Como desatar um falso nó (4)

É hora de se construir uma doutrina brasileira das Gerações

Esclareço que minha intenção é realmente levar a discussão sobre as Gerações Brasileiras a um outro patamar – digamos uns 4 a 5 níveis acima do que encontramos nas terras brasucas. Isso porque, como tenho enfatizado nas minhas postagens anteriores desta série (parte 1, parte 2, e parte 3) – usar o termo “Geração Y” é um desserviço. Virou panacéia, esconde a superficialidade e gera uma sensação mágica  – porém falsa nos ouvintes e leitores.

As gerações existem, sim elas existem de fato. Com um estudo sério, nós podemos dar forma a ações que vão efetivamente:

  • Auxiliar a integração na Empresa;
  • Aperfeiçoar as atuações em equipe;
  • Minimizar conflitos e embates organizacionais;
  • Fomentar a criatividade e a tensão saudável;
  • Preparar os mais novos de maneira adequada e pertinente;
  • Colocar as vantagens das diferenças etárias a favor dos objetivos operacionais e estratégicos;
  • Promover melhorias e crescimento junto aos colaboradores – independente de suas idades;
  • Levar o país a um salto em Inovação, Tecnologia e Produtividade.

Isso para mencionarmos alguns pontos. Há outros – talvez estes sejam os principais!

No entanto, ao me deparar nestes últimos anos com tanta gente se colocando como especialistas geracionais e despejando conceitos americanos, não trazendo contextualização e sendo nefastos para uma contribuição profunda e séria, conclui que primeiro precisamos sim, desconstruir essa falácia. A começar pelo termo. O termo (não os jovens) – o termo Geração Y está desgastado e ausente de valor próprio. Serve para qualquer coisa – sem dar os por ques, sem dar as fundamentações, e sem colocar a coisa de maneira sistêmica e própria para a nossa realidade – perigas de estarmos rumo a um desastre. E aí teremos sérios problemas!

Ao desatar esse falso nó, vamos liberar milhões de jovens que acham-se definidos por estereótipos que não são verdadeiros. Essa conversa de Geração Y traz meias verdades – e por isso mesmo está incompleta. Que tal começarmos a discutir o que interessa?

Vamos desatar esse falso nó – para imediatamente construirmos um diálogo sério e produtivo!

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3 Comentários

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3 Respostas para “Como desatar um falso nó (4)

  1. Vamos lá então, tentar ajudar a desatar esse nó, antes que o nó passe a ser para a corda da forca. Esse assunto me interessa como professora que ensina há 30 anos, portanto tenho pelo menos virado uma geração, se aqui levarmos em conta a medida de 25 a 30 anos para uma geração, segundo o Aurélio. Há ainda quem diga que são 10 anos, outros 6. Enfim, sei que muitos passaram pelo meu giz e o que sei\digo o faço por puro empirismo.
    Por outro lado, sou pesquisadora em final de mestrado, já ensaiando um doutorado, e assim não posso negar a questão: afinal, do que é que estamos falando?
    A questão é local? Falamos de Brasil, mas suas inquietações parecem vir do meio empresarial, das carreiras. Podem ser então que falamos de lados diferentes e desse modo vamos tratar de encontrar semelhanças e diferenças para nosso referente. Do meu lado, a definição para os Ys e os Zs funciona como justificava para nossos problemas pedagógicos. Se tivermos a razão, teremos a solução. Há sim, nesse momento um aluno mais inquieto, porque o mundo está inquieto. Sem paciência para escutar “bobagem”, isso requer de nós, professores, mais relevância e um papel desencadeador de “aquele que orienta” e não é o dono da verdade. Isso é sim global nas leituras de Lino de Macedo, Perrenoud (fala das competências para ensinar no século 21) e Morin (os sete saberes necessários à educação do futuro). Enfim, muito do que é descrito como geração Y e Z vale no meu meio. Vale, mas não é o essencial (antes que você queira me exorcizar), não é – e não pode ser – nosso paradigma. É uma informação para ser observada e considerada, se for academicamente saudável. Resumindo, explica, mas não justifica procedimentos ou tolerância. Aprender requer concentração, silêncio. Interar-se da informação requer mais cuidado e conhecimento. A internet, mais que o papel, aceita tudo. Está cheia de falsas verdades, engodos, e sobrecarregada de informação. Cabe à escola ensinar a lidar com isso. Infelizmente quase não tenho visto essa preocupação. Somente aceitam a nomenclatura dos Ys e Zs para justificar a impossibilidade de ensinar.
    A questão é temporal? De que época estamos falando? Já falei isso no meu primeiro comentário, a geração baby Boomer não tem nada a ver com o Brasil. Embora a guerra fosse mundial, aqui a coisa era outra. O mesmo vale para a geração X (esse seria a minha), mas enquanto os EUA viviam a revolução sexual, nós aqui vivíamos a repressão ditatorial. Totalmente opostos. A geração Y, a do meu filho, já começa a se delinear pelas vantagens da globalização e da abertura para o mundo. há algo de semelhante. O que disso sei é por causa do contato direto que tenho com jovens sul-americanos e americanos e alguns da Europa, isso por causa do Projeto Generation da Aglow International, organização que represento no Brasil. http://www.aglow.org e http://www.aglowbrasil.org . Há sim muito em comum entre eles. Mas volto a dizer, não é essencial, é circunstancial. São respostas para uma mesma condição globalizante. Não são, e não podem ser, estanques. Há o fator local e o contexto que são, muitas vezes, mais determinantes.
    A geração Z, geração da minha filha, é ainda mais semelhante globalmente, isso porque as distâncias foram, no últimos anos, tremendamente encurtadas. O mundo está cada vez mais semelhante. Os hotéis são iguais no mundo inteiro. A gente anda pelos shoppings e lojas, são todos iguais, fecho os olhos e finjo que estou na Macy’s de NY, a realidade vem só pela língua. Minha filha, além de seus amigos próximos, conversa com gente de tantos outros lugares do mundo com tal naturalidade e identidade, compartilham suas ideias e gostos. Mas reitero: isso não é e não pode ser o essencial.

