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Inclusão Digital

O maior desafio apresentado à Sociedade nos dias de hoje, seja provavelmente a questão da inclusão digital. Digo isso após ter participado do programa Vejam Só da RIT ontem à noite, sob o comando de Éber Coccareli.

Ao me convidarem, anteciparam que o tema seria em volta da questão: “Não uso Orkut, Twitter nem Facebook – sou normal?”

A resposta óbvia – dependendo de sua idade – seria: “em que mundo você vive?” Mas gostaria de pontuar algumas coisas adicionais relacionadas ao equilibrio da inclusão digital.

Ponto 1 – Quem não estiver incluso não terá ‘vida social’ – no sentido amplo e abrangente. Compromissos, eventos, comunicados, mensagens e recados transitarão quase que exclusivamente através dessas redes. Elas serão a nova praça das pessoas.

Ponto 2 – Quem não estiver incluso não conseguirá educar, cuidar e até se comunicar com seus filhos. Pais de filhos nativos digitais se cuidem! Sem o mínimo de envolvimento nos mesmos ambientes que os mais novos transitam e vivem … os pais perderão o contato e com isso boa parte da comunicação, da supervisão e participação de e em suas vidas.

Ponto 3 – Quem não estiver incluso não conseguirá ajudar familiares, amigos e outros no desafio de suas jornadas pessoais. Esse comodismo de não se adaptar ao mundo moderno fará do indivíduo um hermitão sem poder de influência no mundo que o cerca.

Ponto 4 – Nem todo mundo que está incluso mantém equilibrio no uso das ferramentas sociais e no tempo de dedicação a elas.

Ponto 5 – Aos mais jovens, há perigos claros – quer nos jogos, quer nos relacionamentos, quer nas influências que encontram na internet. E deixá-los totalmente livres ou totalmente bloqueados não é solução.

Ponto 6 – Todo o profissional que se preza tem que ter seu perfil submetido a uma rede social (do tipo LinkedIn). Por causa das demandas empresariais, há uma forte migração no uso desse ambiente pelo RH: novas oportunidades, busca de profissionais, recolocação, confirmação de reputação, verificação de experiência … Enfim será o cantinho da praça(que se ajunta virtualmente) para resolver as questões de empregabilidade e recrutamento.

Ponto 7 – Impossível crescer e se desenvolver como pessoa com hábitos atrelados ao passado. Mantendo dependência exclusiva nos meios analógicos de compilação de conteúdo e conhecimento (livros físicos, material audio visual ‘empacotado’, audição-assistência de aulas e palestras presenciais …) o individuo não estará atualizado e pronto para o mundo. A partir de agora há um fator novo – denominado de Entorno Pessoal de Aprendizado – que se caracteriza por todo o ambiente digital que (gratuitamente) se disponibiliza para o indivíduo se instruir.

Ponto 8 – Essa discussão vai se encerrar num futuro bem próximo. Discutir sobre isso será em pouco tempo, conversa de loucos. Não se questionará sobre as diferenças ou mesmo a existência de outra possibilidade com o mundo digital. Será tudo uma coisa só – a vida será 100% permeada e intricada nas diferentes camadas. Será impossível separar o que é digital do não digital.

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Chega de mesmice nos negócios

Assim que li me entusiasmei em traduzir este artigo NO MORE BUSINESS AS USUAL de Jay Cross

“Faz parte do negócio” – Vito Corleone (O Poderoso Chefão)*

Em Stoos na Suiça 21 pensadores empresariais discutiram o futuro

O mundo dos negócios está mudando e o aprendizado deve acompanhar as mudanças.

Rígidas, as empresas da era industrial não conseguem manter o ritmo das mudanças. A primavera dos clientes, a primavera dos acionistas e a primavera dos trabalhadores podem acontecer a qualquer momento. Todo mundo está irado até o último fio de cabelo. Ninguém agüenta mais.

Quão ruim pode chegar? A vida útil das empresas nunca foi tão curta. A maioria dos empregados esta frustrada, infeliz e descompromissada. Nunca antes investidores e acionistas receberam dividendos tão baixos. A clientela não agüenta mais serviços tão medíocres. Nestas últimas quatro décadas o retorno sobre o patrimônio tem declinado anualmente. A única tribo a ganhar dinheiro é a dos CEOs. E é praticamente unanime que essa remuneração é obscena e imprópria. Não dá para continuar assim.

E agora?

Muitos tem sugerido que os negócios operem de maneira diferente.

