Letícia Matsuoka vence o Drucker Challenge 2020 (leia o ensaio de sua autoria)

A efetividade da liderança política durante a revolução da informação prevista por Peter Drucker

  1. Olhando para o passado

29 de maio de 1780. 

O comandante britânico Tenente Coronel Banastre Tarleton ordena que Abraham Buford, Coronel do Exército Continental, se renda. Ele recusa; a batalha começa e seus soldados se rendem após serem sobrepujados. Durante a trégua, o cavalo de Tarleton é baleado e ele fica preso embaixo do animal. Suas tropas pensam que ele foi assassinado e atacam os soldados rendidos em vingança. Isso resulta na morte de mais de 100 patriotas americanos.

Esta é uma versão da batalha conhecida como massacre de Waxhaws da Guerra de Independência dos Estados Unidos. A outra, adotada pelos americanos, diz que Tarleton ignorou propositalmente a rendição e ordenou o massacre. Essa versão se tornou propaganda. Ela foi utilizada para convencer a população do sul a tomar um lado na guerra diante da suposta brutalidade dos britânicos.

 A história foi contada assim por séculos, mas estudos modernos sobre a batalha[1] têm questionado a veracidade dos fatos. Eles expuseram também a primeira versão contada pelo próprio Tarleton[2] e confirmada por soldados dos dois lados.

E hoje, 240 anos depois, a informação e como ela é manipulada ainda desempenha o mesmo papel na formação de opinião da sociedade.

  1. O filtro da informação

A informação passou por diversas revoluções ao longo da história, como a criação da escrita e da prensa de Gutenberg. Peter Drucker previu, em 1998, que a próxima seria sobre seu significado e propósito, e que ela iria envolver as principais instituições da sociedade. Ele sugeriu um sistema de informação efetivo a ser desenvolvido na década seguinte, baseado na coleta e organização de informações externas às corporações[3]. Esta revolução se apresenta hoje como o Big Data. É uma área do conhecimento que coleta e analisa o enorme fluxo de dados gerados no meio digital pela sociedade (sistema sugerido por Drucker). Então, esses dados são transformados em informação de padrões de consumo dos usuários. São utilizados por empresas para personalizarem serviços e produtos[4].

No século XX, a informação era transmitida por jornais, televisão e rádio. Mas primeiro, ela passava por uma curadoria humana especializada. Enquanto isso reduzia a quantidade de desinformação, reduzia também o acesso da população a uma maior diversidade de informação. Hoje, com o crescimento exponencial da informação, sentimos que devido a sua quantidade excessiva não existe um filtro.

Mas esse filtro existe, e é uma curadoria realizada por algoritmos[5] do Big Data. Eles coletam dados de nossas buscas na internet, preferências e interações nas redes sociais em tempo real. Então são conectados ao nosso perfil, permitindo que quem quer que os possua saiba quem somos e como pensamos. Os algoritmos controlam as informações que recebemos por uma questão comercial: as empresas que não utilizam esse mecanismo para se relacionar com seu público se tornam obsoletas. Assim, tudo que recebemos é direcionado para nós de acordo com o nosso interesse. Embora haja o benefício de que encontramos com mais facilidade o que estamos buscando, essa curadoria prejudica a oportunidade de termos contato com opiniões diferentes.

  1. Bolha social

            Este uso do Big Data acaba por isolar determinados grupos a conviverem apenas com conteúdo de seu interesse. Isso também inclui pessoas. Nas redes sociais, romper o contato com alguém que expressa uma opinião que nos é incômoda é muito mais fácil do que no mundo real: basta deixar de seguir ou bloquear. Quando o isolamento é uma resposta mais rápida que o diálogo, é sinal de que perdemos a capacidade de argumentação. Esses círculos sociais isolados são conhecidos como bolhas sociais[6]. São compostos de pessoas que compartilham a mesma visão de mundo como consequência da curadoria dos algoritmos.

            Em contato com apenas um lado da história, nós o tomamos como a verdade e formamos nossas opiniões com base nela. As bolhas minam o pensamento crítico e a capacidade de argumentação das pessoas ao expô-las somente a informações de seu agrado, não havendo necessidade de discordância entre elas. Esse é um dos motivos de estarmos vivemos em um mundo politicamente polarizado, e o fenômeno das bolhas sociais têm grande papel em sua construção. Quando duas delas se chocam, o resultado não é o diálogo (que já não vinha sendo praticado), mas sim a agressividade. O problema não é o Big Data, mas sim o uso dele para limitar a informação. Como raramente enxergamos que vivemos dentro de uma bolha, nos deixamos influenciar pelo que recebemos de nosso círculo social sem checar a veracidade. Isso torna o terreno fértil para manipulações.

  1. A manipulação da informação

No ano de 1937, o rádio foi utilizado para divulgar o Plano Cohen[7] no Brasil. Naquele tempo, a tecnologia já se mostrava uma ferramenta útil para moldar a visão de mundo das pessoas, mesmo que com mentiras. Hoje, compartilhar informações sem checar sua veracidade tem se tornado cada vez mais comum, seja por sua grande quantidade ou por virem de alguém em quem confiamos. Esse é justamente o objetivo das fake news[8]: fazer a mensagem chegar a pessoas reais, porque são elas que a passam para frente e lhe dão credibilidade.

Quando temos consciência apenas da nossa influência individual no mundo, é fácil pensar que uma pequena mentira não causará grandes problemas. E é desse pensamento que as fake news se alimentam para atingir dimensões que não somos capazes de compreender enquanto estivermos alienados dentro de nossa bolha social. A realidade é que as fake news são capazes de definir o futuro de nações.

A empresa Cambridge Analytica coletou dados pessoais de 87 milhões de americanos no Facebook e os utilizou para influenciar suas percepções de voto na eleição presidencial de 2016[9]. A empresa fez isso atingindo seus medos através da tática de firehose of falsehood[10]. Quem deseja nos manipular tenta diminuir nossa capacidade crítica e aumentar nosso fator emocional, pois assim não avaliamos se a informação que recebemos é confiável.

No Brasil, a batalha eleitoral de 2018 aconteceu na privacidade do celular. Empresas manejaram perfis falsos para distribuir fake news no WhatsApp e influenciar diretamente as pessoas[11]. A diferença entre ver uma fake news na internet e recebe-la diretamente no celular é que, no segundo caso, ela é repassada por alguém de nossa confiança. Na internet, podemos checar sua fonte; no celular a fonte é quem nos enviou. Portanto, tendemos a acreditar nela. Com a polarização política, até mesmo o rompimento entre familiares que pensam diferente se tornou comum. O problema não está na divergência de opinião, mas sim na ausência de diálogo e respeito.

