A campanha da calcinha cor de rosa (Índia)

Clay Shirky foi apresentado por mim na CIRS

Sem sombra de dúvida, uma palestra de destaque na CIRS, realizada no começo do mês em Curitiba, junto com a CICI 2010, foi a do Clay Shirky ao falar sobre o poder se organizar independente das organizações.

Compartilho a seguir um dos exemplos que ele utilizou para ilustrar o fenômeno quando se dá a ignição de uma causa via mobilização social consistente. E, of course, utilizando os meios digitais para tal – tanto web como celulares.

Para os paradigmáticos analógicos isso é de difícil compreensão. Já usei uma expressão que bem resume a situação. Ao comentar minha discordância com a posição do Ethevaldo Siqueira num painel da CBN – fiz o comentário para o Pedro Dória que participava diretamente da California. Ele leu a minha tuitada no ar: “O Volney está acompanhando o debate e pelo twitter ele escreve que é impossível segurar o estouro da boiada”. Ou seja, há um caos em andamento, fruto da liberdade e da força do indivíduo que ninguém vai conseguir controlar – seja por mando, ameaça, opressão, ou mesmo agressão física.

Essa conexão dos indivíduos alimentado por suas causas, é poderosíssima. E não tem como segurar.

Shirky utiliza a reação feminista em um dos condados da Índia, que ficou mais conhecido como The Pink Chaddi Campaign. Foi a resposta das mulheres numa sociedade que sabemos tem seu peso cultural e religioso que não reconhece igualdades – onde prevalece ainda hoje o sistema de castas e a forte preponderância do papel do homem.

Comandados por um extremista religioso de nome Sri Ram Sena, fanáticos invadiam bares e locais públicos onde as mulheres estivessem – mesmo as acompanhadas – e as aterrorizavam com ataques físicos, agressões e violência. Chegavam a expulsá-las dos bares e locais públicos onde elas se encontravam. Essa hostilização bárbara foi contida pela ação de redes sociais.

Tudo começou quando uma jovem abre um blog e levanta a bandeira da campanha denominada Calcinha Rosa. Logo de início conquistou mais de 44 mil adeptos – entre homens e mulheres, que se engajaram em apoiar as mulheres mais liberais (para os padrões da Índia a referência é ‘ser livre e de vanguarda’). Sabendo que tal atitude iria contra o pensamento dos líderes religiosos extremados.

Nisha Susan liderou um movimento de libertação

Para demonstrar sua força, o chamada Consortium of Pub-going, Loose and Foward Women realizou uma manifestação à distância, enviando milhares de calcinhas rosa para o endereço de Sri Ram Sena – daí o nome Pink Chaddi. “Compre as mais baratas, tire foto do pacote com o destinatário em destaque, e vamos divulgar nosso ativismo” é o resumo de uma das iniciativas que ganharam o noticiário regional e do país. E em seguida o mundo.

Ao final da convocação a líder da campanha, Nisha Susan faz mais dois apelos. O primeiro era para não ficar discriminando cor – outras cores além do rosa seriam igualmente aceitas. E o segundo, que os homens poderiam participar também do esforço de envio pelo correio.

Outras ilustrações vieram em sua fala, e você pode assistir ao vídeo inteiro aqui. Fiz uma rápida apresentação dele, e em seguida pode-se acompanhar sua fala já com a tradução simultânea por cima.

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