Social Business, Enterprise 2.0, Radical Management, the Connected Company, Living Networks, Management 3.0, e Working Smarter sugerem técnicas do tipo: colocar o cliente no comando, semear a Inteligência coletiva, equipes auto organizáveis, tempos velozes nos ciclos, colaboração, transparência, abertura (openness), agilidade, confiança mútua, resposta a feedback, organização debaixo para cima (bottom-up), aprendizado entre pares, cultura web 2.0 e otimização de redes. Até hoje a maioria das pessoas que atua elaborando esses temas, agia de maneira independente.

A Reunião em Stoos

Na semana passada, um grupo de 21 pensadores se reuniu no topo de uma montanha Suíça para, em colaboração buscar formas para desatar esse nó. Nosso site conta a história.

A visão que evoluiu é que as organizações de sucesso do futuro se tornarão redes de aprendizado com seus indivíduos criando valor. Eles serão os mordomos dos viventes. Esta foi uma grande ruptura com o passado – e uma oportunidade para que profissionais de L&D (Aprendizado & Desenvolvimento) se tornem contribuintes vitais em suas organizações.

O aprendizado não será mais opcional

A melhoria continua e o encantamento de clientes vão requer uma cultura permeada pelo aprendizado. Não se trata de salas de treinamento e workshops. Criar uma nova ordem no mundo dos negócios exigirá ecologias do aprendizado – o que temos chamado de ‘Workscapes’ – que torne simples e agradável para que as pessoas aprendam o que precisam para executar seus trabalhos. As empresas que fracassarem no aprendizado vão definhar e morrer.

À medida que os negócios se tornam cada vez mais sociais, os profissionais de L&D estão diante de uma tremenda escolha. Eles podem se manter como Chief Training Officers (executivos do treinamento) e instrutores que preparam novatos com rapidez, entregam eventos solicitados pela cartilha, e dirigem academias empresariais. Essa turma com o tempo, perderá cada vez mais o passo da dança.

Ou eles podem se tornar líderes empresariais que moldam culturas de aprendizado, redes sociais, práticas colaborativas, fluxos de informação, gerenciamento federado de conteúdo, apoio de performance Just-in-time, mecanismos de feedback de clientes, e estruturas de melhoria contínua.

– – – –
*Nota – ao que consta essa fala é de Tom Hagen à Sonny explicando o motivo por terem atentado contra Dom Vito Corleone

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A Receita de um Chef

Alex Atala - considerado melhor chef por seus pares

Não se trata de um prato principal elaborado. Não é uma receita comestível. É a lição de sucesso profissional e o que podemos aprender com ela.

Em matéria de capa da Vejinha de São Paulo desta semana, destaque é dado aos Chefs dos melhores restaurantes da cidade. O que traz de interessante nessa leitura é a descoberta do que se passa pela cabeça de um Chef, assimilando dicas para a carreira do profissional.

Independente do seu tipo de trabalho, função ou responsabilidade – vai aqui algumas lições para o profissional:

1. O Chef sabe que é vocacionado para sua atividade. Encara o seu dia a dia, que é estafante com tremenda energia. É um pouco da característica “faço isso como uma missão de Deus”.

2. A paixão e o amor pelo que faz é outra característica chave. Ama a sua profissão e a sua rotina.

3. Extravasa arte, criatividade e inovação. Isso ‘alimenta’ sua postura de compromisso e fortalece as duas primeiras lições já descritas acima. Para o Chef, a segunda melhor coisa em ser cozinheiro é poder elaborar pratos inovadores. A primeira melhor coisa é a resposta óbvia: servir boa comida. Não se contenta em fazer o básico portanto. Quer ir um passo além. Essa atitude de artista-criador tem muito a nos ensinar em como ser um profissional inovador.

4.  O Chef é acima de tudo um autodidata. Ou seja o motor da inovação efetiva é a sua curiosidade, sua sede pelo saber, seu interesse incansável em aprender e em crescer na profissão. No mundo de hoje, das tansformações à velocidade da luz, onde novas demandas diariamente nos surpreendem, e a improvisação é uma competência vital, o autodidatismo torna-se a chave para o sucesso.

5. Ser um aprendiz. Muito antes de se tornar um Chef, a maioria deles atuou com outros Chefs e nesse contato aprendeu e se desenvolveu. Essa atitude humilde e de observação ao líder faz a diferença no aprendizado. Garante em situações futuras lançar mão na memória de como foi o ‘exemplo daquele que me ensinou’.

6. Alimentar-se da adrenalina do desafio e da superação. Abraçar a rotina e os momentos estressantes de pico  com ousadia para sair da situação maior e melhor do que como nela entrou.

