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Toda boa prática será castigada – 2

Abordemos a meritocracia. Encontrada no topo das recomendações dos livros de administração. Perpetuada na cadeia hierárquica, nutrida pelos que detem poder, aceita entre os carreiristas, e cantada em verso e prosa por gurus (de lá e cá). Mais do que uma boa prática, uma excelente prática. E em seu bojo uma bomba relógio com ponteiros descontrolados. Igualmente, a meritocracia será castigada! E explico.

O indivíduo nada realiza por si

Meritocracia pressupõe não justiça, mas injustiça. Carrega em si um veneno que mata o espirito de equipe e o jogar em time. Contribui de maneira nefasta para a competição interna, desviando os olhos do compromisso maior (empresa, missão, realização), para o jogo individual e egoista. O individuo que pretenda viver debaixo do signo do herói solitário, fará uso da colaboração de maneira desmedida, não reconhecendo as positivas influencias de seus pares, advogando para si resultados de maneira simplista e injusta. E certamente deixará pelo caminho um rastro de abusos e falta de ética.

O ambiente de trabalho perde a cada dia as características mecânicas e lineares que uma vez o dominava. Ganha assim, em seu lugar complexidade nunca antes vista. O conhecimento por sua volatilidade arrebenta conclusões consagradas do passado, tornando-as obsoletas rapidamente. O conhecimento permite vir ao palco inovações com diferentes conjuntos de premissas. O trabalho cada vez mais precisa ser realizado em grupo, com uma interdependência adicional que inclui outras esferas.

O trabalho em time solapado

A competição para que uma pessoa se destaque em ser (ou ter sido) a melhor, solapa de maneira profunda a confiança, promulga o espirito da politicagem criando feudos e um jogo surdo e mortal de safadezas, armadilhas e abusos. A transparência é mais do que nebulosa, a clareza das regras tornam-se opacas e sujas, as avaliações são tortuosas, e por fim os julgamentos são definitivamente arbitrários.

A decisão final de quem vai receber o mérito, é sempre tomada por alguém que já carrega viés em seu atributo – seja ele o dono, diretor contratado, ou gerente. E será impossível justificar a consagração do mérito (que pode ser uma promoção, premiação ou mesmo um simples reconhecimento público) sem causar constrangimento dada a forte dose de subjetivismo. A meritocracia no fundo será um despotismo sem medidas.

Manter a meritocracia nas organizações que se transformam para a modernidade é loucura. O ambiente inovador e dependente da colaboração, que gere confiança e que – principalmente – instile e fomente o trabalho em time, jamais poderá ser operado debaixo das premissas da meritocracia. Desmantelar a meritocracia é gerar vida, saúde e futuro para as organizações.

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Toda Boa Prática Será Castigada – 1

Participo do grupo Comunidade da Inovação no Linked In. É extremamente bem representado, com gente inteligente e brasileiros em sintonia com a realidade do nosso país. E lá as discussões ganham forma e relevância. Nos últimos meses tem sido inspirador e interessante participar de um fórum que procurava responder à seguinte pergunta:

Alguém acha possível gerenciar e fomentar o processo inovativo de uma organização sem sistematizá-lo?

A linha de defesa era de que faltavam ferramentas para transformar a inovação em algo simples. O que está em jogo – não só na teoria como na prática, é a necessidade de um postura de inovação, que seja contínua, imersa, auto geradora e sustentável. Será isso possível?

Toda a vez que ouço algo como ‘temos que sistematizar’ ou “vamos criar uma metodologia”, tenho convulsões. Realmente eu me tornei avesso a qualquer tentativa de se esquematizar processos, engessar procedimentos, parametrizar comportamentos … No bojo dessa iniciativa está o tratar o ser humano, a equipe, o seu pessoal, como RECURSOS e não como gente, que são talentos, se compõem de inteligência e alma.

Christopher Locke, co-autor do Cluetrain – O Manifesto da Economia Digital, escreveu um outro livro que sombreado pelo sucesso do primeiro passou despercebido pelas escolas e empresas – e é óbvio pelas pessoas que distribuem o poder. Trata-se do Marketing Muito Maluco – Vencendo com as práticas menos convencionais. A tradução (e o contexto brasileiro) perdeu boa parte da perspicácia do pensador e crítico norte-americano. A começar pelo título na obra original (veja aqui). Locke traz em sua bagagem corporativa, a participação em projetos de Inteligencia Artificial. Após uma crise existencial percebe que a fórmula de Dr. Jenkins condena o nosso futuro. E daí numa epifania destrava as amarras que o ligava ao sistema para viver à parte dele. E escreve Gonzo Marketing (este é o nome original) – uma contrapartida e sacada ligada ao conceito do jornalismo Gonzo.

Aqui abro parentesis. Vou ficar em dívida com você meu leitor. Um post especial sobre o termo Gonzo e suas implicações na sociedade e como isso foi inspiração para título do livro de Locke. Trata-se de algo que para a cultura americana tem profundos significados, e mais ainda para aqueles, que como eu, praticamente passaram dos 50 anos de idade. Aguarde! Fecho parentesis.

O que Locke insiste é que o caminho da vitória (ou seja a ruptura e inovação) está nos “worst practices” – ou seja nas piores práticas.

Ao refutarmos o caminho do rebanho, aquele que pode ser formato, reproduzido e imitado, nos distanciamos da sindrome da commoditização. Sermos iguais, reduzidos à norma (normal) ao padrão (comum), à média (mediocre).

Toda a boa prática será castigada. O futuro do seu negócio e da sua carreira vai estar em risco. Uma boa dose de loucura é o antídoto certo para a mesmice.

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