradores em ovelhas obedientes, tirando-lhes dignidade e sentido. Continuamos a exaurir de suas vidas suas almas, dando-lhes uma condição menor do que lhes é direito.E certamente isso não vai nos levar a um bom lugar!

Está na hora de uma nova Administração substituir o que foi elaborado para uma época que não mais existe! Precisamos reinventar a Administração, a Gestão e a Organização Empresarial.

E obviamente  aos trabalhadores que foram domados, precisamos devolver-lhes a condição humana, e restabelecer a dignidade no ambiente de trabalho.

E isso precisa ser feito em prol das pessoas que trabalham conosco, e – por que não? – para o futuro da nossa empresa!

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junho 5, 2012 · 11:20 am

Mudança de Direção

Cada vez mais estaremos diante de muitas escolhas profissionais.

É provavel que uma das grandes questões profissionais da década estará ligada a mudanças radicais de direção. O velho ditado  “quem fica parado é poste” será (e é) mais do que recomendado para aqueles que imaginam que carreira é igual a estabilidade. E se refinarmos a pergunta – melhor do que: “Poderei mudar de direção?” o certo será “Como estar pronto para mudar de direção?”

E ouso dizer que deveremos nos preparar para mais do que uma situação de escolha e decisão. Creio que encontraremos no futuro próximo uma demanda cada vez mais constante por reinvenção na jornada profissional.

É sobre isso que estarei focando amanhã no evento Open Coffee que já divulguei aqui. Vamos esmiuçar se existe idade certa para mudar, se os desafios são compatíveis com perfil, preparo e principalmente disposição. O mercado imobiliário, dadas as circunstâncias de empreendedorismo que exige, é um bom – se não excelente – começo!

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Inclusão Digital

O maior desafio apresentado à Sociedade nos dias de hoje, seja provavelmente a questão da inclusão digital. Digo isso após ter participado do programa Vejam Só da RIT ontem à noite, sob o comando de Éber Coccareli.

Ao me convidarem, anteciparam que o tema seria em volta da questão: “Não uso Orkut, Twitter nem Facebook – sou normal?”

A resposta óbvia – dependendo de sua idade – seria: “em que mundo você vive?” Mas gostaria de pontuar algumas coisas adicionais relacionadas ao equilibrio da inclusão digital.

Ponto 1 – Quem não estiver incluso não terá ‘vida social’ – no sentido amplo e abrangente. Compromissos, eventos, comunicados, mensagens e recados transitarão quase que exclusivamente através dessas redes. Elas serão a nova praça das pessoas.

Ponto 2 – Quem não estiver incluso não conseguirá educar, cuidar e até se comunicar com seus filhos. Pais de filhos nativos digitais se cuidem! Sem o mínimo de envolvimento nos mesmos ambientes que os mais novos transitam e vivem … os pais perderão o contato e com isso boa parte da comunicação, da supervisão e participação de e em suas vidas.

Ponto 3 – Quem não estiver incluso não conseguirá ajudar familiares, amigos e outros no desafio de suas jornadas pessoais. Esse comodismo de não se adaptar ao mundo moderno fará do indivíduo um hermitão sem poder de influência no mundo que o cerca.

Ponto 4 – Nem todo mundo que está incluso mantém equilibrio no uso das ferramentas sociais e no tempo de dedicação a elas.

Ponto 5 – Aos mais jovens, há perigos claros – quer nos jogos, quer nos relacionamentos, quer nas influências que encontram na internet. E deixá-los totalmente livres ou totalmente bloqueados não é solução.

Ponto 6 – Todo o profissional que se preza tem que ter seu perfil submetido a uma rede social (do tipo LinkedIn). Por causa das demandas empresariais, há uma forte migração no uso desse ambiente pelo RH: novas oportunidades, busca de profissionais, recolocação, confirmação de reputação, verificação de experiência … Enfim será o cantinho da praça(que se ajunta virtualmente) para resolver as questões de empregabilidade e recrutamento.