7. Fazer sempre tudo com dedicação objetivando a excelência.

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Quem sou eu?

Auto retrato como exercício de reflexão

Antecipo que não sou Psicólogo. Mas a pergunta título reside debaixo de diferentes disciplinas, afora a Psicologia. Abrange também a Filosofia, a Sociologia, a Teologia e – por que não o bom senso.

Saber quem eu sou – no sentido de entender e definir o meu próprio ser, é ponto fundamental da existência de qualquer ser humano. “Conheça-te a ti mesmo” vaticinava Sócrates a partir do saber e do conhecer, sem imaginar que incorporaríamos (milênios depois) o processo do descobrimento à Psicologia.

Desvendar-se para si e para o mundo tornou-se vital no mundo de hoje. A começar pela carreira profissional. Como fazer o seu Marketing Pessoal se a lição de casa está incompleta? Como se apresentar bem, ‘se vender’ diante de uma entrevista de emprego, sem uma noção clara do seu ‘eu’?

Marcus Buckingham e outros estudiosos tem levantado a bandeira da descoberta pessoal dos pontos fortes. Enfatiza esse autor, que serão seus pontos fortes que o levarão a algum lugar. Menospreza radicalmente o aprimoramento de pontos fracos – ausência de perfil e traços claros que rivalizam o que sou de fato. Neles (pontos fracos) nada se construirá. Insiste em atuar com os pontos fortes que o destacam e o caracterizam como potencial profissional e talento individual.

Faz parte desse processo de descoberta, mecanismos que nos ajudam a olhar para dentro. Tenho recomendado a milhares de participantes de minhas palestras e oficinas, a adquirirem o livro Descubra Seus Pontos Fortes (Clifton e Buckingham – Editora Sextante), pois como brinde o leitor tem direito a um teste individual que fornece 5 áreas temas que são dominantes na definição de seus talentos. Faz parte de um trabalho muito pormenorizado feito pela equipe do Instituto Gullap tendo à frente Dr. Clifton – co-autor da obra.

Faz também parte do processo a reflexão. Olhar para si, para suas realizações e conquistas, seus impedimentos e falhas, suas próprias limitações, seus gostos e interesses. Mas isso tem que ser um olhar ‘hard’ e não ‘soft’. Ou seja – se isso é importante, tem que se gastar tempo. Dedicação e exclusividade para si, isolando-se da agitação e de outras pessoas.

Faz também parte desse processo – porém com peso menor – ouvir as outras pessoas. Focando de maneira bem seletiva, aquelas que lhe querem bem e são sinceras.

Mas no fundo, creio que o ponto crucial é convencer-se. Olhar no espelho e dizer para si: “Ok! chegou a hora. Vamos ver direitinho quem é você que olha desse jeito!”

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Treinamento versus Aprendizado

Aprendizado atua diretamente no grupo

Volto ao tema da Educação Corporativa. E mais uma vez sou obrigado a pegar um gancho com o professor Vicente Falconi. Na Exame desta quinzena (#988) ele traz um desafio interessante: “Sua Empresa é uma escola?” – e desenvolve seu argumento pró qualificação interna da equipe. Antecipa inclusive a réplica para a desculpa muito comum de que não vale a pena investir em funcionário que poderá abandonar seu empregador para ir para a concorrência. Suas respostas alinham com a questão da qualidade. Uma vez dentro da empresa, e participando do processo de resultados, não qualificar o colaborador é tiro no pé.

Eu iria um pouco além. Argumentaria que há pelo menos três razões adicionais para formar o seu colaborador. Primeiro que ao se enfatizar o aprendizado busca-se a transformação – coisa que o treinamento não garante. O aprendizado, por sua vez,  desenvolve o indivíduo, lhe traz progressos de repercussão imediata. O aprendizado traz um sub produto deveras interessante que é o gosto pelo ambiente e a vontade de quero mais. Atua então diretamente na lealdade do colaborador.

Outro ponto, é que treinamento não gera coletividade, e aprendizado sim. Logo o indivíduo que aprende tem ligação direta com o time, com a equipe, formando o Ethos da empresa. E isso ninguém leva embora.

Uma terceira razão para que toda a empresa tenha no seu DNA o gene da formação e da qualificação de seus colaboradores enfatizando o aprendizado (individual e coletivo) é que o próprio ato de aprender deve estar na sua missão. Mundo complexo, veloz, em demanda de inovação … O que isso nos leva? Equipes orgânicas, vivas, que aprendem e se superam.

Realmente o Aprendizado é muito superior ao Treinamento!

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