É o termo que nos incomoda

Já há mais de dois meses, trouxe à baila algumas perguntas incômodas acerca do meu tema número 1: as Gerações – mais especificamente as Gerações Brasileiras. O post está aqui.

Como venho estudando (lendo muito e navegando mais ainda), palestrando, discutindo e preparando textos sobre isso  – cheguei à uma encruzilhada. Quando procurei me aprofundar, tive que abandonar os textos gringos. E olhei ao redor e pouca gente para conversar com a mente aberta e disposta a aprender (humildade) ao invés de ditar regras (prepotência). Logo me associei a uma das mais competentes cabeças da área de Recursos Humanos no Brasil que é a Eline Kullock do Grupo Foco. Através da Eline, tive o privilégio de conhecer mais de perto um estudioso e pensador holandês que veio ao Brasil realizar intercâmbio. Já postei sobre o Aart aqui

Ortega y Gasset é uma referência certa no entendimento das gerações

>.

No outro lado da margem, muita gente ditando regras tiradas não sabemos de onde.

Minhas reflexões e aprofundamentos se intensificaram. Algo gritava dentro de mim que precisava colocar alguns pingos nos ‘is’.  Por isso que iniciei a discussão com “Perguntas Incômodas”. E nesse processo já trouxe mais duas aliadas. Suas observações são importantes. Comecemos com a Inês:

Há muito tempo, antes de as “gerações” assim classificadas serem tão famosas, eu já tinha lido sobre isso. Foi numa busca na net que, sem querer, me deparei com um artigo em inglês. Não havia ainda nem a geração Z.
Minha primeira impressão foi justamente esta: será que isso serve para nós? Conclui que talvez não, de modo totalizante; se bem que nada pode se esgotar ou se prender numa classificação, haja vista as exceções.

O ponto de partida é exatamente esse. As gerações é algo universal e tem estado presente desde que o mundo é mundo. Logo temos nós as nossas gerações. Mas – certamente sim – não serve para nós de maneira acabada e definida (ou seja há que se fazer uma contextualização, no mínimo).

A geração babyboomers – em que me encaixo – não tem mesmo nada a ver com o nosso pós-guerra. Talvez pudéssemos dividir em duas partes essa geração: que sofreu as circunstâncias da guerra (ouvia muitos relatos de minhas avós sobre isso) e a que sofreu a repressão ditatorial (minha geração).
Já a geração Y, de maneira geral coincide muito com o que descrevem. Constato isso nos meus alunos de classe média-alta. A geração Z – os nativos digitais – também. (Não sei se é isso que você está chamando como geração X…já me perdi no alfabeto rsrsrs)
Disso tiro duas conclusões:
Primeiro: o que é observado sobre as gerações vale para uma elite global dominante. E, justamente por causa disso, e pela forma como a rapidez da informação cria culturas praticamente indiferenciadas, pode-se dizer que essa classificação é aceitável.
Segundo: Os excluídos sempre serão excluídos também dessas classificações, uma vez que os parâmetros são tomados pelo modelo próspero globalizado.

A questão dos Babyboomers já sabemos que não tem justificativa. As coisas se complicam quando vamos para  gerações mais novas. Opa! Aqui realmente há muitas semelhanças. E infelizmente tem muito aventureiro aproveitando essas felizes coincidências para definir: “somos iguais” – quando toda a criança de 3 anos sabe que não é bem assim.

Essa sopinha de letras também é nefasta – e aí sigo alguns críticos americanos. É muito fácil criar estigmas com carimbos.

Há ainda há uma terceira conclusão, que talvez derrube todas as anteriores. Não há limite de idade para ser um babyboomer, um Y ou até um Z. Eu mesma dou um baile de tecnologia na maioria de meus alunos do EM, faço várias coisas ao mesmo tempo, estou conectada 24h e enfrento qualquer parafernália digital, sem medo de ser feliz. Conheço vários cinquentões assim. E então somos de que geração? babyboomersXYZ!