            Após Jair Bolsonaro vencer a eleição presidencial, uma CPMI[12] investigou os disparos em massa de mensagens pelo WhatsApp. Até o momento, a investigação chegou às empresas envolvidas e nos principais 24 mil números responsáveis pelas mensagens. Investiga-se também a ligação dos filhos de Bolsonaro (também políticos) com a disseminação de fake news após declarações de ex-aliados do Presidente[13]. Embora existam agências de checagem de fatos no Brasil e no mundo, um estudo do MIT[14] de 2018 que analisou 4 milhões de tweets concluiu que fake news são muito mais compartilhadas do que as verdadeiras.

  • Estourando a bolha

            Na democracia, a liberdade de expressão é um direito constitucional e isso vale também para a disseminação de fake news. Mas há uma habilidade que podemos desenvolver, ou até mesmo recuperar, para reduzir essa disseminação: o pensamento crítico.

            De acordo com Parker e Moore[15], trata-se de uma determinação cuidadosa e deliberada sobre aceitar, rejeitar ou suspender o julgamento acerca de uma dada afirmação e seu grau de confiança. Na prática, trata-se de um jeito de pensar que nos permita quebrar uma situação em pedaços, revelando questões escondidas e nos ajudando a vê-la por mais ângulos. Ao invés de escolher uma resposta porque soa correta, quem usa o pensamento crítico sujeita todas as opções disponíveis a questionamentos. Para isso, precisamos nos informar corretamente sobre a situação em questão. A pesquisa acadêmica me ensinou a perguntar “quem disse?” sempre que eu recebo uma nova informação.

            Mas como saber se estamos realmente nos informando ou apenas reforçando ideias já existentes? É comum confundirmos familiaridade com conhecimento, pois quanto mais facilmente lembramos de algo, mais parece verdade[16]. Por esse motivo, mentiras ou informações erradas que concordam com o que já acreditamos são mais fáceis ainda de serem assimiladas. Devemos ter cuidado com a ignorância, pois ela pode ser tão grande que faz com que achemos que dominamos uma área que mal conhecemos.

            Para sabermos se temos conhecimento profundo sobre um assunto, podemos listar nossos argumentos. A falta deles faz com que as pessoas percebam que não possuem tanta razão como pensavam. É checando o quanto se sabe de fato que se constrói o pensamento crítico. Se você acredita em tudo que ouve, não está pensando. Se você ouve e acredita naquilo que já tem certeza, também não está pensando. Precisamos deixar de lado nossas crenças pessoais e conhecer o diferente, como a opinião de pessoas fora da nossa bolha social, para expandir nosso conhecimento e noção de mundo. Assim como Peter Drucker viveu entre várias culturas e até veio para o Brasil na década de 1950.

  • Liderança efetiva

            Se o fato de uma população viver em bolhas sociais já é por si só um grave problema, ele se torna ainda pior quando os líderes políticos também estão na bolha. Não é apenas nosso o dever de desenvolver a habilidade de pensamento crítico, mas também de nossos governantes. E eles devem ser nosso exemplo.

            Nas palavras de Peter Drucker, liderança é “elevar a visão de um homem a patamares mais altos, aumentar a performance de um homem a padrões mais altos, construir a personalidade de um homem além de suas limitações normais”[17]. A Teoria Comportamental destaca dois tipos de liderança: a autocrática e a democrática. A primeira se caracteriza pela autoridade centrada no líder que não permite a participação dos subordinados na tomada de decisão; a segunda se trata do líder que decide com sua equipe, incentivando a participação de todos no processo.

            No artigo “The Effective Decision[18], Drucker destaca que o mais difícil não é tomar a decisão, mas fazê-la funcionar. Ele desmembra o processo da tomada de decisão efetiva em seis passos: classificação, definição, especificações, decisão, ação e feedback. Os três primeiros tratam da identificação do problema, sua análise e compreensão das condições para solucioná-lo. A decisão é tomada, e os últimos três passos ensinam a coloca-la em prática, além de monitorar sua efetividade pós aplicação e aprender com os resultados.

            Embora Drucker disse que não há uma forma ideal de organizar uma empresa ou pessoas[19], é importante destacar que a decisão precisa ser unificada e centralizada. Decisões conflitantes se tornam ações confusas com resultados ineficazes. O sucesso da liderança está diretamente vinculado à efetividade da tomada de decisão.

            Mesmo se uma equipe faça parte do processo, cabe ao líder decidir. No prefácio do livro “The Leader of the Future[20], Drucker destaca dez características de um bom líder. Dentre elas, tolerar a diversidade daqueles que possam trazer contribuição, não temer a capacidade de seus associados, ser responsável, ser um exemplo, ter a capacidade de admitir erros e mudar de ideia.

  • Tempo de experiência é sinônimo de boa liderança?

            É comum associarmos tempo de experiência com capacitação e esperarmos que líderes mais velhos sejam mais efetivos que os jovens. Porém, o cenário mundial atual em relação à pandemia de Covid-19 tem questionado esse tipo de pensamento. Uma doença desconhecida exige ainda mais que os líderes de governo usem suas habilidades de pensamento crítico, já que é mais difícil decidir sem informações suficientes sobre o problema.

            O Chanceler austríaco Sebastian Kurz é atualmente o chefe de governo mais jovem do mundo, com 33 anos. Após a aliança problemática que culminou na queda de seu primeiro governo, ele foi eleito novamente e retornou fazendo uma aliança inédita no país com a oposição. Sua primeira decisão em relação à pandemia foi a paralisação do país três dias após a primeira morte pelo vírus e, após quatro semanas, a taxa de contágio foi reduzida em quase 80%[21].

            Kurz toma decisões junto de sua equipe e as comunica de forma clara e objetiva à população. Nesta crise atual, são eles que transformarão a decisão em ação. Podemos aprender que a voz conjunta do líder e sua equipe orientando para apenas uma direção engaja a população para agir de acordo com o recomendado. Quando o líder é um exemplo, garante que a decisão seja efetiva. O próprio Kurz seguiu o isolamento social, fez seus comunicados por trás de uma proteção de vidro e é visto usando máscara em público.

            Agora o Chanceler trabalha em uma reabertura para a Áustria e sua economia, tomando novas decisões de acordo com o monitoramento das anteriores, inspirando esperança e cautela na população. Desde a aliança com a oposição ao seu sucesso em conter o vírus, Sebastian Kurz demonstra que seu pensamento crítico lhe dá uma visão ampla de mundo que o permite focar suas decisões no que é certo ao invés do que é aceitável e fácil.

