Confiança e cultura empresarial

Os peões como peças de um jogo

A base de um bom relacionamento é a confiança. Diria mais: confiança mútua. Num esforço orquestrado, a AMBEV inicia campanha voltada para seu público interno, mas que intenciona repercutir no mercado de maneira geral.

Há sem dúvida uma preocupação com sua imagem, fruto da prática recorrente que moldou sua cultura extremamente agressiva. Que ao final revelou uma obsessão por metas custe o que custar. E antecipo – nada a ver com o inovador programa televisivo que manda muito bem junto aos mais jovens.

A matéria na Folha (FSP 23/07/2010 B4) joga luz na questão. A AMBEV, pelas palavras de seu diretor vice-presidente, “é uma empresa que confia nas pessoas e que acredita que elas podem fazer a diferença”.

O que de fato sabemos é que as histórias que circulam no mundo corporativo e que tem caído nos ouvidos do povo, tem revelado o muito de uma cultura que extenua a exaustão o princípio da burocracia, transformando profissionais em meros peões. O paradigma máximo está no alcance das metas. Assim, todo esforço de execução e desempenho – seja individual ou de grupo – anula qualquer sentido de humanidade, elimina o espírito colaborativo e expulsa o significado do trabalho diário.

Homens sem alma não necessitam de confiança. Ao se promover um agressivo regime de metas em detrimento de detalhes (justificando inclusive os meios), a AMBEV tem conquistado excelentes patamares de sucesso e lucratividade. No entanto, faze-lo sem construir uma cultura de valores é um tiro no pé.

Aguardemos os próximos capítulos.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Confiança e cultura empresarial

  1. O problema é ontológico, não sistêmico. Toda empresa, hoje, é capitalista e movimenta-se em um sistema capitalista, que é desumano, aético, homicida, autoritário e absolutamente burro. Portanto, não há escapatória, o tiro atinge sempre o pé… das pessoas.

  2. Volney Faustini

    Rubinho,
    Não me considero em condições de entrar nessa seara de discutir o capitalismo como sistema em si. Creio que estamos todos assim envolvidos, apesar das injustiças e problemas que o sistema promove. Qualquer que seja o sistema.

    Mas me considero em condições de apontar para a Administração (como disciplina) e criticá-la em base nas injustiças que as metodologias adotadas promovem, na busca por alternativas.

    Vejo como normal um contrato de trabalho. Mas considero doentio sim a forma como se extrai energia de um funcionário como se ele fosse uma laranja. E ao final sabemos o que fazem com o bagaço que se transformou o indivíduo.

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