Ponto 7 – Impossível crescer e se desenvolver como pessoa com hábitos atrelados ao passado. Mantendo dependência exclusiva nos meios analógicos de compilação de conteúdo e conhecimento (livros físicos, material audio visual ‘empacotado’, audição-assistência de aulas e palestras presenciais …) o individuo não estará atualizado e pronto para o mundo. A partir de agora há um fator novo – denominado de Entorno Pessoal de Aprendizado – que se caracteriza por todo o ambiente digital que (gratuitamente) se disponibiliza para o indivíduo se instruir.

Ponto 8 – Essa discussão vai se encerrar num futuro bem próximo. Discutir sobre isso será em pouco tempo, conversa de loucos. Não se questionará sobre as diferenças ou mesmo a existência de outra possibilidade com o mundo digital. Será tudo uma coisa só – a vida será 100% permeada e intricada nas diferentes camadas. Será impossível separar o que é digital do não digital.

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Grupo e Reunião de Stoos

Segue a divulgação do comunicado da reunião de Stoos – acontecida no começo do ano na cidade de mesmo nome, na Suiça.

Ao refletir sobre liderança nas organizações hoje, nos encontramos em uma certa bagunça. Vemos confiança no pensamento linear, mecânico, empresas focando mais em preços de ações do que em agradar seus clientes, e trabalhadores do conhecimento cujas vozes são ignoradas pelos chefes que os dirigem.
Deve haver um caminho melhor.
Em janeiro de 2012 um grupo diverso de vinte e uma pessoas incluindo executivos seniores, estrategistas de negócio, gerentes, acadêmicos e praticantes de Lean/Agile dos quatro continentes encontrou-se em Stoos, Suíça. Nós acreditamos que descobrimos algumas das características comuns desse caminho melhor. Por exemplo, que organizações podem tornar-se redes de aprendizado de indivíduos criando valor e que o papel dos líderes devem incluir a preocupação com a vida ao invés do gerenciamento da máquina.

Mais importante ainda, nos comprometemos a continuar nosso trabalho, ambos pessoalmente e online. Um problema desse tamanho requer muitas mentes e corações. Adoraríamos ouvir sua voz e experiência. Ajude a dar continuidade à discussão juntando-se ao nosso grupo no LinkedIn e no Twitter com a hashtag #stoos.

Vamos começar a transformação, antes que seja tarde demais.

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Preparando-me para o Twitter Mix

A bela Bento Gonçalves sediará o Twitter Mix

Tive a honra de ser convidado para o Twitter Mix que acontecerá neste fim de semana. Vou dirigir um painel sobre o tema das Gerações. Como já se sabe tenho levantado uma bandeira pelas Gerações Brasileiras – algo que seja genuinamente nosso como a jaboticaba, o pão de queijo, a caipirinha…

O Twitter Mix é uma iniciativa inteligente e relevante. Reúne contribuintes que abordam temas chaves, abre para discussão, consolida o debate em diferentes mídias, formata o que se pode partilhar e faz repercutir pelas redes sociais. O fruto desse esforço é incalculável. Essa semente se espalha e cresce, germinando a partir do extremo Sul para todos os cantos do Brasil.

Creio firmemente que minha missão vigente é erguer a bandeira de que temos que ser originais na análise das gerações brasileiras, não aceitando estereótipos americanos. Isso ficou expresso em meus posts que se transformaram numa série de artigos (Partes I, II, III, e IV). Nosso pensamento é que precisamos de uma doutrina própria, bem fundamentada, que olhe para a sociedade brasileira e nela se emule os conceitos e as análises de como se dividem as gerações em nossa cultura.

O Twitter Mix é uma proposta de, através da síntese, promover mudanças e transformações. Diante da complexidade, da saturação de informação e da escassez de atenção – transformar a realidade em 140 caracteres.

E para tanto temos que fazer a lição de casa. Ou seja, para se discutir as gerações (ou falar sobre elas) é necessário estabelecer um arcabouço teórico mínimo para que o estudo, o diálogo e a seriedade progridam.