            Outros jovens líderes de governo também conseguiram conter a disseminação do vírus, como Sanna Marin (34) na Finlândia, Jacinda Ardern (39) na Nova Zelândia, Carlos Alvarado (40) na Costa Rica e Leo Varadkar (41) na Irlanda. Todos eles demonstram o tipo de liderança democrática, voz unificada, transmissão de confiança e clareza de informações, além de um processo efetivo de tomada de decisão, ação e monitoramento semelhantes ao de Drucker.

            No Brasil, o Presidente Jair Bolsonaro (65) tem de experiência política os anos que Sebastian Kurz tem de vida. Mesmo antes da pandemia, recuava com frequência em suas decisões, o que mostra que seu processo de tomada de decisão é falho, baseado na impulsividade. A pandemia expôs ainda mais o caos interno do governo: Bolsonaro não consegue chegar a um consenso com os subordinados que pensam diferente dele. Demitiu o Ministro da Saúde após este defender a quarentena e, em menos de um mês no cargo, seu sucessor pediu demissão por divergências com o Presidente. O país enfrenta uma crise de saúde sem precedentes com o Ministério mais importante sem liderança.

            Bolsonaro minimiza a gravidade do vírus e é o próprio exemplo de suas crenças. Ele esteve em uma média de uma aglomeração por dia[22] durante a pandemia em atos a favor do governo feitos por seu eleitorado. Os governadores de estado tentaram seguir as recomendações internacionais ao orientar a população, mas o conflito com as orientações do Presidente tornou qualquer decisão ineficaz. Elas dividiram a direção em que a população deve seguir. Bolsonaro governa criando o caos, vive na bolha social compartilhada por seu eleitorado e demonstra incapacidade de pensamento crítico. No Brasil, a pandemia foi politizada entre os dois extremos: esquerda e direita.

            Adotar o lockdown como última opção, ao invés desta ser uma das primeiras medidas para conter do vírus, foi uma decisão que resultou em números exorbitantes de casos e óbitos. Decisões ineficazes como esta foram tomadas por líderes mais velhos e experientes, como Giuseppe Conte (55) na Itália, Viktor Orbán (56) na Hungria, Stefan Löfven (62) na Suécia, Andrés Obrador (66) no México, Donald Trump (73) nos EUA e Daniel Ortega (74) na Nicarágua.

            Quanto mais conflitantes as decisões do líder, maior a força das fake news para manipular as pessoas. Quando tememos uma doença desconhecida, tendemos a nos apegar a qualquer informação que nos traga conforto, como a crença perigosa na efetividade de um medicamento sem prova científica. E isso fica ainda pior quando esse tipo de desinformação tem apoio dos líderes de governo, como Trump e Bolsonaro com a cloroquina.

            Pode-se dizer que, no momento atual de crise, os líderes mais jovens têm se mostrado suficientemente capazes de pensamento crítico para tomar decisões efetivas e guiar a população de seus países com responsabilidade. Isso também mostra que o legado de Peter Drucker não se limita ao gerenciamento. Seus ensinamentos em liderança e tomada de decisão também podem ser usados para salvar vidas.

  • Por fim…

            O ser humano sempre teve a necessidade de classificar ou agrupar pessoas de acordo com suas visões de mundo: esquerda e direita, oriente e ocidente, hemisfério sul e norte. Mas talvez essa necessidade devesse ser revista.

            A situação atual do mundo vai muito além de opostos extremos, onde quem é a favor de um lado rejeita tudo que venha do outro. Por exemplo, nós do ocidente podemos aprender com o senso de coletividade do oriente. Os dois lados podem tomar decisões certas e erradas, e isso não faz com que exista um lado sempre bom e outro sempre ruim. Não podemos nos esquecer que ideologias são criadas por humanos e são capazes de falhar, assim como nós.

            Enquanto o mundo continuar a se dividir em extremos, toda revolução da informação será usada para manipular a população cada vez mais em direção ao extremismo. Ele enfraquece o nosso pensamento crítico e a nossa capacidade de argumentação. Estas são habilidades que precisam ser desenvolvidas ao longo do processo de aprendizagem em conjunto, desconstruindo os pressupostos em sociedade para melhorias e progresso. O líder político que trabalha com a verdade não teme o pensamento crítico da população. Ele investe na qualidade da educação de seu país para que essa habilidade possa ser desenvolvida em larga escala.

            A falta de investimento em educação é o fator que mais contribui para que a população seja facilmente manipulada, e aqueles que trabalham com a mentira tiram proveito disso. No Brasil, costumamos dizer que “a mentira tem perna curta”, portanto ela não vai longe, e isso se aplica aos líderes que baseiam seus governos na manipulação de informação: a verdade chega e mostra o quão frágil são suas estruturas. Como já dizia Peter Drucker: “Não há países subdesenvolvidos. Há apenas os “subgerenciados”[23].

            Sobre a autora

            Letícia Matsuoka é Bacharel em Design de Games pela Universidade Anhembi Morumbi. Trabalhou com 3D para animação, games e, atualmente, para efeitos visuais. Escritora nas horas vagas, foi a primeira brasileira em 10 anos do Peter Drucker Challenge a estar entre os vencedores do concurso. Autora também  do artigo vencedor do SBGames de 2018.


[1]  Jim Piecuch, The Blood Be Upon Your Head: Tarleton and the Myth of Buford’s Massacre (Lugoff: Southern Campaigns of the American Revolution Press, 2010), 27-40.

[2] Banastre Tarleton, A History of the Campaigns of 1780 and 1781 In the Southern Provinces of North America (London: T. Cadell, 1787), 31.

[3] Peter F. Drucker, “The Next Information Revolution”, Forbes, 24 de Agosto de 1998, http://www.sjtech.com/Peter%20Drucker%20-%20the%20Next%20Information%20Revolution.pdf.

[4] David Lazer, “The rise of the social algorithm”, Science, June 5, 2015, https://science.sciencemag.org/content/348/6239/1090.

[5] Sequência finita de ações executáveis que tem como objetivo obter uma solução para um tipo determinado de problema.

[6] Eli Pariser, How the New Personalized Web Is Changing What We Read and How We Think (New York: Penguin Press, 2011), 4.

[7] Documento preparado e disseminado por militares brasileiros para simular uma revolução judaico-comunista e utilizada como instrumento politico para a implementação de um regime ditatorial na década de 1930.

[8] Distribuição deliberada de desinformação ou rumores. Esse tipo de notícia é escrita e publicada com a intenção de enganar para obter ganhos politicos ou financeiros.

[9] The Great Hack. Dirigido por Karim Amer e Jehane Noujaim. EUA: Netflix, 2019, https://www.netflix.com/title/80117542

[10] Alta velocidade e quantidade de disparos de fake news. Tática política originada na Rússia durante a anexação da Crimeia utilizada prar ganhar insistindo em mentiras.

