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Gerações Brasileiras e Americanas

Sim! Nós temos as nossas gerações. Sim! Podemos chamar de Gerações Brasileiras – e com muito orgulho.

pelé tri

A seguir compartilho o quadro que elaborei para responder à primeira provocação do Decálogo “E Se?” (você pode assistir aqui). A insinuação é a seguinte:

E se não houver geração Y, aquela dos americanos, no contexto brasileiro?

A questão que sempre me intrigou e me fez muito cedo abandonar as divisões estrangeiras de grupos geracionais, é que não colava aquelas diferentes denominações sendo carimbadas por aqui. Mesmo com o advento da globalização, há sempre uma preservação de usos e costumes locais que jamais perdemos e outros estrangeirismos que jamais absorvemos. Um outro ponto é a questão demográfica. Os Estados Unidos experimentaram um grande crescimento populacional na década de 1940 (2a metade – após o fim da guerra) e 1950 – com um grande crescimento urbano. Esse tipo de consolidação populacional, somente veio acontecer no Brasil nas décadas de 1970 e 80. Você se lembra da música da Copa no México de 1970 (“Noventa milhões em ação …”). Somente aí foi que experimentamos o nosso boom de bebês.

Veja no quadro a seguir como buscamos explicar o que realmente é nosso em divisões bem realistas e diferentes:

Slide comparativo

Esses insights e outros que estaremos compartilhando faz parte da conclusão do estudo (transformado em livro) AS 16 GERAÇÕES BRASILEIRAS – Uma Análise Contemporânea de nossas Eras e Gerações – de 1683 a 2028.

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Manifestações – haverá continuação?

ImageA seguir a íntegra da minha postagem no FB, uma vez que houve boa repercussão, e é um texto mais reflexivo, portanto mais adequado de estar aqui. Carece de links, mas no primeiro desdobramento (se houver? Haverá!).
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A mídia em geral dá neste domingo grande atenção para as manifestações que ocorreram nos últimos dias em diferentes cidades do país. Vou tentar jogar um pouco de luz a esses eventos.

1. As manifestações que tem acontecido no mundo inteiro há mais de um ano e meio, não tardaria a chegar no Brasil. Em grande parte conduzidas por jovens de uma nova geração. Apesar dos distintos contextos de cada país, cultura e situação política, elas trazem características bem semelhantes.

2. Essa situação comum é identificada pela crescente indignação que toma conta das pessoas, ao perceberem a impotência dos poderosos assentados em suas instituições. Eles tem poder, mas elas – instituições são lentas, crescentemente imperfeitas, e sugam o mundo exterior para sobreviver. E desde pequenino se aprende que a solução está no respeito a essas instituições. E que para melhorar leva-se muito tempo.

3. No espectro da juventude, a dissonância do que veem e do que sentem é grande, promovendo no campo individual uma crescente indignação. Mesmo incubada e não manifesta, ela está lá. Passiva mas esta lá. Não entendem o por que da demora, da incompetência, da sem vergonhice. Não entendem como ser passivo diante da corrupção, da ladroagem. Assim fomos nós também em décadas passadas – o detalhe é que na essência há hoje um mundo diferente.

4. O sangue está na fervura. As notícias potencializam o mau cheiro. Posts do cidadão comum – em blogs ou no FB, memes, videos, e comentários ajudam a espalhá-lo. O estado das coisas é de impaciência e intolerância. Basta pouco para provocar dentro da indignação de cada um, uma reação.

5. Os 0,20 é o pretexto inicial, mas o propósito é maior. A fervura do sangue indignado pede uma válvula de escape. “Preciso soltar a minha voz” diz o jovem. Estarei presente na Paulista, na rua, na praça. Vamos ocupar São Paulo, Rio, Brasília. Daí que sabemos sim o que deu inicio, mas não sabemos o que faz o movimento continuar. Há uma multitude de propósitos e razões.

6. Por ser aberto permite a participação. Por ter um objetivo maior: “protestar, se manifestar, soltar a voz” a identificação é automática. Daí com toda essa facilidade é natural que o movimento ganhe corpo. Essa oportunidade acontece na individualização. Cada um tem um motivo, mas o meu motivo se soma ao seu motivo. Ao final teremos um ‘motivão’. Isto basta para sairmos à rua.

7. Não há lideres nos movimento. E é isso que faz ele crescer. Se imitar a instituição, o movimento imediatamente perderá força. Enquanto forte, ele é aberto à participação, auto-organizado e auto coordenado. O movimento sai às ruas. E é nesse evento que temos o rito da passagem (sem trocadilho) representado pelo local. “Eu tenho que estar lá!” o jovem conclui. A praça – ou a Avenida Paulista – é o clímax a dar concretude à ação. “Me tornei um ativista de verdade.”

