Perguntas Incômodas no Tema Gerações

Este post é uma auto crítica no tocante ao tema das Gerações. Pode ter um tom de desabafo, mas antecipo que estou me contendo e focando no ‘mea culpa’.

Utilizei no passado recente, as divisões das gerações (em apresentações sobre os nativos digitais) rezando pela cartilha americana. Errei, confesso e peço desculpas. E agora me apresso para discutir e oferecer alternativas para tal.

Me sinto hoje, na obrigação de ser uma voz discordante com relação ao senso comum que domina em terras brasilis o tema em questão. Há muita gente que se diz especialista em Gerações, Geração Y, Nativos Digitais – mas que está prestando um desserviço ao mercado. Há inúmeros asteriscos a serem colocados em nossos slides. E já comecei a esclarecer fazendo pequenas mudanças em meus arquivos de power point.

Vou elencar alguns erros (os quais abandonei) que estragam a seriedade que o tema exige.

1. Por que usar o termo Babyboomer para definir uma geração brasileira que não tem paralelo algum com a americana? Esse fenômeno foi americano e ao pós guerra. Tinha a ver com a forte urbanização que se instalava em muitas cidades dos Estados Unidos.

2. Será que o ‘ano de corte’ é mesmo 1946 e 1964? Em que base podemos afirmar isso?

3. Os Y’s – geração Y – tem a data de corte em que ano? Em que base? Já podemos ‘fechar’ esse grupo?

4. Como considerar a inauguração da verdadeira geração digital para o Brasil – levando-se em conta que há muita desigualdade social e limitações para a imersão e a inclusão de considerável parcela da população?

5. Existe uma Geração X no Brasil – na mesma base que a americana? Igualzinha – sem tirar nem por?

6. Você sabia que essas divisões de geração (nomes e anos) não são aceitas pelos europeus?

A discussão está iniciada. Nos próximos posts compartilho algumas das conclusões que estão se cristalizando. Mas estou aberto. Faça e deixe um comentário para que a conversa se enriqueça.

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8 Comentários

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8 Respostas para “Perguntas Incômodas no Tema Gerações

  1. Há muito tempo, antes de as “gerações” assim classificadas serem tão famosas, eu já tinha lido sobre isso. Foi numa busca na net que, sem querer, me deparei com um artigo em inglês. Não havia ainda nem a geração Z.
    Minha primeira impressão foi justamente esta: será que isso serve para nós? Conclui que talvez não, de modo totalizante; se bem que nada pode se esgotar ou se prender numa classificação, haja vista as exceções.
    A geração babyboomers – em que me encaixo – não tem mesmo nada a ver com o nosso pós-guerra. Talvez pudéssemos dividir em duas partes essa geração: que sofreu as circunstâncias da guerra (ouvia muitos relatos de minhas avós sobre isso) e a que sofreu a repressão ditatorial (minha geração).
    Já a geração Y, de maneira geral coincide muito com o que descrevem. Constato isso nos meus alunos de classe média-alta. A geração Z – os nativos digitais – também. (Não sei se é isso que você está chamando como geração X…já me perdi no alfabeto rsrsrs)
    Disso tiro duas conclusões:
    Primeiro: o que é observado sobre as gerações vale para uma elite global dominante. E, justamente por causa disso, e pela forma como a rapidez da informação cria culturas praticamente indiferenciadas, pode-se dizer que essa classificação é aceitável.
    Segundo: Os excluídos sempre serão excluídos também dessas classificações, uma vez que os parâmetros são tomados pelo modelo próspero globalizado.
    Há ainda há uma terceira conclusão, que talvez derrube todas as anteriores. Não há limite de idade para ser um babyboomer, um Y ou até um Z. Eu mesma dou um baile de tecnologia na maioria de meus alunos do EM, faço várias coisas ao mesmo tempo, estou conectada 24h e enfrento qualquer parafernália digital, sem medo de ser feliz. Conheço vários cinquentões assim. E então somos de que geração? babyboomersXYZ!

  2. Excelente reflexão e oportuna a contextualização, aguardo cenas dos próximos capítulos, abs

  3. Pingback: Tweets that mention Perguntas Incômodas no Tema Gerações | Volney Faustini -- Topsy.com

  4. xealotwp

    Volney, você levantou EXCELENTES pontos em relação a discussão sobre as gerações. Realmente vejo um monte de “especialista” que simplesmente cita livros norte americanos não levando em conta as diferenças sociais. Creio que vários da geração Y Brasileira na verdade se assemelham um pouco com a Geração X norte-americana, ao menos no quesito carreira. Isso é natural já que no passado não tinham a oportunidade de trabalhar em multi-nacionais e vivenciar o corporate world como tem hoje.

  5. Claudia Nunes

    Volney vc me assustou agora. Os conceitos de Nativos e Imigrantes digitais são americanos, isso é um fato, é Marc Plensky. Eu os uso como parametros para tentar entender as difereñças cognitivas e comportamentais que venho observando em meus alunos. Com quase 20 anos de eninso médio, eles estão chegando completamente diferentes. Tem muito mais informação, acessam os mais variados recursos tecnologicos, mas nao sabem o que fazer com isso além de se divertirem. Em relação a minha geração, a questão do tempo, de reflexão, de estudo, de entendimento, de espera mesmo, é grande e campo confortável para agir ou se superar. Minha geração para para pensar. A geração atual experimenta mil pensamentos. Nao os olhos com a radicalidade basilar dos dois conceitos mas eles me ajudam a entender essas e outras diferenças que percebo constantemente. Mas agora vc me assustou. Se os europeus não usam esses conceitos ou essas nomenclaturas para apontar as gerações que interagem ou nao com as novas tecnologias, como ele analisam a relação entre gerações, por exemplo, nos meios educacionais… Desculpe se pareço tola mas mesmo nao aceitando os conceitos como finais, eles conseguem me dar osajustes necessários a meu olhar social e educacional. Existe livros ou texto já incorporando essas suas questões? ou alinhavando novos conceitos ou procedimentos de análise??? Estou muito interessada…

  6. Volney Faustini

    Gente boa que veio contribuir com seus excelentes apartes e comentários: muito obrigado. Acabei me relaxando um pouco em estar mais presente à discussão. Mas me justifico – estou prestes a liberar um pouco mais do que estudei e aprendi nas minhas pesquisas e discussões. Principalmente pegando o aprendizado destas últimas semanas.

    Peço que continuem voltando aqui – e vendo as próximas postagens. E por favor tragam suas contribuições.

    Uma promessa a cumprir – juntar as observações da Inês e da Cláudia e elaborar um post em cima. Podem cobrar se demorar mais do que 48 horas. Contando …

  7. Ok… tudo bem… esperando…1…2…3…4……..

  8. Pingback: É o termo que nos incomoda | Volney Faustini

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