[11] Nathan Lopes, “Fake News pelo WhatsApp é fenômeno sem precedentes no mundo, diz OEA”, Uol, 25 de Outubro de 2018, https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/25/fake-news-pelo-whatsapp-e-fenomeno-sem-precedentes-no-mundo-diz-oea.htm.

[12] Iniciais para Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, investigação conduzida pelo Senado Federal e a Câmara dos Deputados para ouvir depoimentos e tomar informações.

[13] Patrik Camporez, “CPMI mira no ‘gabinete do ódio’ em investigação sobre disseminação de fake news”, Uol, 6 de Dezembro 2019, https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/12/06/cpmi-mira-no-gabinete-do-odio-em-investigacao-sobre-disseminacao-de-fake-news.htm.

[14] Peter Dizikes, “Study: On Twitter, false news travels faster than true stories”, MIT News Office, 8 de Março de 2018, http://news.mit.edu/2018/study-twitter-false-news-travels-faster-true-stories-0308.

[15] Brooke Moore and Richard Parker, Critical Thinking (California: Mayfield Pub. Co., 1986), 4.

[16] Daniel Kahneman, Thinking, fast and slow (New York: Farrar, Straus and Giroux, 2011), 91-92.

[17] Peter F. Drucker, The Practice of Management (New York: HarperCollins, 1986), 302-303.

[18] Peter F. Drucker, “The Effective Decision”, Harvard Business Review, Janeiro, 1967, https://hbr.org/1967/01/the-effective-decision.

[19] Peter F. Drucker, Management Challenges for the 21st Century (New York: HarperBusiness, 2001), 21.

[20] Frances Hesselbein et al., The Leader of the Future: New Visions, Strategies and Practices for the Next Era (San Francisco: Jossey Bass, 1997), 7-8.

[21] Ana Estela de Sousa Pinto, “Quarentena reduziu em quase 80% taxa de contágio do coronavírus na Áustria”, Folha de S. Paulo, April 15, 2017, https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/04/quarentena-reduziu-em-quase-80-taxa-de-contagio-do-coronavirus-na-austria.shtml

[22] Arthur Sandes, “Bolsonaro esteve, em média, em uma aglomeração por dia durante a pandemia”, Uol, 17 de Maio de 2020, https://www.bol.uol.com.br/noticias/2020/05/17/bolsonaro-esteve-em-media-em-uma-aglomeracao-por-dia-durante-a-pandemia.htm.

[23] Peter F. Drucker, The Daily Drucker: 366 Days of Insight and Motivation for Getting the Right Things Done (New York: HarperBusiness, 2004), 56.

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Ainda não acharam a geração?

coddling

O artigo de Pondé em sua coluna da Folha tem o título chamativo. “Uma Geração Perdida” trata um pouco do livro The Coddling of the American Mind, de Greg Lukianoff e Jonathan Haidt, recém publicado nos Estados Unidos. Mais sobre o livro daqui a pouco. Primeiro vamos destacar a seguinte afirmativa simplória.

O fetiche com relação aos jovens serem “mais evoluídos” continua em ação. Um pouco pela vaidade dos pais, um pouco pelo marketing das escolas e universidades, um pouco porque pessoas mais velhas querem fazer sexo com esses jovens, e o blábláblá de que são legais funciona melhor quando você quer levar um deles ou uma delas para a cama.

Pondé aponta três principais forças levando à consideração de que os mais jovens estariam mais evoluídos: Vaidade de pais e mais velhos, marketing das universidades para conquistar alunos e a paquera sexualmente interesseira (estava para escrever ‘sacanagem’, mas desisti).

Duas observações extremamente pertinentes que conflitam com a posição de Pondé: 1) o vetor digital veio para ficar e realmente deu algumas casas de vantagem para a molecada no jogo da vida. Isso é evidente e inquestionável; e 2) o futuro chega mais cedo, mais rápido e é absorvido com mais intensidade pelos mais jovens. Se percebemos ou não, ruim para quem não enxerga nem a realidade em transformação e nem a sua gênese.

Portanto, não dá para considerar como fetiche, e sim como fato evidente.

Em segundo lugar vamos explicar um pouco mais o livro ilustrado, inicando por seu título. Pondé assim a ele se refere,

“The Coddling of the American Mind” (Mimando a mente americana, Penguin Press) é de urgente leitura para quem trabalha com jovens.

E mais à frente,

“Coddling” significa mimar.

Este é um livro que está na minha lista – já iniciei sua leitura no ano passado. Jonathan Haidt (um dos autores) é figura conhecida por inúmeros vídeos em que participa, quer como preletor ou entrevistado.

O que observo e gostaria de destacar é que a tradução literal do título conduz a erro. Por coddling devemos entender como super proteção e blindagem – diferente de mimar ou paparicar. Os autores querem dar o sentido de que há um exagero no cuidar físico, mental e psicológico por parte das instituições que blinda os mais jovens no enfrentamento da realidade que é dura e difícil. O sub-título é How Good Intentions and Bad Ideas Are Setting Up a Generation for Failure, que seria: Como boas intenções e conceitos ruins estão formando uma geração para o fracasso. Esse complemento já ajudaria a dar um quadro mais realista do que pretendem os autores neste livro.

Em um Webinar realizado na minha página do Facebook e disponível no youtube, explico em mais detalhes esses e outros pontos. Sobre o livro e o que Haidt revela para nós em suas aparições, vou compartilhar nos próximos dias.

Como tenho insistido, devemos parar de estigmatizar a geração mais jovem. Não basta usarmos denominações que não se encaixam em nossa realidade (como Z, Y, Millenials, Babyboomers, etc.), ainda as tratamos pejorativamente. Se perderam a geração, recomendo que comecem a busca-la imediatamente.

A geração mais nova carrega o futuro, e sem ela, somos nós é que estamos perdidos!

 

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O Trabalho nunca mais será o mesmo

– Será?

– Deixe-me corrigir, refazendo a chamada: o Trabalho que já não é o mesmo, vai mudar mais ainda!

– Será?

– Opa – melhor eu corrigir: o Trabalho que já mudou, e que está mudando, vai desaparecer!

– Será?

– – – –

Inverno 07

Os cenários sendo desenhados para o futuro próximo (sim, ali virando a esquina), como por exemplo a próxima década (considere 2021 a 2030), prenunciam uma transformação ainda mais radical do que aquela que discutimos na roda de bar e na carona matutina.

Se estamos certos de uma coisa:  que há no horizonte uma tempestade de proporções inimagináveis – o que devemos fazer?

Erra quem acha que esse fenômeno não merece atenção e cuidado.

