Considerações sobre a Empresa evil

Há algo intrinsicamente mal na empresa?

O que é ser uma empresa evil? O que me faz considerar uma empresa evil – ou má (traduzindo)?

A gente sabe a princípio – dadas as regras do mercado e do ambiente capitalista em que vivemos – que a empresa tem por obrigação ser lucrativa e enquanto gera caixa, deve procurar se fortalecer. Até aqui o balanço fecha.

Mas o bicho pega mesmo, quando nos referimos aos Valores de uma empresa. É isso mesmo: Valores com o V maiúsculo. Trata-se do que a empresa é em sua essência, na sua verdade diária e interna. E como é algo íntimo, à semelhança do que acontece entre casais, é difícil de se saber.

Abro parêntesis aqui. Leio que o Dolabella se meteu em mais uma confusão.

Voltando. A não ser quando se tornam públicas as ações, conflitos e dramas do que acontece na intimidade das empresas, é muito difícil de bate-pronto saber ou fazer juízo se ela é ou não evil. Há muito engano e dissimulação. Não existem placas, faixas ou bandeiras para se vangloriar da condição de evil. Há exceções, é claro, mas são raras.

Mas consideremos o seguinte: quantas empresas conhecemos onde o discurso é um e a prática é outra?

Há inclusive aquelas que fazem questão de realçar seus discursos sobre as ‘práticas íntimas’ em anúncios de página inteira, com foto e tudo – mas  sabemos que o dia a dia de verdade é outra coisa. Um exemplo que me ocorre é da AMBEV e esse baba ovo institucional extra-endomarketeado à exaustão.

Considero que o fator evil de ser esteja no DNA. Aquilo que cria e sedimenta a sua natureza de ser, e que está vinculado à liderança que lança o embrião da cultura interna. Seja pelo fundador ou novos mandatário. O tipo de bicho que nasce será ou não, evil.

E sim, o DNA se revela de maneira inexorável nas entranhas da empresa. A ordem regimental, o estilo gerencial, o clima organizacional, a forma hierárquica, a perpetuação do poder, o radicalismo meritocrático, coisas que produzem e contrastam claramente entre o que é verdadeiro e o que é mentira.

Ser bem sucedido deve ser uma conseqüência e não o fim.

A empresa que obsessivamente procura o sucesso, o lucro, a conquista – a qualquer preço e sacrifício, semeia vento e ao final vai colher tempestade. Ao fazer isso, desconsidera o fator ontologicamente humano – de que nosso propósito principia e termina em nós mesmos.

Evil para mim são as empresas que transformam as pessoas em escravos institucionais – mesmo que para isso tenham que pagar altos salários.

Evil para mim são as empresas que se dedicam a alimentar suas máquinas organizacionais em detrimento do humano.

Evil para mim são as empresas que egoisticamente sacrificam o planeta – não somente no sentido estrito da ecologia ou da sustentabilidade, mas pela perspectiva da sociedade em que vivemos.

Evil para mim é não construir um melhor amanhã – para seus funcionários, investidores, clientes, consumidores e o mundo como um todo.

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3 Comentários

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3 Respostas para “Considerações sobre a Empresa evil

  1. Gostei, e concordo. Uma empresa que tem no seu produto/serviço final, ou mesmo no SEU cliente os seus objetivos tem todo o potencial de ser uma “empresa evil”. O pior é que dizer que qualidade do produto ou foco no cliente são os objetivos máximos da empresa soa até bem pro “mercado”…
    legal, acabei de concluir minha monografia justamente sobre este tema, no caso, como a comunicação interna pode trabalhar para incentivar os valores “não evils”. A conclusão é esta que você colocou: se não estiver no DNA, não há marketing, campanha ou investimento que dêem resultado, pelo menos a longo prazo.

    Paz

  2. Volney
    Acredito que a pratica dos valores no dia a dia é o caminho para evitar empresas Evil.
    Fiz uma entrevista muito interessante sobre Etica e Valores nas empresas com o filosofo Jean Bartoli.
    Para assistir clique em http://programaalmadonegocio.blogspot.com e clicar no indice ao lado direito.
    Parabens por trazer discussão tão impostante.
    Abs
    Paola

  3. Grande, lá vou eu de novo bancar o radical… o DNA das empresas está ligado à origem delas (todas): o capitalismo liberal vigente (que meu pai chama de selvagem, e eu chamo de burro).
    Não há empresa que não tenha esse “gene” advindo globalização e do “mercado”. Toda empresa trás em si “a marca do pecado”. E tudo o que ela fizer para deixar de ser evil é fadado ao fracasso. A única forma de melhorar o mundo não é pela reforma, é pela revolução, isto é, pela re-invenção do que seja sociedade, liberdade, valores, progresso, sucesso, qualidade-de-vida e todos os outros termos usados maliciosamente pelo sistema vigente e que nos dão a falsa esperança de que é possível manter tudo como está e só melhorar o que não está funcionando direito… Não é o suficiente!!!
    Salvo engano
    (Desculpe o excesso de entusiamo…)

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