Toda boa prática será castigada – 3

Cenoura & Chicote - Consultores de Incentivo (copyright)

A bola da vez dos próximos anos certamente será a ‘boa prática’ da motivação. Como sabemos, os funcionários são ‘peça’ chave no dia a dia empresarial. É importante que eles estejam sempre bem animados e dispostos a superar desafios e alcançar metas de produção e vendas. Para tanto é importante o uso de ‘cenouras e chicotes’ – se o funcionário atua além do que se imagina, cenouras. Se ficar na mesma, nada. Se ficar abaixo do esperado, chicote.

O grande problema aí – e os teóricos da administração até hoje ainda não rechaçaram de vez com essa analogia, é que não somos burros nem cavalos – somos pessoas. E pessoas tem uma complexidade um pouco superior a desses animais.

Em “O Andar do Bêbado” de Leonard Mlodinow – o autor cita que muitas vezes ficamos enraizado com o modelo mental errado, por não entendermos de forma sistêmica as múltiplas implicações que causam desvios e ajustes em comportamentos. Nos conta ele, que estatisticamente a tendência de melhora de comportamento imediatamente após a ocorrência de uma falha, é quase que absoluta. O chefe que dá uma bronca em seu subordinado logo após um deslize crê – sem sombra de dúvida – que a melhora seguinte se dá por conta de sua iniciativa, e pouco sobra ao funcionário de mérito. Exemplifica esse argumento ilustrando que um piloto de avião ao realizar uma péssima aterrisagem, recebe de seu comandante uma severa advertência verbal. Independente da bronca citada, é mais do que certo que sua próxima ocorrência será excepcionalmente melhor. Isso é atribuído a uma série de fatores: o susto em si, o desafio interno, a vergonha dos colegas, o cuidado adicional, e assim vai. Com bronca ou sem bronca, a tendência inexorável é de melhora.

Outro autor que nos alerta para o erro de se aplicar premiações como se isso reforçasse de fato a melhoria no comportamento é Daniel Pink. Em Motivação 3.0, ele destrói por completo a crença errada de que a motivação esteja atrelada à campanhas de incentivo. Há poucas chances de uma melhora efetiva ou mesmo de se suplantar metas com o uso da técnica do “se-então”. O autor demonstra de forma cabal que o fator chave que impulsiona dedicação a comportamentos complexos do trabalhador de hoje, é diametralmente oposto ao fator das chamadas atividades mecânicas e rotineiras do passado. E nada, a não ser o chamado ‘motor interior’ (drive), é que impulsionará compromisso e esmero.

O autor Alfie Kohn alertava sobre a falácia desse modelo

Hoje temos à disposição farta literatura que nos alerta para abandonarmos esse tipo de prática nefasta que permeia a maioria de nossas organizações. Também como uma panacéia a criação de campanhas de incentivo são no fundo um tiro no pé. Não aprofundam o compromisso, reiteram atitudes superficiais, acostumam mal os integrantes da equipe, e geram um cuidado extra e desviante para o processo em si do que para o fim a que se propõe. Ao final, muita espuma e pouco chope. E quem paga o pato (ou as cenouras) é a empresa e sua liderança voltada para o passado.

Esta é mais uma ‘boa prática’ a nos punir.

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