Precisamos pois, conversar com mais seriedade sobre esse horizonte sombrio. Todo cuidado é pouco, toda a vigilância é necessária, e o estado de alerta tem que permanecer em níveis altíssimos.

Incerteza profunda, alta complexidade. Isso é o mundo de hoje.

Vamos nos preparar?

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Agenda cheia para 2019

Agora que o carnaval acabou, o calendário vira de vez, e o ano começa. Pelo menos para a maioria dos brasileiros. Confesso que estou numa maratona que furou o ano. Sim dei uma parada estratégica, tão somente para recarregar as baterias. Porém posso dizer que os meses de janeiro e fevereiro foram bem agitados.

Mas o que o ano me reserva – e que será do seu interesse (assim espero) – compartilho a seguir em tópicos chaves.

Gerações Brasileiras – meus estudos e pesquisa transformado em livro ainda não tem data de lançamento. A crise das editoras é pelo menos um dos fatores para essa indefinição. No entanto, com esse limão já fizemos algumas limonadas. Temos um texto derivado da obra maior, sob o título Guia Definitivo das Gerações Brasileiras. Ele pode ser solicitado gratuitamente aqui, e também pode ser lido no Issu – esse guia foi feito na verdade para ser visto e lido em página dupla – o que dá um visual muito bacana.

Capa Guia

Sobre os desdobramentos disponíveis, tem mais um bom conteúdo que finalizei e está disponível. Fiz um estudo sobre dois grupos comparados – Senadores e Ministros. Tem o título de Grupos Geracionais Comparados, fizemos uma análise em dois momentos de 2015 e 2019: o ínicio dos mandatos de Dilma 2 e Bolsonaro. Você pode também solicitar gratuitamente em nosso site (recém inaugurado: www.geracoesbrasileiras.com.br). Leve em conta que não há cedilha nem acentuação. Esse pequeno estudo abrange 19 páginas, com tabelas, listagens, e gráficos.

Disrupção de Carreira – um desdobramento natural e uma missão para o futurista social. Já antecipo que não vou entrar na questão de argumentos e justificativas, contando histórias e casos para que o trabalhador, executivo, e profissional sai de sua zona de conforto. Esse jogo já é dado e conhecido. Vamos para a prática. São vídeos em que vamos tratar do tema, com o intuito de provocar questionamentos e interagir com quem quer sair na frente e estar pronto para ‘quando o inverno chegar’!

Recomendo (ou se preferir, solicito) que visite meu canal no Youtube e acompanhe cada um dos novos vídeos com comentários e sugestões. Aqui também vamos atualizar e como sempre, seus comentários são sempre bem vindos.

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É quase todo mundo …

No meu voo de volta à São Paulo, ao folhear a revista de bordo da Azul logo me ative na entrevista da diretora da Samsumg, Loredana Sarcinella. Ao ser indagada sobre o público alvo diante dos diferentes aparelhos mais sofisticados, a executiva responde que “os millennials são o nosso público-alvo”. E explica mais: “Eles são os mais ligados na tecnologia, os que ditam e absorvem novos comportamentos com facilidade.”

Logo pensei: talvez sim, talvez não. Que tipo de novos comportamentos? O de usuário ou o de consumidor? Ou será que uma vez com os novos comportamentos vinculados ao uso de smartphones, seja mais fácil apresentar novos modelos com melhorias naquilo que já é sofisticado?

Mas a explicação do público alvo continua, e nas linhas mais abaixo eu leio: “E não estou falando de millennials apenas como faixa etária. Trata-se de comportamento independente de idade. Conheço gente de 70 anos com a cabeça muito mais jovem e aberta nesse sentido do que outras de 40.”

Bem que poderíamos dizer: é quase todo mundo!

Aqui não se trata de uma crítica à executiva. Aponto para o desgaste que a denominação ‘millennials’ alcançou.

rabo-abana-cc3a3oLembra a ilustração de o rabo abanando o cachorro. Ou seja o que deveria ser específico da geração e de um grupo social, se torna explicação de estilo de vida e sofisticação atrelada à tecnologia – e totalmente desligado da coorte e faixa de idade.

Quando nosso vocabulário se limita, o problema não se restringe à comunicação. Vai além. Compreendemos mal e errado a realidade que nos cerca.

Se você quer realmente entender o que é geração, juventude e a qual você pertence no contexto da nossa sociedade, tenho uma boa notícia. Você pode solicitar gratuitamente o seu exemplar em PDF (um trabalho caprichado e bem ilustrado por Francisco Ucha). Basta preencher o formulário aqui.

Está na hora de parar com essa mania do rabo abanando o corpo do cachorro!

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Calma com a denominação Z

Sim. Estamos fazendo um alerta. Nesse afã de se mostrar como um indivíduo por dentro do assunto das gerações, tem gente falando e escrevendo sobre uma tal de geração Z. Como se isso fosse possível. É o círculo vicioso da superficialidade e invencionices. Esse ‘correr atrás do rabo’ é causado principalmente pela demanda de se ter conteúdo nos sites e nas postagens – mesmo que seja algo criado, inventado e irresponsavelmente falso!

Thai boys

E a geração Z é mais um engodo a se empurrar para o mercado.

Por exemplo. O sujeito escreve artigo despretensioso em janeiro e menciona algo debaixo do tema de gerações, tirado de um site que leu – sem pesquisar, sem refletir, sem contextualizar. Como ele quer trazer novidades no que vai escrever, busca assuntos em sites americanos. Usa o tradutor do Google. E pronto, coloca a sua azeitona na grande empada de tags geracionais.

Em março, ele precisa postar algo novo. E segue o mesmo caminho. Vai construindo um castelo de cartas, repleto de conteúdos falhos, rasos e perigosos. E o pior! O que parecia vir sem nenhuma pretensão, agora já ganha ares de oficialidade. Ele mesmo se ilude com o monstrinho que criou.

Chega maio. Mais um artigo. Mais uma invenção. Construída em cima da falácia de janeiro, e da distorção da realidade de março. E agora ele não pode voltar atrás!

Imaginemos o seguinte. Estou na Tailândia como repórter fazendo cobertura no resgate dos meninos presos na caverna. Os primeiros quatro resgatados são abordados por mim, faço um furo de reportagem e publico um perfil do time em base no que conheci desses primeiros quatro sobreviventes. Desprezo os demais meninos. Desconsidero a ordem de resgate. Faço daquela amostra o meu todo. Sou impaciente e me arvoro em concluir precocemente. Sou enfim um irresponsável.

Posso até ganhar aplausos nos primeiros dias pois dei um furo jornalístico. Mas o furo é na verdade o que eu fiz. Eu que entrei numa furada! Os demais meninos, ao saírem tem histórias complementares e abrangentes, e na conversa com todos, os demais repórteres e jornalistas traduzem melhor o que de fato aconteceu e quem na verdade são esses 12 meninos e seu técnico. A minha intempestividade foi um desserviço e uma irresponsabilidade.