8. Daí vem a Mídia e a Polícia. Entram em cena dois coadjuvantes poderosos porém totalmente rendidos à situação. Não conseguem definir pró ativamente seus papéis e se perdem diante de um fato novo. É claro que a Polícia sabe lidar com distúrbios. É claro que a Mídia adora cobrir eventos sensacionais. No entanto há uma armadilha aí a enredar ambos (e porque não incluir aqui os pais dos manifestantes tentando acompanhar à distância?). Nesse ambiente não haverá neutralidade. Pouco importa o que acontece na periferia da manifestação. Ou melhor pouco importaria. O que vale é o núcleo rompedor que não reconhece como justas e válidas as regras vigentes, seja de participação política ou de transformação institucional.

9. Se no início estavam passivos (Mídia e Polícia), agora entram como cúmplices de algo maior. A ação de reprimir fermenta a massa, gera espetacularização, e fortalece tanto a narrativa em tempo real – como traz histórias tragicamente fantásticas (policial quase linchado, jornalista flagrada após ferimento no olho – por exemplo). Não há mais periferia. Tudo é um só centro, mesmo espalhado e disperso.

10. Os eventos sucedâneos vem para enriquecer a viralização do movimento. A ‘jaborização’ é seguida por um desdobramento de respostas meméticas, quer em foto montagens, videos editados e manifestos individuais. Opa voltamos a ele – o individuo, tem voz, e quer usá-la para soltar sua indignação diante de um mundo desgastado com suas instituições moribundas.

Por essas razões entendo que o movimento continuará a crescer.

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Confiança e cultura empresarial

Os peões como peças de um jogo

A base de um bom relacionamento é a confiança. Diria mais: confiança mútua. Num esforço orquestrado, a AMBEV inicia campanha voltada para seu público interno, mas que intenciona repercutir no mercado de maneira geral.

Há sem dúvida uma preocupação com sua imagem, fruto da prática recorrente que moldou sua cultura extremamente agressiva. Que ao final revelou uma obsessão por metas custe o que custar. E antecipo – nada a ver com o inovador programa televisivo que manda muito bem junto aos mais jovens.

A matéria na Folha (FSP 23/07/2010 B4) joga luz na questão. A AMBEV, pelas palavras de seu diretor vice-presidente, “é uma empresa que confia nas pessoas e que acredita que elas podem fazer a diferença”.

O que de fato sabemos é que as histórias que circulam no mundo corporativo e que tem caído nos ouvidos do povo, tem revelado o muito de uma cultura que extenua a exaustão o princípio da burocracia, transformando profissionais em meros peões. O paradigma máximo está no alcance das metas. Assim, todo esforço de execução e desempenho – seja individual ou de grupo – anula qualquer sentido de humanidade, elimina o espírito colaborativo e expulsa o significado do trabalho diário.

Homens sem alma não necessitam de confiança. Ao se promover um agressivo regime de metas em detrimento de detalhes (justificando inclusive os meios), a AMBEV tem conquistado excelentes patamares de sucesso e lucratividade. No entanto, faze-lo sem construir uma cultura de valores é um tiro no pé.

Aguardemos os próximos capítulos.

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O Fator Cultura

Por Cultura, entendamos que trata dos valores e costumes de um povo. E é nesse vetor que as mudanças ocorrerão sempre. Com um detalhe a acrescentar: a velocidade propiciada pelo mundo digital.

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Pracinhas brasileiros no Haiti

Brasil representa a ONU

Pegue os EUA com o mais bem equipado, treinado e sofisticado exército da história. Sei que tamanho não é sinal para ser o melhor. Mas eles estão anos luz à frente de qualquer outra força de guerra nos mais diferentes aspectos. Mas nem tudo é vitória. Não basta o exército para resolver situações de crise – exatamente porque nem todas as crises são resolvidas pela força.

Pegue o Haiti em 2004. O contingente americano tentando intervir junto a sua população com mando da ONU. Resultado: zero! Uma guerra perdida. Chega o Brasil do Lula boa vontade, com o futebol da alegria, com as tropas brasileiras da simpatia. Resultado: dez.

A chave que se desenha aqui é o da cultura participativa, em seus diferentes canais. A grande mistura Brasil-Haiti aconteceu nos pontos de sobreposição. Quem melhor entende de favela, falta d’água, pobreza, inaptidão administrativa-pública, sentimento de família … enfim – pode dar mais um exemplo aí.

Repito – a chave é a cultura.Os agentes de mudança (pracinhas brasileiros em nome da ONU) obtiveram sucesso pois representavam uma cultura com muita intersecção que criava pontes do passado para o futuro. Daí que escola, lar, mercado, e sociedade serão cada vez mais influenciados e moldados conforme a atuação dos agentes nas intersecções. Onde eu estou e onde você está nessa rede (literal) fará toda a diferença.

Cultura Participativa é um dos temas chaves que abracei – e será frequente por aqui. Vamos estudar juntos?

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