Entendo e concordo com você, Inês nesse aspecto do vetor digital – apesar de alertá-la que há controvérsias. Mas se ficarmos no tópico das gerações, aí sim temos que elaborar com mais clareza nossos pressupostos. Apesar de desprezado aqui no Brasil, os estudiosos de sociologia trabalham com a identidade de grupos que se manifestam na história através de ondas – identificadas como grupos geracionais. Há bastante teoria para se trabalhar e comecemos estudando Ortega y Gasset. Faço com ele, parte do meu cardápio diário.

Também trouxe contribuição à discussão a Cláudia Nunes:

Volney vc me assustou agora. Os conceitos de Nativos e Imigrantes digitais são americanos, isso é um fato, é Marc Prensky. Eu os uso como parametros para tentar entender as diferenças cognitivas e comportamentais que venho observando em meus alunos. Com quase 20 anos de ensino médio, eles estão chegando completamente diferentes. Tem muito mais informação, acessam os mais variados recursos tecnológicos, mas não sabem o que fazer com isso além de se divertirem. Em relação a minha geração, a questão do tempo, de reflexão, de estudo, de entendimento, de espera mesmo, é grande e campo confortável para agir ou se superar. Minha geração para para pensar. A geração atual experimenta mil pensamentos.

Minha primeira intenção é provocar. Se consegui isso – estamos caminhando bem (rs). Mas eu creio na validade do conceito de Prensky – apenas creio que ele se aplica de maneira mais indiscriminada nos Estados Unidos e nem tanto aqui no Brasil. Há um escalonamento socio-econômico e regional. Mas com certeza é um vetor a trabalhar (impulsionando e diferenciando) a onda dessas gerações mais jovens. Creio também que temos que levar em conta que cada geração deve ser dividida pelo menos em 4 fases distintas: (a) nascimento, infância e juventude 0 – 21; (b) jovem amadurecido – 22 a 41; (c) adulto pleno – 42 a 61; e (d) senioridade ou terceira idade – 62 a 82+. Há quem considere que dada a longevidade se ampliando, haverá em breve uma quinta fase dos ‘pós-terceira idade’.

A Cláudia continua:

Não os olhos com a radicalidade basilar dos dois conceitos mas eles me ajudam a entender essas e outras diferenças que percebo constantemente. Mas agora vc me assustou. Se os europeus não usam esses conceitos ou essas nomenclaturas para apontar as gerações que interagem ou não com as novas tecnologias, como ele analisam a relação entre gerações, por exemplo, nos meios educacionais… Desculpe se pareço tola mas mesmo nao aceitando os conceitos como finais, eles conseguem me dar os ajustes necessários a meu olhar social e educacional. Existe livros ou texto já incorporando essas suas questões? ou alinhavando novos conceitos ou procedimentos de análise??? Estou muito interessada…

Grato por seu interesse. Também estou muito interessado. É muito agradável ter você e a Inês na conversa. Os portugueses utilizam o conceito de Prensky – mas como tudo que vem dos Estados Unidos é visto com ceticismo pelo Velho Mundo, aparentemente o X e o Y não é assim tão fácil de ser engoligo. Como também respondi acima, vamos tomar cuidado com a aceitação pura e simples dos divisores e das nomenclaturas pois, apesar de fazerem sentido de início, quando se aprofunda, a gente vai encontrando cada vez mais dificuldades!

Nas próximas postagens vamos trabalhar as fontes, e buscar ferramentas que nos ajude a melhor definir a questão. Se vocês, Inês e Cláudia, e também o leitor que nos acompanha, tem contato com grupos geracionais, vou lhes pedir para me ajudarem em pesquisas impressas. A tabulação faremos em conjunto ou por aqui. E é claro vamos dividir e compartilhar as descobertas. Além disso vamos abrir uma série de pesquisas on line.

Para encerrar quero dizer que – antecipando o domingo, vocês foram uma mãe para mim. Ganhei o fim de semana. Muito obrigado.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s