Voltemos para as gerações. Se o grupo geracional será identificado pelo intervalo de anos de nascimento – consideremos então a nova geração nascida a partir de 2001. Hoje, os integrantes dessa geração ainda não tem maioridade. Quem é bom de Geografia sabe: 2001 para 2018 são 17 anos de intervalo. E não para por aí. Ainda tem os novos integrantes nascendo, e os demais que são muito jovens e pequenos. Uns engatinhando, outros aprendendo a ler, outros entrando na adolescência. Ou seja, esse grupo ainda não se formou como geração! O que se pode escrever ou falar a respeito deles?

Percebe, caro leitor, como é uma armadilha? Uma armadilha transferida para quem lê e para quem ouve. O autor ou palestrante, de maneira ousada avança em descrever uma geração que não existe. E ainda lhe dá o título de Z! Mantém-se tão somente coerente no próprio erro, e no erro anterior. O círculo vicioso é alimentado.

Por isso, muito calma com as descrições, como os ditos especialistas de plantão, que muito falam e escrevem, porém pouco sabem pois pouco aprenderam.

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A que geração você pertence? (1)

Veja neste vídeo a representatividade populacional de cada geração, com o seu intervalo de nascimento. O Brasil hoje está representado por 6 diferentes gerações. Uma que já está mais idosa (tenho algumas tias nesse grupo – mas que graças a Deus ainda convivemos com elas), as demais e até a caçula que está chegando e ser formando. Os Emergentes devem se configurar até o ano de 2028.

Uma pergunta que aparece com frequência, é sobre os anos próximos de nascimento – serve para separar alguém nascido por exemplo dia 31 de dezembro de outro, nascido dia 01 de janeiro (quando passa para o ano de corte)?

É claro que a linha divisória não é rígida. É possível que haja flutuação entre aqueles tardios e outros precoces. É até possível que haja interferência na formação de um indivíduo pois no contexto familiar foi influenciado e conviveu com determinada geração, em contraposição à sua própria.

Por isso, muito cuidado nas referências e na caracterização de cada geração. A persona geracional não é para ser usada como se fora horóscopo. A persona acaba sendo uma referência importante na compreensão do grupo, assim como nos fatores de influência e de tendência de cada geração.

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Há sempre o amanhã – Sobre suicídio

PetersonComo futurista social e um estudioso das gerações, me interessa muito a atuação e os pensamentos de Jordan Peterson (foto), autor de 12 Regras para a Vida – Um antídoto para o caos. Vai fazer quase um ano que o sigo. Me interessei por suas palestras sobre Jung, e em especial o que ele fala sobre Mito e Arquétipo. É sabido que ele tem uma pegada muito positiva e interessante com os jovens.

E após os acontecimentos recentes de Kate Spade, Anthony Bourdain e a matéria na Veja da semana retrasada que fala sobre aumento de suicídios entre os jovens (Na Flor da Idade – Veja 2587), quero compartilhar um momento singelo que tem tudo a ver com gerações. E enfatizo aqui a importância de ampliarmos (nós os mais velhos ou experientes) ainda mais o diálogo a respeito das novas gerações. Um alerta: parem de estigmatizar os jovens. Parem de chama-los de Millennnials usando argumentos americanos.

Voltando ao Jordan Peterson – após suas palestras, é comum abrir um tempo para que o público presente faça perguntas e comentários. Neste mês, em Indianópolis (a mesma cidade do famoso circuito oval da Fórmula Indy), ao terminar sua fala, ele recebeu as perguntas online, e ao ler mentalmente uma delas fez uma pausa e em seguida com o semblante transtornado, concordou em ler e responder.

“Planejo tirar minha própria vida, e não vou demorar. Que motivos para não faze-lo? Assinado: Chad.”

Nas pesquisas que fiz e no áudio disponível que ouvi (até o momento não há um vídeo completo desta palestra), o auditório ficou em silêncio total. Dava para ouvir uma mosca. E lá foi o psicólogo, professor da Universidade de Toronto e hoje um dos mais populares intelectuais do Ocidente a responder em  quatro motivos ‘para não faze-lo’ – logo de início ele diz que considera como uma questão hipotética:

Razão número 1 –  As consequências são devastadoras para os que ficam

JP: Pense cuidadosamente sobre as consequências de seu ato na vida de outras pessoas. Na minha clínica tenho atendido pessoas com familiares que cometeram suicídio. Ainda décadas depois eles estão se torturando. Creia-me, você vai dar um golpe em muita gente. E eles não vão se recuperar. Impossível livrá-los disso. Eles estarão presos para sempre.

O problema é que sua imaginação já está projetando essa [saída], e você diz que a vida lhe deprime. Talvez você pense que pessoas mereçam o sofrimento pela miséria que lhe fizeram cair sobre você.

Mas eu diria: pense bem, pense muito cuidadosamente antes de você ir por esse caminho, porque haverá uma devastação de proporções inimagináveis às pessoas que você vai deixar para trás.

Razão número 2 – Você está em dívida consigo mesmo na busca por alternativas viáveis antes de tentar o extremo.

JP: Para algumas pessoas, o antidepressivo funciona. Não é para todo mundo. Não estou prescrevendo uma panaceia, mas eles são bons para dar uma surra no suicídio. Mesmo com seus efeitos colaterais que eles tem –  quase sempre tem – o efeito colateral negativo não é fatal.

Há um monte de razões que faz pessoas se tornarem deprimidas, é um assunto complexo. Mas não abandone a esperança cometendo algo que é conclusivo, antes de você explorar todas as alternativas possíveis.

Se você ainda não falou com um psicólogo, com um psiquiatra, não tentou antidepressivos, se você ainda não esteve num hospital … Você deve explorar toda avenida possível antes de seguir para um passo final.

Você deve a você mesmo, tentar todas as possibilidades.

Um homem sábio com o qual trabalhei – um psicólogo numa prisão de segurança máxima em Edmonton – costumava dizer: “Você sempre pode cometer suicídio amanhã.”

É uma afirmativa petulante, mas ele a fazia de uma maneira muito séria. Com o suicídio, você só decide uma vez. E você pode esquecer. Então eu digo: Esqueça, e veja o que você pode fazer para se achar.

Explore todas as alternativas possíveis. Se você estiver tão sem esperança, que você hoje já tenha um plano suicida, o que é um sinal de perigo – se você já pensou como faze-lo … eu lhe diria pelo amor de Deus, se abra com alguém. Diga pra ele [o que se passa]. Vá a um hospital

Razão 3 – Considere a possibilidade que sua existência tem sentido e que nós como seres humanos, sendo fracos e limitados em entender, temos dificuldade em assimilar.