    A questão é social? De que estrato social estamos falando? Estava ouvindo o Ari, e ele mencionou que enquanto alguns estão na era do digital, da leitura e escrita sem papel, há ainda muita, muita gente (não me lembro o quanto) sem acesso ao papel escrito de Gutemberg, porque não sabem ler ou escrever, ou o fazem muito mal. É esse nosso verdadeiro Brasil. Eu lido com esta antítese diariamente. Estou no contexto da escola pública e de uma particular de alto nível. Na minha ação pastoral, convivo com cristãos de alto nível (como você) e com cristãos lutando para sair da ignorância e da miséria, principalmente da exclusão intelectual. Para isso, com certeza, não existe x, y, e z. Só existe a realidade e o descaso, tanto por parte dos setores econômicos, como do setor público e, infelizmente, também dos cristãos e da sociedade de modo geral.

    A questão é existencial? Enfim, acho que dei um nó em cima de outro nó. Fiquei preocupada quando vi o tema do Encontro de Líderes do JV. Pensei, meu Deus, e se isso contaminar a igreja como sendo agora a bola da vez. Já imaginei projetos e mensagens …como evangelizar a geração Y?….ahh deu calafrio. Mas como conheço bem o povo do JV (minha formação teológica é de lá), tentei me acalmar. Por via de dúvidas, resolvi escutar a ministração do Ari, de sábado de manhã. O que será que o mestre iria dizer sobre geração X e Y? Como ele sempre nos surpreende, embora saibamos que ele é, naturalmente, surpreendente, não falhou. Sua palavra foi densa, profunda de forma a provocar no povo uma quantidade enorme de conceitos e posicionamentos para digerir. Vale a pena assistir. Live Show [livestream] Sat Jun 4 2011 08:14:52 PM on Jovensdaverdade – live streaming video powered by Livestream
    Retomo algumas ideias dele. Ele falou da nossa necessidade de se reiventar, de nos distingirmos (uma geração da outra), de acharmos que há uma época melhor do que a outra, sem considerar que somos hoje o passo dado ontem. Que tal geração chegou mais perto…perto do quê?….Na verdade buscamos por significado. É momento de não se ter respostas, mas sim, perguntas. Quais perguntas estão sendo feitas? Muitos cristãos não admitem questões. Todas as gerações, segundo o Ari, se encontrarão quando buscarem sua identidade em Cristo.
    Amplio para nosso assunto: muitos não admitem questões que levantem, de fato, nossa identidade como povo brasileiro. Apegar-se às definições de geração Y,X é uma forma de dar resposta a uma pergunta maior: quem somos como existência? Com certeza esse conceito de geração não dá conta, nem de longe, disso. Tanto no meio educacional quanto empresarial, precisamos ajudar a nossos jovens a se autodefinirem com a convicção do crêem, entendem e esperam da vida. Como falta isso neles! Finalmente, motivada pela palavra do Ari, sugiro, para que o nó seja desatado, que comecemos a fazer perguntas para aqueles que insistirem em fazer do conceito americano de gerações a tábua rasa de nossa identidade.

  2. Volney Faustini

    Inês,
    Como sempre sua contribuição e efetiva e farta. Isso é muito bom. Obrigado pela visita.

    Fui pegar um post antigo, que atende exatamente o que você nos desafia: “Quais são as perguntas?” – pois bem estava lá em Fevereiro este post: https://volneyfaustini.wordpress.com/2011/02/14/perguntas-incomodas-no-tema-geracoes/

    Na verdade tudo deve principiar com perguntas – algumas eu já venho elaborando. Minha expectativa é que agreguemos outras e realmente nos aprofundemos nessa discussão tão importante – como bem você enfatizou.

    Vamos em frente!

    • Obrigada pelo “contribuição farta”..nas entrelinha lê-se falo\escrevo demais rsrsrs
      Na verdade eu já respondi a essas questões do post anterior. As questões que precisamos fazer agora tem a ver com “Do que estamos falando”. Na pesquisa a gente aprende que para refutar é necessário conhecer muito bem a contradição. Creio que, no momento, a pergunta a ser feita (na tentativa de buscar respostas) é o quem dizem ser os Y? e vamos checar – eu do meu lado, você do seu, e quem mais estiver disposto – se isso que dizem deles é de fato o que eles pensam ser ou são. Se não são isso, são o quê? Seria legal se tivéssemos um sociólogo para nos ajudar a pensar. O que acha?

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