Quando se tem diferentes gerações (grupos nascidos em períodos distintos de cerca de 20 anos de duração) ocupando um mesmo espaço, é sábido que embates sociais acontecem. Estudiosos tem identificado há mais de um século características de uma geração que a diferencia da sua antecessora e da sua sucessora. Ou seja – cada geração tem uma marca, uma personalidade genérica e indelével que se faz perceber ao longo da história. Cada geração expressa isso em valores e com arquétipos próprios.

Para Strauss e Howe (em inglês) – considerados os principais autores americanos  – as gerações podem ser estudadas através da linha da história, identificando em personagens chaves e influentes os representantes da personalidade genérica do grupo. Para tanto eles realizaram seus estudos e análises abrangendo um período anterior à descoberta da América até os dias de hoje. E com isso estabeleceram 24 diferentes tipos de gerações ao longo da história da nação Estadunidense.

No Brasil não há estudos geracionais aprofundados que utilizem de nossa história para identificar períodos e assim caracterizar grupos etários com forte similitude. Há, é verdade um debruçar sociológico sobre grupos de consumo, grupos de teste e experimentos médicos – debaixo da rubrica coorte. Tenho encontrado também textos que traçam paralelos históricos – por exemplo entre o futebol e a nossa história.

Por isso que é possível, utilizando-se de ferramentas sociológicas, identificar os valores e a forma em que se molda a personalidade de grupos etários. Há também entrelaçado o poder político, a liderança e os agentes históricos que definem regimes, gestões, mandatos e leis. Esses líderes e influenciadores, juntamente com seus contemporâneos moldaram a nossa sociedade, forjaram a história e contribuíram para a construção de nossa identidade. Período a período! Geração a geração – de forma própria e singularmente brasileira.

A cultura, a educação formal, a religiosidade, a tradição se apresenta no jeito de ser de um povo, de maneira única e própria. São fatores a moldar a sociedade de um país.

Impossível portanto ao se pretender tratar do tema das Gerações, que não se faça para o caso brasileiro, respeitando os traços que nos identifica como povo. Daí pergunto: seria viável desprezar o futebol, o carnaval, os tumultuados ciclos políticos, os líderes de diferentes domínios (seja religioso ou acadêmico), bem como as nossas diferentes manifestações artísticas e literárias?

O Brasil teve (para citar alguns): Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Castelo Branco, Ari Barroso, Jorge Amado,  Paulo Freire, Oswald de Andrade,  Villa Lobos, Santos Dumont, Helder Câmara, Paulo Machado de Carvalho, Assis Chateaubriand, Roquete Pinto, Roberto Marinho, Julio Mesquita … Estes e tantos outros em maior ou menor graus, fazem parte da construção de nossa história como sociedade. São nomes de passado distante e recente, que se unem aqueles que vivos atuam ou atuaram diretamente a influenciar os destinos da nossa nação. A que geração eles pertencem? À mesma que os norte-americanos?

Creio que não!

Ademais, por causa dos valores de cada época, a sociedade brasileira absorve tipificações de comportamento, procedimentos sociais, rituais familiares e religiosos, incluindo-se também manias, vícios … É assim que somos (e fomos) como povo brasileiro!

Por isso que me rebelo contra aqueles que perpetuam o uso da denominação americana para se referir a um grupo geracional – que aqui no Brasil, em inúmeros aspectos se distancia daquela sociedade. Essas pessoas teimam em manter a superficialidade do estudo. Essa ‘preguiça’ (isso mesmo entre aspas) de se copiar e rapidamente adaptar conceitos e análises, é no mínimo perversa e nociva.

Aqui do nosso lado continuamos estudando e preparando textos originais.

Ao participar do Twitter Mix em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul, nos dias 23 e 24 estarei ao lado das grandes educadoras Sonia Bertochi e Léa Fagundes. Estou honrado de estar perto dessas mulheres ícones da Educação brasileira. Cada uma também terá um painel específico. Ao participarmos do Twitter Mix, estaremos fazendo história num dos mais sérios e importantes eventos a discutir a nossa sociedade e seus desafios, pela ótica do ativismo digital.