JP: Considere que sua vida tem valor intrínseco. Apesar de ser difícil enxergar, todos tem algo para servir à humanidade. E esta é uma verdade a considerar.

Razão 4 – A sua vida não lhe pertence como se fora um objeto.

JP: Não tenha certeza de que a vida é simplesmente sua para você tirá-la. Você não a possui como se fosse um objeto. Você tem uma obrigação moral

Você não pode pegar [sua vida] e achar que tem a liberdade de encerrá-la. Não pode porque na verdade isso é errado.

Conclusão – Haverá sempre um amanhã.

JP: Explore todas as alternativas e coloque-se de volta em pé. Há muitas possibilidades de tratamento para depressão, não deixe as pessoas ao seu redor em sofrimento para o resto de suas vidas, não subestime o seu valor diante do mundo, e não pense erroneamente pois o suicídio é errado. Esses são os quatro motivos.

Como acabou essa história? Em um tuíte!

Chad escreveu para Jordan Peterson na mesma noite (já de madrugada):

Chad: Hey Dr. Peterson. É o Chad. Você leu minha pergunta de verdade hoje à noite na palestra. Eu quero que você saiba que você me fez ir por um caminho diferente. É quase certo que irei amanhã me consultar num hospital à noite. Obrigado.

Ao que de pronto Jordan Peterson respondeu: “Estou absolutamente maravilhado em ouvir isso.”

Sim, há sempre um amanhã. E nossos jovens merecem mais do que estigmas pejorativos.

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Yes, nós temos Gerações Brasileiras

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Há algo de podre no reino da Dinamarca. (Hamlet – Shakespeare)

Como foi que aceitamos as denominações americanas para as nossa gerações? E, inocentemente acreditamos em suas descrições pasteurizadas?

A bem da verdade, nossos filhos e os jovens de maneira geral, foram nos surpreendendo com ‘algo de muito diferente’ em seus comportamentos e atitudes. Inicialmente nos maravilhávamos com a destreza e habilidade com que mexiam nos celulares, computadores e redes sociais. Mas no local de trabalho, eles começaram a nos assustar. Inicialmente com suas ambições desmedidas, depois a insatisfação enraizada, para em seguida dar lugar à alta instabilidade.

Tínhamos um novo ser no pedaço. Porém, ávidos por um diagnóstico, aceitávamos a simplicidade dos artigos traduzidos. Vieram então, os especialistas geracionais a nos dar explicações adornadas por estrangeirismos. O problema, diziam eles, era uma letra (Y) ou um tal de Millenial. E nos encheram de platitudes e argumentos circulares. Não demorou para que nossa desconfiança aumentasse. Ficamos céticos diante de conversas inconsistentes.

Os blogueiros especialistas ficaram com a palavra e deixaram de lado o protocolo básico para elaborar uma teoria ou dar um parecer. Desprezaram a Sociologia, que estuda a questão há cerca de dois séculos.

Nestes últimos anos tenho me dedicado e debruçado em pesquisa, análise e reflexão. Praticamente como uma obsessão. Precisamos entender a questão geracional, porém calcada na realidade e contexto brasileiros. Parte de minha motivação é ver, atônito como se tem confundido as coisas com diagnósticos e pareceres errados. Precisamos colocar os pingos nos is para o bem dos nossos filhinhos.

Em breve o texto transformado em livro, sob o título Viva as Gerações Brasileiras será publicado.  Concluo e insisto que devemos deixar de lado as denominações recorrentes (Boomers, X, Y) e buscar o que de fato identifica e dá sentido ao contexto brasileiro.

Enfatizo igualmente que é também necessário separar os fatores desencadeantes de comportamento tipicamente geracional, de outras causas – sejam elas da fase da vida, de fundo cultural ou de um novo vetor sociológico pouco compreendido.

Precisei retroceder nas diferentes eras da história agrupando biografias por coorte de anos de nascimento. Procedi à clivagem de intervalos e de grupos geracionais, alcançando 16 diferentes gerações genuinamente luso-brasileiras. E de geração em geração, pretensiosamente atribuí nomes próprios originais e contextualizados.

Viva as Gerações Brasileiras é portanto uma grande narrativa com foco nas gerações sociológicas, e intenta explicar o povo brasileiro com seus grupos etários, nas diferentes dinâmicas de nossa história. Propõe iniciativas e práticas – seja em postura, atitude, e comportamento – com vistas a ocupar e usufruir o momento  mais que oportuno do presente. E apresenta guias de aprendizado e desenvolvimento tanto pessoal como para o contexto coletivo.

Meu estudo está alicerçado em cinco colunas:

  • A história luso-brasileira – estudando os mais de cinco Séculos de nossa história, trabalhando causas e origens da nossa formação pela perspectiva geracional.
  • O conjunto de 2.700 biografias de protagonistas (ordenados por ano de nascimento) – atrelando órbitas de atuação a caracterizar influência e padrão.
  • O estudo da temática geracional via Ciências Sociais (Comte, Weber, Ferrari, Mannheim, Ortega y Gasset, Julía Marías, Entralgo, e por final Strauss e Howe). Ampliei de igual modo a bibliografia via intérpretes contemporâneos da revolução digital.
  • O uso de arquétipos jungianos tendo em vista uma melhor compreensão de cada persona
  • A minha experiência de trabalho como indivíduo voltado às pessoas, com um olhar especial para os jovens.

Em resumo, destaco três contra argumentos ao que se tem promovido no mercado. O primeiro, ao que chamo de Fator do Milênio – um conjunto de mudanças observado em diferentes contextos, que mascara causas induzindo a erro crasso. Constrói-se falácias e incompreensões, jogando fora a água do banho junto com o bebê. Despreza-se e estigmatiza-se os jovens, eliminando a oportunidade de contribuição que os nativos digitais oferecem. Tal erro não é cometido pelas Startups e por empreendedores que valorizam a inovação

O segundo argumento trata do Bônus Demográfico e sua janela de oportunidade ampliada. Frente à uma conjunção de fatores, o Brasil poderá usufruir de um período de grande produtividade e superávits que gerem avanço econômico e progresso sustentável.

Já o terceiro argumento vem em forma de agenda, dividida para cada geração. É possível obter-se sinergia ao definir pautas de esforços – quer para uma ou múltiplas gerações.

São identificadas 16 gerações, numa abordagem leve e consistente que nos ajuda a compreender o Brasil do presente, e ao mesmo tempo aponta para os desafios do futuro imediato.

As dezesseis gerações identificadas são:

1. Geração Exploradores (1683-1707)
2. Geração Indignados (1708-1730)
3. Geração Iluminados (1731-1752)
4. Geração Realeza (1753-1775)
5. Geração Novo Brasil (1776-1796)
6. Geração Monárquicos (1797-1818)
7. Geração Unificadores (1819-1840)
8. Geração Abolicionistas (1841-1861)
9. Geração Republicanos (1862-1881)
10. Geração Transformadores (1882-1904)
11. Geração Modernidade (1905-1927)
12. Geração Revolucionados (1928-1947)
13. Geração Bossa Nova (1948-1966)
14. Geração Caras Pintadas (1967-1984)
15. Geração Globalizados (1985-2006)
16. Geração Colaborativa (2007-2028)

Hoje convivem entre si seis diferentes gerações. A mais antiga com o escopo de idade de 90 anos para mais. E a mais nova, em formação – no presente com idades entre recém nascidos e 10 anos. Os dados populacionais tem por fonte o IBGE.

Geração Brasileira Idade População
Modernidade (1905-1927) 90 + 677.749
Revolucionados (1928-1947) 70 a 89 11.302.200
Bossa Nova (1948-1966) 51 a 69 33.437.791
Caras Pintadas (1967-1984) 33 a 50 53.606.877
Globalizados (1985-2006) 11 a 32 74.194.100
Emergentes** (2007-2028) 0 a 10 35.749.968
208.968.704

A soma das três gerações mais novas, representa o que era o Brasil no ano 2000! É vital portanto que olhemos para os desafios do presente e do futuro, prioritariamente com os olhos nos mais jovens.

Há muito a questão geracional comparece às nossas conversas, nossas postagens, comentários e  grupos. É  destaque na Mídia. É uma preocupação empresarial, principalmente na agenda dos Recursos Humanos. Os políticos e os governantes estão atentos. As escolas e professores disfarçam suas angústias. Os pais perdem o sono.

Há sem dúvida algo de bem diferente nas gerações mais novas a causar estranheza.

“Que amanhã vou deixar para meus filhos?” é uma pergunta errada. Esse amanhã já está razoavelmente delineado. Pela primeira vez na história da  humanidade, há um conjunto de inovações que, ao utilizar da tecnologia e debaixo do tremendo avanço científico, redefinirá o mundo de maneira radical e exponencial. Essa mudança – uma nova realidade – que chega logo mais, ali na esquina, é inexorável. Já está posta. Favas contadas. Não há como mudá-la.

Já os nosso filhos e netos demandam um preparo especial: exclusivo em forma, e original em conteúdo. Daí que a pergunta mais que adequada e premente é: “Que filhos vou deixar para o amanhã?” Esse é nosso maior e mais destacado desafio.

Não há geração melhor ou mais importante. A interdependência é vital. Sim, no fundo somos todos um só povo. Daí a necessidade de se promover um esforço de compreensão, de diálogos empáticos e de sínteses. Primeiro respeitando nossas características de cultura, sociedade e identidade. E depois enquadrando em nosso contexto, com seus imensos desafios sociais, políticos e econômicos.

Na grande convivência e no potencial de cada geração encontraremos chão comum para um esforço coordenado a gerar sinergia. E assim ao final e ao cabo construiremos um país melhor, uma sociedade melhor, um mundo melhor, um amanhã melhor.

Viva as Gerações Brasileiras!

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O que ainda não lhe falaram sobre as Gerações

Vou tomar menos de dez minutos de seu tempo para contrariar o senso comum a que temos nos submetido quando se trata de gerações.

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E creio que você, como eu, tem se incomodado com a superficialidade de artigos e opiniões sobre o tema geracional. Nestes últimos anos me dediquei a estudar o assunto, submetido à extensa pesquisa com muita conversa e debate. Transformado em manuscrito, traz em forma de proposta e teoria, revolucionárias revelações. Extraído das conclusões, compartilho pelo menos três coisas que omitiram da gente.

Primeiro, nós temos as nossas gerações. E elas são diferentes das americanas. É isso mesmo. Não temos Babyboomers (what is that?), X, Y e Millenials – e por favor sem tampouco essa de Z e de Alpha. Nossas gerações tem outro corte de período (o nome bonito para isso é clivagem), e denominações que se referem à nossa gente e Sociedade.

A proposta que faço é que hoje temos seis gerações brasileiras em convivência:

  • Modernidade (1905-1927): Lygia Fagundes Telles, tia Martha Faustini;
  • Revolucionados (1928-1947): FHC, Lula, Sarney, Temer e Dilma;
  • Bossa Nova (1948-1966): Alckimin, Lewandowski, Aécio, Marina, Gleise Hoffmann;
  • Caras Pintadas (1967-1984): Rodrigo Maia, Moro, Lindberg, Manuela d’Ávila;
  • Globalizados (1985-2006): Gregório Duvivier, Andréia Sadi, Neymar, Maisa;
  • Colaborativa (2007-2028): meus netos (e seus filhos, netos e quiçá bisnetos).

Segundo, deve-se ter muito cuidado para não confundir traços sociais de transformação com características geracionais. Há muito que se discutir nesse campo. Há mudanças que são passageiras, apesar (ou exatamente em razão) de ser coisa dos mais jovens. Esses comportamentos temporários aconteceram conosco (falo aos Bossa Nova e Caras Pintadas), e graças a Deus não havia à época essa fissura toda pelo tema Geracional.

Há mudanças que são perenes e serão incorporadas pela Sociedade, independente de ano de nascimento. Transformações que alcançam e exigem inclusive adaptação por parte dos mais velhos.

E é claro que há traços geracionais. O que nos leva para o próximo ponto.

Terceiro, a persona geracional, caracterizada pela absorção de influências na fase formativa e impactado pelo Zeitgest (ou seja o espírito predominante que molda crenças e ideias, no específico até o fim da adolescência, ou no geral em período determinado). Geração portanto é um mover lento e gradual de grupos etários, e que ao fim da entrada na fase adulta assimila uma forma característica incorporando atitudes gerais, percepções gerais e aprendizados gerais. Essa amálgama é incorporada e se consolida nas feições de um arquétipo resultante.

Há é claro outros pontos a destacar, como a crítica que fazemos à forma caricaturada de se atribuir estilos de atuação aos mais jovens. Nossa reação defensiva e errática a certos fenômenos juvenis é no mínimo preocupante. Ainda mais quando se coloca muito peso sobre a parametrização do processo seletivo de estagiários e jovens profissionais.

Esse estudo que mencionei está transformado em livro e será publicado em breve, sob o título VIVA AS GERAÇÕES BRASILEIRAS. Até lá vou compartilhar algumas das conclusões e o processo de meu estudo e pesquisa.

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