O Twitter Mix tem a vantagem de trazer uma contribuição contextualizada e perene. De um lado os temas que nos são importantes e de outro a permanência e repercussão ao longo dos próximos meses. As mídias sociais vão desempenhar papel importantíssimo nisso tudo – por isso que você que me lê ajude a ampliar a conversa e a multiplicar os efeitos positivos!

Haverá também a contribuição de Adão Villaverde (presidente da Assembléia Legislativa daquele estado) e Manuella D’Ávila em painel específico sobre ética. Terei o prazer de ser mediado por Tão Gomes – renomado jornalista e influente personalidade da mídia que conviveu muito de perto com os acontecimentos de nossa história recente.

Debaixo do tema “Nós não temos Geração Y”,  vamos falar de Gerações Brasileiras, da Sociedade Brasileira, da História de nosso povo, e do que nos caracteriza como nação. Fico muito honrado com o mediador de minha fala, um interlocutor altíssimamente gabaritado que certamente vai enriquecer o diálogo e a pertinência do tema.

Os organizadores do Twitter Mix Rute Vera Maria Favero e Luiz Afonso Alencastre Escosteguy são dois visionários e idealistas que se debruçam na construção de um Brasil melhor. Em consonância à seriedade da iniciativa e à importância e relevância desse evento, me sinto pequeno e tremendamente honrado na oportunidade de nossa fala.

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Uma Paródia

Para que não permaneça dúvidas, o vídeo realmente é uma paródia – com as legendas adaptadas para tratar do tema do momento: A Mania por Geração Y.

Fica mais uma contribuição para lançar luz e desafio, com o intuito claro de se discutir o que são as Gerações Brasileiras, em contraponto à uma panacéia generalizada.

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Como desatar um falso nó (4)

É hora de se construir uma doutrina brasileira das Gerações

Esclareço que minha intenção é realmente levar a discussão sobre as Gerações Brasileiras a um outro patamar – digamos uns 4 a 5 níveis acima do que encontramos nas terras brasucas. Isso porque, como tenho enfatizado nas minhas postagens anteriores desta série (parte 1, parte 2, e parte 3) – usar o termo “Geração Y” é um desserviço. Virou panacéia, esconde a superficialidade e gera uma sensação mágica  – porém falsa nos ouvintes e leitores.

As gerações existem, sim elas existem de fato. Com um estudo sério, nós podemos dar forma a ações que vão efetivamente:

  • Auxiliar a integração na Empresa;
  • Aperfeiçoar as atuações em equipe;
  • Minimizar conflitos e embates organizacionais;
  • Fomentar a criatividade e a tensão saudável;
  • Preparar os mais novos de maneira adequada e pertinente;
  • Colocar as vantagens das diferenças etárias a favor dos objetivos operacionais e estratégicos;
  • Promover melhorias e crescimento junto aos colaboradores – independente de suas idades;
  • Levar o país a um salto em Inovação, Tecnologia e Produtividade.

Isso para mencionarmos alguns pontos. Há outros – talvez estes sejam os principais!

No entanto, ao me deparar nestes últimos anos com tanta gente se colocando como especialistas geracionais e despejando conceitos americanos, não trazendo contextualização e sendo nefastos para uma contribuição profunda e séria, conclui que primeiro precisamos sim, desconstruir essa falácia. A começar pelo termo. O termo (não os jovens) – o termo Geração Y está desgastado e ausente de valor próprio. Serve para qualquer coisa – sem dar os por ques, sem dar as fundamentações, e sem colocar a coisa de maneira sistêmica e própria para a nossa realidade – perigas de estarmos rumo a um desastre. E aí teremos sérios problemas!

Ao desatar esse falso nó, vamos liberar milhões de jovens que acham-se definidos por estereótipos que não são verdadeiros. Essa conversa de Geração Y traz meias verdades – e por isso mesmo está incompleta. Que tal começarmos a discutir o que interessa?

Vamos desatar esse falso nó – para imediatamente construirmos um diálogo sério e produtivo!

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